Ibovespa fecha abaixo de 178 mil pontos em dia de queda global e cautela após corte da Selic
Ibovespa iniciou a quinta-feira em terreno negativo e manteve o sinal de baixa ao longo da manhã, pressionado pelo cenário externo adverso e pela leitura dos investidores sobre o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. Por volta das 10h35, o índice recuava 1,33%, aos 177.244,63 pontos, enquanto o dólar comercial alcançava R$ 5,30 e os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) avançavam perto de 30 pontos-base na parte intermediária da curva.
- 1. Ibovespa cai 1% e tenta sustentar a linha dos 177 mil pontos
- 2. Influência externa amplia pressão sobre o Ibovespa
- 3. Selic menor em 14,75% provoca reação mista nos mercados
- 4. Destaques de ações: Vale pesa, Petrobras alivia e varejo aprofunda perdas
- 5. Dólar sobe a R$ 5,30 e volatilidade ganha corpo
- 6. Agenda de bancos centrais mantém tensão sobre o Ibovespa
- 7. Entidades em destaque e conexões setoriais
- 8. Próximos gatilhos para o mercado
1. Ibovespa cai 1% e tenta sustentar a linha dos 177 mil pontos
No primeiro leilão de abertura, o Ibovespa já mostrava fraqueza: queda preliminar de 0,03%, aos 179.583,59 pontos. Minutos depois, o movimento ganhou força, levando o índice ao patamar de 177,2 mil pontos, o que representava perda superior a 1%. A mínima parcial registrada às 10h35 assinalou 177.244,63 pontos, intensificando o recuo frente ao fechamento anterior de 179.639,91.
O comportamento contrasta com o início da semana, quando o principal indicador da B3 acumulava alta de 1,12% até a quarta-feira. A reversão reflete a combinação de ajuste local aos novos juros básicos e a influência de bolsas estrangeiras em forte correção.
2. Influência externa amplia pressão sobre o Ibovespa
Investidores monitoram a escalada de tensão no Oriente Médio após ataques a instalações energéticas no Irã, Catar, Arábia Saudita e Kuweit. O barril do Brent disparou 6,43%, para US$ 114,28, elevando o custo da energia e adicionando componente inflacionário global. Nos Estados Unidos, o índice de volatilidade VIX subia 8,01%, a 27,10 pontos, enquanto o correspondente brasileiro, VXBR, avançava 6,84%, a 28,60 pontos.
Em Wall Street o ambiente também era de aversão a risco: Dow Jones recuava 0,66%, S&P 500 caía 0,88% e Nasdaq perdia 1,25% logo após a abertura. Os dados de inflação ao produtor (PPI) acima do esperado na véspera e o tom cauteloso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reforçaram a percepção de que os cortes de juros nos EUA podem ser adiados.
3. Selic menor em 14,75% provoca reação mista nos mercados
Na noite anterior, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano. O comunicado apontou que “o cenário externo mais incerto” e o impacto do conflito no Oriente Médio exigem prudência, sinalizando possibilidade de ajustar o ritmo de afrouxamento nas próximas reuniões. Alguns analistas, como o Itaú BBA, enxergam chance de corte maior adiante, caso as condições permitam.
Ao contrário do que costuma ocorrer nos dias de redução de juros, a curva futura inclinou-se para cima. O DI janeiro 2031, por exemplo, avançava 20 pontos-base, a 14,095%, enquanto o contrato para 2029 subia 13 pontos-base, a 13,885%. Apenas o vértice mais curto, DI janeiro 2027, cedia levemente, a 14,185%. A leitura do mercado é de que a incerteza sobre petróleo, inflação e política monetária externa limita o espaço para cortes mais agressivos.
4. Destaques de ações: Vale pesa, Petrobras alivia e varejo aprofunda perdas
Na composição do Ibovespa, as blue chips exibiam desempenhos divergentes. Vale (VALE3) abriu em baixa de 3,29%, a R$ 74,59, pressionando o índice pelo peso elevado da mineradora. Já Petrobras (PETR4) subia 0,68%, favorecida pela valorização do petróleo. A petroleira mantém os preços internos de gasolina e diesel bem abaixo da paridade internacional, segundo cálculo da Abicom, que apontou defasagem de 52% para gasolina e 67% para diesel.
Entre as empresas de menor capitalização, o quadro foi heterogêneo. No setor de exploração de óleo e gás, Prio (PRIO3) avançava 2,74% após anunciar a abertura do primeiro poço produtor no campo de Wahoo, com expectativa de levar a produção da companhia a 200 mil barris diários em 2026. Na direção oposta, Petrorecôncavo (RECV3) caía 1,89% depois de o Bradesco BBI rebaixar a recomendação de compra para neutra e reduzir o preço-alvo de R$ 16 para R$ 15, citando números de produção mais fracos que o previsto.
O segmento de varejo acentuou perdas: Magazine Luiza (MGLU3) recuava 3,50%, Lojas Renner (LREN3) 2,78% e Americanas (AMER3) 2,03%. Na área de saúde, Hapvida (HAPV3) desabava 10,84%, a R$ 7,33, após entregar mais um trimestre considerado fraco por analistas do Morgan Stanley.
5. Dólar sobe a R$ 5,30 e volatilidade ganha corpo
No mercado de câmbio, o dólar comercial renovou máximas sucessivas até atingir R$ 5,305, alta de 1,15%. O movimento acompanha o fortalecimento global da moeda norte-americana, medida pelo índice DXY, que se mantinha praticamente estável em 100,05 pontos, mas vinha de alta expressiva de 0,58% na sessão anterior.
Contratos futuros reforçavam a tendência: o minidólar com vencimento em abril (WDOJ26) subia 0,17%, a 5.270,50 pontos, e o dólar futuro tradicional avançava 0,16%, aos 5.268,00 pontos. A busca por proteção também ficou evidente na disparada dos índices de volatilidade citados anteriormente.
6. Agenda de bancos centrais mantém tensão sobre o Ibovespa
A manutenção de juros pelo Federal Reserve e pelo Banco do Japão somou-se às decisões aguardadas para esta quinta-feira do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra. A percepção de que as principais autoridades monetárias adotam tom mais hawkish, em meio à escalada do petróleo, reforça a cautela de gestores posicionados em mercados emergentes.
Além dos desdobramentos de política monetária, há expectativa de pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, às 19h, em São Bernardo do Campo (SP). Segundo informações do noticiário, Haddad deve anunciar sua pré-candidatura ao governo paulista, evento que pode atrair atenção adicional dos operadores locais.
7. Entidades em destaque e conexões setoriais
As mexidas de recomendação de corretoras e bancos também ganharam espaço na sessão. Embraer (EMBJ3) recebeu elevação de neutra para compra pela XP, com novo preço-alvo de R$ 92 para o fim de 2026, aproveitando a recente desvalorização de 27% dos papéis. Já o HSBC Holdings figurou entre as manchetes globais ao avaliar cortes de até 20 mil empregos, 10% da força de trabalho, em função de iniciativas de inteligência artificial.
No setor financeiro doméstico, grandes bancos abriam com quedas relevantes: Banco do Brasil (BBAS3) −1,54%, Bradesco (BBDC4) −1,93%, Itaú Unibanco (ITUB4) −1,32% e Santander Brasil (SANB11) −1,65%, compondo parte da pressão negativa sobre o índice.
8. Próximos gatilhos para o mercado
Com o Ibovespa submetido a múltiplas fontes de volatilidade, investidores seguem atentos a três frentes principais: (1) evolução do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre petróleo e cadeias de suprimento; (2) decisões de política monetária do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra ainda hoje; e (3) o anúncio previsto para as 19h que reunirá presidente e ministro da Fazenda em São Bernardo do Campo.
A soma desses elementos definirá o tom dos negócios na sexta-feira, última sessão da semana e primeira oportunidade de o mercado reagir em bloco às resoluções dos bancos centrais europeus e ao comunicado político-econômico do governo brasileiro.

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