O que acontece com o corpo ao ser atingido por um raio: efeitos, risco de morte e formas de se proteger

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Ser atingido por um raio é um evento raro, mas extremamente perigoso, que combina eletricidade, calor intenso e força mecânica em questão de milissegundos. Quando essa descarga elétrica percorre o corpo humano, uma série de efeitos potenciais — do bloqueio cardiorrespiratório a queimaduras internas — pode colocar a vida da vítima em risco imediato. Entender como o fenômeno se forma, quais danos provoca e de que forma a sobrevivência pode ser ampliada é fundamental para reduzir o número de mortes e sequelas.
- Como um raio se forma e por que ele chega ao solo
- O que acontece no instante em que o corpo é atingido por um raio
- Consequências imediatas de um raio no organismo: parada cardiorrespiratória e queimaduras
- Efeitos neurológicos e lesões internas após ser atingido por um raio
- Fatores que influenciam a sobrevivência e socorro a quem foi atingido por um raio
- Medidas de prevenção contra raios: onde ficar e o que evitar
- Resumo das condutas essenciais durante tempestades com raios
Como um raio se forma e por que ele chega ao solo
Um raio nasce da intensa atração entre cargas elétricas de sinais opostos presentes nas nuvens de tempestade. Durante episódios de chuva ou temporal, essas cargas acabam se distribuindo entre regiões positivas e negativas das nuvens ou entre a nuvem e o solo. Quando a diferença de potencial atinge um ponto crítico, ocorre a descarga: o caminho da eletricidade pode ficar restrito às nuvens ou descer até a superfície, onde pessoas, árvores, edifícios ou objetos metálicos podem se tornar a rota final.
A probabilidade de alguém ser atingido varia conforme a localização geográfica, as condições climáticas do momento e o comportamento do indivíduo diante de tempestades elétricas. Ficar em campo aberto, permanecer sob árvores isoladas ou manter contato com objetos condutores eleva substancialmente o risco.
O que acontece no instante em que o corpo é atingido por um raio
No momento do impacto, a corrente elétrica circula pelo corpo em frações de segundo. Apesar do curto tempo de exposição, três componentes agem de forma combinada: eletricidade, calor e força mecânica. A eletricidade percorre os tecidos, o calor resultante pode provocar queimaduras e a força mecânica, originada pela rápida expansão do ar ao redor, pode causar deslocamentos bruscos ou quedas.
Ainda que a passagem da corrente ocorra rapidamente, o estrago fisiológico pode ser extenso. A interrupção simultânea da circulação sanguínea, da atividade elétrica do coração e da oxigenação pulmonar é uma possibilidade real logo após o contato com a descarga.
Consequências imediatas de um raio no organismo: parada cardiorrespiratória e queimaduras
Cerca de 10% das vítimas morrem principalmente por falha cardiorrespiratória. A interrupção dos batimentos cardíacos e da respiração pode ocorrer de maneira independente ou simultânea. Caso o coração retome o ritmo mas a ventilação não se restabeleça, o organismo entra em déficit de oxigênio, aumentando o risco de uma nova parada cardíaca.
As queimaduras representam outra consequência frequente. A descarga gera calor suficiente para lesionar a pele; em situações menos comuns, pode afetar tecidos internos. Como o contato dura apenas milissegundos, as queimaduras profundas tendem a ser menos frequentes, mas não podem ser descartadas.
Efeitos neurológicos e lesões internas após ser atingido por um raio
As implicações neurológicas configuram um quadro crítico. A passagem de corrente pelo sistema nervoso central pode levar à perda de consciência imediata, convulsões e outras disfunções cerebrais. Lesões indiretas, como traumatismo craniano em virtude de quedas, reforçam o potencial de dano.
Além do cérebro, fibras nervosas periféricas podem sofrer danos que se manifestam em déficits motores ou sensoriais. Mesmo em sobreviventes aparentemente estáveis, sequelas tardias podem surgir, exigindo monitoramento médico prolongado.
Fatores que influenciam a sobrevivência e socorro a quem foi atingido por um raio
A taxa de sobrevivência à descarga elétrica depende principalmente da gravidade da lesão e, em especial, da rapidez com que o atendimento médico é iniciado. Ações imediatas para restabelecer a respiração e o ritmo cardíaco elevam significativamente a chance de vida. Por isso, a assistência de leigos ou profissionais nas primeiras dezenas de segundos é decisiva.
Diferentemente do que se imagina, a vítima não retém eletricidade após o choque. Assim, pessoas ao redor podem se aproximar sem risco de serem eletrocutadas. O primeiro passo é garantir que a pessoa não permaneça exposta a uma nova descarga e, em seguida, acionar o corpo de bombeiros pelo número 193. Enquanto o socorro especializado não chega, a reanimação cardiopulmonar conforme o treinamento disponível pode sustentar a vítima.
Medidas de prevenção contra raios: onde ficar e o que evitar
Evitar ser atingido por um raio começa com a escolha correta do abrigo no primeiro sinal de tempestade. O local mais seguro é uma edificação sólida, fechada, com rede de proteção adequada. Na ausência de tal estrutura, um veículo com carroceria metálica fechada oferece proteção, desde que as janelas permaneçam cerradas e não haja contato com partes metálicas internas.
Dentro de casas ou prédios, recomenda-se afastar-se de janelas, portas metálicas e tomadas. O uso de aparelhos conectados à rede elétrica e o banho devem ser suspensos até que a tempestade cesse.
Algumas situações amplificam o risco e devem ser evitadas: buscar refúgio sob árvores isoladas, permanecer em corpos d’água como piscinas, praias ou lagos, e aproximar-se de cercas de arame, varais metálicos, tratores ou postes. Em campo aberto, a orientação é se deslocar prontamente para um abrigo seguro. Se não houver opção, agachar-se com os pés juntos, reduzindo o contato com o solo, minimiza a área de exposição.
Resumo das condutas essenciais durante tempestades com raios
1. Abrigo seguro: priorize construções fechadas ou veículos com carroceria metálica.
2. Dentro de casa: mantenha distância de janelas, tomadas e objetos metálicos; evite uso de aparelhos ligados à rede e banhos.
3. Locais a evitar: árvores isoladas, campos abertos, corpos d’água e objetos condutores elevados.
4. Em caso de exposição repentina: agachar-se com os pés juntos e aguardar o término da tempestade.
5. Socorro após o impacto: verificar inconsciência, acionar o 193 e iniciar reanimação quando necessário.
Essas orientações, alinhadas ao entendimento dos efeitos de um raio sobre o corpo humano, formam a base para reduzir mortes e sequelas associadas às descargas atmosféricas em todo o país.

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