Mostra de Cinema de Tiradentes transforma praça histórica em sala a céu aberto com exibição de “Querido Mundo”

Mostra de Cinema de Tiradentes transforma praça histórica em sala a céu aberto com exibição de “Querido Mundo”
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A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes viveu um dos seus momentos mais intensos na noite de sexta-feira, 24 de janeiro, quando a praça central da cidade mineira se converteu em uma sala de exibição ao ar livre para apresentar o longa “Querido Mundo”, primeiro trabalho de Miguel Falabella na direção cinematográfica. A sessão gratuita reuniu numeroso público, que acompanhou em silêncio atento o desenrolar do drama e reagiu com emoção às cenas projetadas contra o cenário colonial do município, símbolo do patrimônio histórico brasileiro.

Índice

Mostra de Cinema de Tiradentes ocupa espaço público e reforça diálogo comunitário

Transformar o espaço urbano em local de fruição coletiva é uma marca consolidada da Mostra de Cinema de Tiradentes. Ao instalar a tela no coração da cidade, o festival não apenas democratiza o acesso ao audiovisual como também cria uma experiência estética singular: a arquitetura setecentista molda a atmosfera e intensifica a recepção do filme. Na sessão de sexta-feira, moradores, turistas e profissionais do setor dividiram os mesmos degraus de pedra, sem intermediações comerciais, em contato direto com a produção nacional. O silêncio que se formou durante várias sequências evidenciou o envolvimento do público e revelou a força do encontro entre a arte e a rua.

Enredo de “Querido Mundo” aborda frustrações, violência doméstica e recomeço

O longa escolhido para abrir a programação noturna acompanha dois personagens, interpretados por Malu Galli e Eduardo Moscovis, que permanecem presos nos escombros de um prédio abandonado na passagem de ano. A premissa dramática permite explorar temas como dependência emocional, violência doméstica e a possibilidade de reinvenção pessoal. Ao longo do roteiro, as tensões internas dos protagonistas se misturam à precariedade do ambiente físico, criando metáfora potente sobre os obstáculos que mantêm indivíduos em ciclos de sofrimento. Essa combinação de espaço claustrofóbico e virada de calendário reforça a ideia de limiar entre dor e renovação, capturando a atenção dos espectadores reunidos na praça.

Miguel Falabella compartilha trajetória até a direção cinematográfica

Antes do início da projeção, Miguel Falabella conversou brevemente com o público, relatando a decisão de assumir a direção após carreira consolidada como ator, dramaturgo e diretor teatral. O artista explicou que durante muito tempo enxergou o cinema como território distante, mas a necessidade de contar a história de “Querido Mundo” acabou ultrapassando as barreiras técnicas e logísticas. Ao introduzir o filme, Falabella descreveu a produção como oportunidade de “criar, entrar e inventar um novo mundo”, enfatizando a dimensão artesanal do trabalho artístico e agradecendo a recepção calorosa das pessoas presentes.

Diálogo com a plateia aprofunda debate sobre corpo do ator e linguagem não naturalista

Na manhã de domingo, 25 de janeiro, o diretor retornou ao circuito oficial da Mostra de Cinema de Tiradentes para uma conversa aberta que ampliou os pontos levantados na noite anterior. Falabella detalhou etapas do processo criativo, ressaltando a centralidade do corpo do intérprete na construção da cena — princípio que norteou sua formação teatral nas décadas de 1980. Segundo ele, a fisicalidade do ator foi gradualmente substituída por abordagens mais econômicas, especialmente na televisão, onde o naturalismo domina. Durante o encontro, o cineasta defendeu o resgate de exercícios corporais como instrumento de expressão, argumentando que a presença física altera o ritmo, o fôlego e, consequentemente, o sentido do texto.

O diálogo ganhou contornos afetivos quando Falabella comentou a satisfação de dividir a atual edição do festival com Júlio Bressane, diretor com quem trabalhou no filme “Cleópatra”. Ele destacou que o cinema de Bressane adota uma estética antinaturalista, exigindo do ator outra forma de pronunciar o discurso e do espectador, postura intelectual ativa. Essa dimensão provocadora, segundo Falabella, instiga ambos os lados a buscar novas camadas de interpretação, em oposição às narrativas que conduzem o olhar do público de maneira exaustivamente explicativa.

Mostra de Cinema de Tiradentes propõe “Soberania Imaginativa” como tema de 2026

Cada edição do festival adota um eixo curatorial capaz de refletir tendências, tensões e conquistas da produção brasileira. Em 2026, o título “Soberania Imaginativa” orienta a programação, apontando para a autonomia criativa dos realizadores diante de desafios financeiros, políticos e tecnológicos. Ao sublinhar o poder da imaginação, a proposta realça obras que exploram linguagens diversas, formatos híbridos e narrativas menos previsíveis, reforçando o compromisso da mostra com a pluralidade estética. A exibição ao ar livre de “Querido Mundo” encaixa-se nesse espírito — não apenas pela temática de renovação, mas também pela decisão de ocupar o espaço público, sinalizando confiança na potência coletiva do cinema.

Programação gratuita segue até 31 de janeiro com debates, oficinas e novas exibições

Além das sessões em praça aberta, a Mostra de Cinema de Tiradentes mantém ao longo da semana uma agenda intensa de atividades formativas e encontros profissionais. Debates sobre políticas públicas, oficinas para jovens cineastas, mostras competitivas e retrospectivas históricas compõem o calendário. O caráter gratuito amplia a circulação de diferentes perfis de público, transformando a cidade em polo temporário de intercâmbio cultural. Para artistas em início de carreira, o evento oferece a possibilidade de dialogar com nomes consagrados; para moradores locais, representa oportunidade de acesso a filmes que raramente chegam ao circuito comercial.

Os organizadores reforçam que todas as atividades se distribuem em múltiplos espaços, incluindo centros culturais, salas improvisadas em patrimônios arquitetônicos e a lendária praça que recebeu “Querido Mundo”. A diversidade de locações estimula roteiros a pé pelos becos históricos, fortalecendo o vínculo entre turismo e cultura. Até 31 de janeiro, data de encerramento da mostra, o público poderá acompanhar novas exibições, mesas de discussão e cerimônias de premiação, mantendo o fluxo de visitantes e a vitalidade econômica do município.

Com a emoção ainda recente da sessão ao ar livre, a programação prossegue, e a expectativa recai agora sobre os estudos de caso que Miguel Falabella deverá apresentar acerca de sua experiência de direção, previstos para os próximos encontros do festival.

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