ONU enfrenta colapso financeiro iminente enquanto Trump cria conselho paralelo para gerir conflitos globais

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O colapso financeiro iminente da ONU foi tornado público pelo secretário-geral António Guterres, que advertiu para a gravidade da situação financeira da organização em meio a novas pressões externas. Poucos dias antes desse alerta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou o seu “Conselho da Paz”, estrutura que pretende conduzir negociações e reconstruções em Gaza e outros cenários internacionais, convidando 60 líderes mundiais, entre eles o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. A coincidência de datas levantou questionamentos sobre a capacidade de a ONU manter protagonismo quando enfrenta, simultaneamente, dificuldades de caixa e a criação de um fórum paralelo patrocinado pela principal potência econômica do mundo.
- Colapso financeiro iminente da ONU: alerta de António Guterres
- Donald Trump lança Conselho da Paz em meio ao colapso financeiro iminente da ONU
- Temor de uma “ONU paralela” e reflexos do colapso financeiro iminente da ONU
- Estrutura, financiamento e críticas ao Conselho da Paz em meio ao colapso financeiro iminente da ONU
- Reações internacionais e cenário futuro
Colapso financeiro iminente da ONU: alerta de António Guterres
Segundo Guterres, a Organização das Nações Unidas corre o risco de sofrer um colapso financeiro dentro de um horizonte próximo. O comunicado, divulgado nesta sexta-feira, 30, não detalhou valores nem identificou quais frentes do orçamento estariam mais pressionadas, mas a simples menção ao termo “iminente” ampliou a preocupação de diplomatas, funcionários e governos-membros. O alerta demonstra que o organismo multilateral, fundado em 1945 com a missão de promover a paz e a cooperação, encara agora um desafio de sobrevivência administrativa que pode comprometer suas operações humanitárias, missões de paz e programas de desenvolvimento.
A divulgação do risco chega em um momento delicado. De um lado, a ONU tenta responder a crises humanitárias como a da Faixa de Gaza; de outro, precisa lidar com atrasos em pagamentos de contribuições nacionais e encontrar novas fontes de financiamento. A combinação de obrigações crescentes e entradas incertas cria um cenário de instabilidade que ameaça colocar em pausa projetos essenciais.
Donald Trump lança Conselho da Paz em meio ao colapso financeiro iminente da ONU
Dois dias antes da advertência sobre o colapso financeiro iminente da ONU, Donald Trump reuniu-se em Davos, na Suíça, para anunciar a criação do Conselho da Paz, órgão desenhado para supervisionar acordos e reconstruções, com foco inicial na Faixa de Gaza. O plano inclui a participação permanente de países dispostos a contribuir com US$ 1 bilhão cada, verba que seria administrada diretamente pelo governo norte-americano. Convidados para o colegiado, 60 chefes de Estado receberam o chamado — entre eles Lula, que ainda avalia se aceitará a cadeira.
A iniciativa foi recebida com reserva por parte de diplomatas que enxergam nela uma possível diluição da autoridade da ONU. Integrantes da comunidade internacional classificam o novo fórum como uma versão paralela das Nações Unidas, mas com controle concentrado na figura de Trump, que historicamente questiona organismos multilaterais. Durante a cerimônia em Davos, o presidente norte-americano reiterou críticas às Nações Unidas, alegando baixa eficiência e custos elevados em comparação aos resultados obtidos.
Temor de uma “ONU paralela” e reflexos do colapso financeiro iminente da ONU
O lançamento do Conselho da Paz provocou avaliações sobre a existência de um vácuo institucional que poderia se agravar caso o colapso financeiro iminente da ONU se concretize. Diplomatas lembram que a Carta da ONU estabelece princípios básicos de cooperação e soluções pacíficas de controvérsia; contudo, um órgão com lógica própria, orçamento próprio e liderança centralizada nos Estados Unidos pode alterar o equilíbrio multilateral. A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, apontou que iniciativas fora da estrutura oficial podem significar retrocesso histórico na governança coletiva, criando precedentes para que outras potências formem mecanismos concorrentes quando discordarem de decisões tomadas em Nova York.
Para os analistas, a sincronia entre o risco financeiro e a criação de um conselho paralelo eleva a inquietação. Caso a ONU enfrente cortes operacionais, missões de paz e programas humanitários podem perder fôlego, exatamente no momento em que um fórum alternativo — com financiamento robusto e decisões concentradas — se oferece para preencher lacunas. A sobreposição de agendas ampliaria a competição por legitimidade e recursos.
Estrutura, financiamento e críticas ao Conselho da Paz em meio ao colapso financeiro iminente da ONU
O formato proposto por Trump impõe a cada país interessado uma adesão de US$ 1 bilhão como condição para assento permanente. Segundo o professor de Relações Internacionais Oliver Stuenkel, da Fundação Getulio Vargas, essa exigência cria assimetria de poder, pois poucos Estados dispõem de recursos para ingressar. A centralização administrativa nos Estados Unidos desperta dúvidas sobre transparência e prestação de contas — pontos que Trump frequentemente atribui como falhas da própria ONU.
O desenho institucional também estabelece poder de veto decisivo ao presidente norte-americano. Críticos argumentam que essa prerrogativa poderia transformar o Conselho em instrumento de política externa de Washington, contrastando com o modelo multilateral clássico, em que diferentes nações compartilham decisões mediante regras previamente negociadas. Além disso, a nomeação do genro de Trump, Jared Kushner, e do conselheiro Steve Witkoff para postos de destaque levanta preocupações sobre conflitos de interesse, já que ambos têm negócios privados na região de Gaza.
Outro ponto sensível diz respeito à sobreposição de mandatos. Enquanto a ONU mantém agências especializadas, tropa de paz e escritórios de coordenação humanitária, o Conselho da Paz se apresenta como gestor de reconstrução e negociações políticas. Especialistas temem duplicidade de esforços ou, em cenário mais grave, a substituição das operações da ONU por iniciativas bilaterais.
Reações internacionais e cenário futuro
A repercussão entre governos e organizações multilaterais indica um cenário de incerteza. Países convidados avaliam custo-benefício de aderir ao novo fórum, considerando a vantagem de participar de decisões sobre Gaza, mas ponderando os riscos de endossar uma estrutura que possa enfraquecer a ONU. Dentro das Nações Unidas, o alerta de Guterres pode acelerar negociações para aporte emergencial de recursos, ainda que a notícia sobre atrasos e cortes não tenha sido acompanhada de plano detalhado.
No plano diplomático, o Brasil recebeu convite para integrar o Conselho da Paz, mas o Palácio do Planalto ainda não emitiu resposta. A eventual participação brasileira pode afetar seu papel tradicional de defensor do multilateralismo e da solução pacífica de controvérsias sob mediação da ONU. Outros governos também mantêm posição de espera, buscando avaliar a viabilidade financeira e política da nova estrutura.
Já os Estados Unidos reforçam o discurso de que o Conselho da Paz é necessário para acelerar negociações e desembolsos, sobretudo em Gaza, onde a situação humanitária permanece crítica. Ainda assim, assessores de chancelerias europeias sublinham que a urgência humanitária não deve justificar processos à revelia das instâncias reconhecidas pela comunidade internacional.
No curto prazo, duas variáveis concentram a atenção de observadores: primeiro, se os Estados-membros da ONU responderão ao chamado de Guterres para evitar o risco de paralisação financeira; segundo, se os convites de Trump receberão adesões suficientes para viabilizar o fundo de US$ 60 bilhões que o Conselho da Paz almeja formar. A evolução desses dois pontos definirá o grau de influência que cada entidade exercerá nos próximos conflitos globalmente.
Enquanto isso, a ONU continua a alertar que a situação humanitária em Gaza permanece dramática, independentemente da criação de novos fóruns políticos. Organizações de ajuda vinculadas às Nações Unidas destacam que a manutenção de operações no terreno depende de fluxos financeiros estáveis — elemento diretamente afetado pela advertência de colapso lançada nesta sexta-feira.
Com o espectro do colapso financeiro iminente da ONU sobre a mesa e a ascensão de um conselho alternativo idealizado por Donald Trump, o sistema internacional se vê diante de escolhas que podem redefinir a arquitetura da governança global.

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