Vacinação contra a covid-19 completa cinco anos e mantém papel crucial na proteção da população

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Vacinação contra a covid-19 foi iniciada há exatos cinco anos no Brasil e, desde então, contribuiu para encerrar o período de emergência sanitária. Mesmo com a redução expressiva de casos e mortes, o vírus continua circulando e exige atenção constantes, principalmente porque a cobertura vacinal atual está distante do patamar considerado ideal pelos órgãos de saúde.
- Vacinação contra a covid-19 completa cinco anos no Brasil
- Cobertura vacinal contra a covid-19 ficou aquém do esperado
- Impacto da baixa vacinação contra a covid-19 nos casos graves
- Desafios na imunização infantil contra a covid-19
- Grupos prioritários e calendário de vacinação contra a covid-19
- Evidências de eficácia e segurança das vacinas contra a covid-19
Vacinação contra a covid-19 completa cinco anos no Brasil
O processo de imunização começou em 2021 e, em cinco anos, modificou profundamente o cenário epidemiológico do país. A introdução das primeiras doses permitiu a queda consistente dos registros de hospitalizações e óbitos, retirando o Brasil do estado de pandemia. Ainda assim, o coronavírus permanece ativo, gerando picos sazonais que, segundo especialistas, devem ser monitorados de forma contínua.
Mesmo em patamares inferiores aos observados entre 2020 e 2022, o volume de infecções graves é considerado significativo. Para os pesquisadores que acompanham a evolução da doença, a vacinação segue como ferramenta indispensável para evitar que surtos localizados ganhem escala nacional.
Cobertura vacinal contra a covid-19 ficou aquém do esperado
Em 2025, indicadores oficiais apontam que menos de 40% das doses distribuídas foram efetivamente aplicadas. O Ministério da Saúde enviou 21,9 milhões de vacinas aos estados e municípios, porém apenas 8 milhões chegaram ao braço da população. A meta histórica de 90% de cobertura fixada durante a emergência sanitária não foi alcançada nem nas etapas anteriores, permanecendo como desafio para os serviços de saúde.
No segmento infantil, a situação demonstra ainda maior fragilidade. O painel de monitoramento federal registra 2 milhões de doses aplicadas no público de até cinco anos ao longo de 2025, com somente 3,49% de cobertura para menores de um ano. A pasta reconhece que o painel reflete parcialmente a realidade, pois não distingue todas as faixas etárias contempladas, e afirma estar consolidando dados por coorte.
Impacto da baixa vacinação contra a covid-19 nos casos graves
A plataforma Infogripe, mantida pela Fundação Oswaldo Cruz, reúne notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e revela as consequências da imunização insuficiente. Em 2025 foram confirmados, por exame laboratorial, 10.410 casos graves provocados pelo coronavírus, resultando em aproximadamente 1.700 mortes. O sistema de vigilância aceita notificações retroativas; portanto, o total pode crescer à medida que registros atrasados forem inseridos.
O órgão também informa que o vírus se mantém como um dos agentes respiratórios com maior potencial de causar hospitalizações e óbitos no país. Sem uma sazonalidade definida, diferentemente do influenza, o SARS-CoV-2 pode gerar novas ondas a qualquer momento, sobretudo se surgir variante mais transmissível ou com escape imunológico.
Desafios na imunização infantil contra a covid-19
A vacina foi integrada ao calendário rotineiro de crianças, gestantes e idosos em 2024. Ainda assim, a adesão infantil não acompanhou a rapidez observada na população adulta dois anos antes. Entre 2022 e fevereiro de 2024, apenas 55,9% das crianças de 5 a 11 anos completaram o esquema inicial; na faixa de 3 e 4 anos, a marca ficou em 23%.
Entre os fatores associados à baixa procura para essa faixa etária, profissionais de saúde citam a queda na percepção de risco. Quando o imunizante chegou para as crianças, o volume de casos já havia declinado, reduzindo a sensação de urgência entre pais e responsáveis. Esse ambiente favoreceu a disseminação de desinformação, dificultando a comunicação sobre benefícios e segurança das vacinas.
Dados acumulados de 2020 a 2025 reforçam a vulnerabilidade das crianças pequenas. Nesse período, foram registrados quase 20,5 mil episódios de SRAG em menores de dois anos, com 801 óbitos. Mesmo em 2024, quando o controle da doença era considerado elevado, ocorreram 55 mortes e 2.440 internações nessa faixa etária.
Além do risco imediato de hospitalização, crianças podem desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), complicação rara porém grave ligada à infecção pelo coronavírus, com letalidade de cerca de 7%. Entre 2020 e 2023, o Brasil notificou aproximadamente 2,1 mil casos e 142 mortes pelo agravo. Estudo britânico com quase 14 milhões de indivíduos entre zero e 18 anos acrescenta que infecções pela covid-19 aumentaram a incidência de miocardite e eventos tromboembólicos nesse público.
Grupos prioritários e calendário de vacinação contra a covid-19
O Programa Nacional de Imunizações atualiza periodicamente as orientações para cada segmento da população. Abaixo, os esquemas recomendados em 2026:
Bebês de 6 a 11 meses
1ª dose aos 6 meses; 2ª dose aos 7 meses; 3ª dose aos 9 meses (apenas para quem recebeu Pfizer nas duas primeiras doses).
Crianças imunocomprometidas
Mesma sequência dos bebês, com dose adicional de reforço a cada seis meses.
Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades
Esquema básico idêntico ao das crianças em geral, seguido de reforço anual.
Menores de cinco anos que ainda não iniciaram o esquema
Devem completar as doses pendentes conforme a idade.
Gestantes
Uma dose a cada gestação.
Puérperas até 45 dias após o parto
Tomar uma dose caso não tenham sido vacinadas durante a gravidez.
Pessoas a partir de 60 anos
Reforço semestral.
Pessoas imunocomprometidas
Reforço a cada seis meses.
Moradores de instituições de longa permanência, povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, indivíduos com comorbidades, população privada de liberdade, funcionários desse sistema, pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios
Reforço anual.
Indivíduos de 5 a 59 anos fora dos grupos prioritários que nunca foram imunizados
Dose única.
Evidências de eficácia e segurança das vacinas contra a covid-19
Estudos conduzidos no país reforçam a efetividade da imunização. Entre 640 crianças e adolescentes acompanhados em São Paulo após receberem Coronavac, apenas 56 testaram positivo posteriormente, e nenhum evoluiu para quadro grave. No biênio 2022-2023, mais de seis milhões de doses pediátricas foram aplicadas no Brasil; os eventos adversos notificados foram raros e majoritariamente leves, segundo o sistema de farmacovigilância do Ministério da Saúde.
Especialistas sublinham o papel das equipes de saúde na ampliação da cobertura, destacando a necessidade de formação continuada e de orientação baseada em evidências. A recomendação a pais e responsáveis é manter o esquema em dia e procurar os postos de vacinação sempre que houver atualização do calendário ou convocação para reforço.
As secretarias municipais e estaduais seguem recebendo lotes regulares do Ministério da Saúde. A próxima remessa, destinada prioritariamente a bebês, gestantes e idosos, está prevista para distribuição nas primeiras semanas do trimestre corrente.

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