Inflação do aluguel avança 0,41% em janeiro, mas segue negativa em 12 meses: entenda o impacto nos contratos

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Palavra-chave principal: inflação do aluguel
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), parâmetro popularmente chamado de inflação do aluguel, iniciou 2026 com alta de 0,41% em janeiro, divulgou o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). A movimentação devolve o indicador ao campo positivo depois da variação de −0,01% registrada em dezembro de 2025. Apesar da recuperação mensal, o acumulado em 12 meses aponta retração de 0,91%, terceiro resultado consecutivo nessa base comparativa. Em janeiro do ano passado, a variação anual era positiva em 6,75%, com incremento de 0,27% no primeiro mês de 2025.
- Inflação do aluguel: variação mensal volta a subir em janeiro
- Inflação do aluguel: desempenho acumulado em 12 meses mantém retração
- Componentes que formam a inflação do aluguel
- Principais pressões de alta nos subíndices em janeiro
- Inflação do aluguel e o efeito nos contratos imobiliários
- Metodologia de cálculo da inflação do aluguel
- Inflação do aluguel: perspectivas e monitoramento contínuo
Inflação do aluguel: variação mensal volta a subir em janeiro
O avanço de 0,41% reflete a média ponderada dos três subíndices que compõem o IGP-M. O retorno ao terreno positivo chama atenção porque ocorre imediatamente após a leve queda de dezembro, indicando oscilação típica observada na passagem de ano. Para as famílias e empresas que utilizam o indicador como referência, o resultado mensal serve como termômetro preliminar para reajustes de preços e contratos que optam pela correção ponto a ponto, sem aguardar o fechamento anual.
Além disso, o comportamento positivo interrompe uma sequência de dois meses de recuo na cotação mensal, ainda que o movimento não tenha sido suficiente para reverter a taxa anual negativa. O dado divulgado no Rio de Janeiro pelo Ibre/FGV reforça o caráter volátil da série histórica, influenciada por choques pontuais em bens produzidos, itens de consumo e custos da construção.
Inflação do aluguel: desempenho acumulado em 12 meses mantém retração
A persistência de −0,91% no horizonte de um ano sinaliza redução de preços na média geral calculada pela FGV. É o terceiro levantamento seguido em que o IGP-M apresenta queda nessa base, algo que contrasta com o cenário verificado em janeiro de 2025, quando a inflação do aluguel passava de 6%. A inversão demonstra que a pressão dos preços no atacado, no varejo e na construção perdeu força ao longo do segundo semestre de 2025, e esse alívio ainda se reflete nos números recentes.
Para os contratos imobiliários que preveem reajuste pela variação acumulada, o resultado negativo tenderia a beneficiar locatários. Contudo, cláusulas contratuais podem limitar o benefício, pois parte dos documentos estipula correção apenas quando o índice é positivo. Na prática, a redação “variação positiva do IGP-M” significa que, se o acumulado permanecer abaixo de zero, não há discount automático, mas tampouco o aluguel sobe.
Componentes que formam a inflação do aluguel
A FGV calcula o IGP-M por meio de três índices, cada um associado a uma etapa do processo econômico:
• Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) – peso de 60%
• Índice de Preços ao Consumidor (IPC) – peso de 30%
• Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) – peso de 10%
Essa composição amplia o alcance do indicador, pois abrange preços no atacado, no varejo e no setor de obras. A combinação ponderada garante que movimentos expressivos em apenas um dos grupos não distorçam o resultado global de maneira desproporcional.
Principais pressões de alta nos subíndices em janeiro
O IPA, de maior influência sobre a inflação do aluguel, subiu 0,34% no mês. Três itens lideraram o avanço: minério de ferro (4,47%), carne bovina (1,37%) e tomate (29,5%). O primeiro reflete oscilações do mercado internacional e da demanda interna siderúrgica; o segundo sugere acomodação de oferta no setor pecuário; e o terceiro costuma exibir forte volatilidade sazonal.
Já o IPC, responsável por capturar a percepção do consumidor final, variou 0,51%. Cursos de ensino fundamental (3,83%) e superior (3,13%) constituíram as maiores elevações, movimento típico do início do ano letivo. A gasolina, com incremento de 1,02%, completou o trio de maior impacto para as famílias.
O INCC apresentou 0,63%, com discrepância entre custos de insumos e de mão de obra. Materiais, equipamentos e serviços avançaram 0,34%, enquanto o componente trabalho cresceu 1,03%. A diferença indica que reajustes salariais em canteiros de obras puxaram o índice, ainda que os insumos tenham demonstrado comportamento mais contido.
Inflação do aluguel e o efeito nos contratos imobiliários
Grande parte dos contratos de locação residencial ou comercial adota o acumulado de 12 meses do IGP-M como gatilho de reajuste anual. Quando o índice sobe, o novo valor do aluguel costuma ser aplicado diretamente. Contudo, o cenário de inflação do aluguel negativa abre duas possibilidades:
1. Cláusula de variação positiva – se estiver expressa no contrato, a queda do IGP-M simplesmente congela o valor, sem redução.
2. Cláusula de variação simples – não havendo menção à necessidade de sinal positivo, o aluguel pode ser revisado para baixo seguindo a retração de 0,91%.
Além das locações, o IGP-M serve de referência para alguns serviços públicos, tarifas e contratos de fornecimento de energia ou saneamento. As companhias podem recorrer ao indicador para recompor custos ou estabelecer revisões periódicas. Dessa forma, mesmo pessoas sem contrato de aluguel podem sentir reflexos indiretos do índice.
Metodologia de cálculo da inflação do aluguel
Para compor o IGP-M de janeiro, a FGV coletou preços entre 21 de dezembro de 2025 e 20 de janeiro de 2026 em sete capitais: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. A abrangência geográfica busca representar diferentes realidades econômicas do país, combinando regiões com perfis industriais, de serviços e agropecuários distintos.
Durante o período de apuração, pesquisadores visitam ou acompanham remotamente empresas, estabelecimentos comerciais e canteiros de obras. No IPA, o foco recai sobre produtores e atacadistas; no IPC, sobre pontos de venda ao consumidor; e no INCC, sobre fornecedores de materiais, empreiteiras e sindicatos de trabalhadores da construção.
A cada nova janela de coleta, o Ibre/FGV recalcula as variações individuais e o agregado de 100% do IGP-M, mantendo pesos fixos para IPA, IPC e INCC. O processo, embora padronizado, está sujeito a oscilações pontuais provocadas por choques de oferta, eventos climáticos, sazonalidade ou reajustes contratuais programados.
Inflação do aluguel: perspectivas e monitoramento contínuo
O fato de a inflação do aluguel ter retornado ao território positivo não elimina a tendência anual de queda por ora. Para reverter o acumulado de −0,91%, variações mensais superiores a zero precisam persistir por alguns meses. Ao mesmo tempo, a composição atual revela que pressões vieram de itens específicos, como minério de ferro e cursos educacionais, sugerindo impacto concentrado em setores delimitados.
Na prática, locatários e locadores que aguardam a data de aniversário do contrato devem acompanhar os próximos resultados. Caso o índice permaneça abaixo de zero, a discussão sobre redução ou congelamento permanecerá em pauta. Se o indicador virar para o positivo no total de 12 meses, a atualização deverá seguir a cláusula contratual vigente.
O próximo ciclo de coleta de preços para o IGP-M já está em andamento e cobrirá a janela de 21 de janeiro a 20 de fevereiro. Até lá, o resultado divulgado reflete exclusivamente a movimentação de preços monitorada entre 21 de dezembro de 2025 e 20 de janeiro de 2026.

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