Ronaldo Caiado se consolida como plano B da direita: estratégia do PSD mira eleitores bolsonaristas
Ronaldo Caiado, governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência, passou a concentrar movimentos públicos na tentativa de ocupar o espaço de eleitores conservadores que, hoje, gravitam em torno do senador Flávio Bolsonaro, nome lançado pelo PL para 2026. Parte expressiva da direção social-democrata interpreta essa guinada como uma tática calculada: criar de imediato um plano B para a direita caso o postulante do clã Bolsonaro se torne inviável ao longo da corrida eleitoral.
- Ronaldo Caiado e a guinada estratégica à direita
- Como o PSD avalia a possível fragilização de Flávio Bolsonaro
- Entenda por que Ronaldo Caiado é visto como plano B da direita
- Desafios regionais: palanques escassos para Ronaldo Caiado no Nordeste
- Repercussões internas: críticas, apoios e a busca por unidade no PSD
- Próximos passos e expectativa para a eleição de 2026
Ronaldo Caiado e a guinada estratégica à direita
O primeiro passo de Ronaldo Caiado foi ajustar o discurso. Embora critique a polarização que desde 2018 domina a política nacional, o goiano passou a fazer menções positivas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e, em especial, prometeu defender uma anistia ampla que incluiria o líder do PL. O gesto, avaliam dirigentes pessedistas, serve de aceno direto ao eleitorado que ainda rejeita o petismo e procura uma referência conservadora fora da família Bolsonaro.
Na avaliação interna, o governador alcança dois objetivos simultâneos. Primeiro, distancia-se do rótulo de candidato de centro — espaço já disputado por nomes como Eduardo Leite, que chegou a ser cogitado pelo PSD, mas perdeu fôlego frente ao perfil combativo de Caiado. Segundo, estabelece pontes com a base bolsonarista sem, porém, filiar-se ao PL, mantendo margem para atrair segmentos moderados cansados da radicalização.
Como o PSD avalia a possível fragilização de Flávio Bolsonaro
A cúpula social-democrata sustenta que o senador Flávio Bolsonaro, apesar de liderar pesquisas em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, carrega vulnerabilidades que podem ganhar força na campanha. O histórico de investigações sobre supostas “rachadinhas”, encerradas sem responsabilização judicial, ainda compõe o imaginário de parte do eleitorado e pode ser reavivado por adversários.
Além disso, dirigentes do PSD enxergam riscos na própria disputa interna do bolsonarismo. Eventos como a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), nos Estados Unidos, demonstram que diferentes correntes da direita buscam protagonismo, o que pode gerar ruídos para o palanque do PL. Caso esses fatores minem a trajetória do senador, Ronaldo Caiado já estaria posicionado para herdar esse público, argumento que orienta a estratégia de comunicação do partido.
Entenda por que Ronaldo Caiado é visto como plano B da direita
Conselheiros próximos ao presidente do PSD, Gilberto Kassab, destacam que a legenda precisava de um nome competitivo no campo conservador. A declaração partiu inclusive de quadros menos identificados com a direita, como o ex-ministro Andrea Matarazzo, que admite não concordar com todos os gestos ao bolsonarismo, mas considera o cálculo eleitoral compreensível.
Fatores que sustentam essa leitura:
Experiência executiva consolidada – No comando do governo de Goiás, Caiado ostenta avaliações positivas de gestão, credencial explorada pelo partido para contrastar com candidaturas de discurso forte, mas sem trajetória administrativa no Executivo federal.
Perfil combativo – Dirigentes recordam que, frente ao gaúcho Eduardo Leite, o goiano demonstra maior facilidade para confrontar adversários em debates, característica valorizada em disputas polarizadas.
Sinalização de pacificação – Ao defender anistia “para todos”, inclusive o ex-presidente, Caiado propõe virar a página de tensões institucionais e promete priorizar “o cuidado com as pessoas”. O apelo dialoga com eleitores que desejam estabilidade, mas sem retorno do PT ao Planalto.
Desafios regionais: palanques escassos para Ronaldo Caiado no Nordeste
Se o posicionamento à direita reforça a presença nacional, a construção de palanques estaduais ainda pesa contra o projeto do PSD. No Nordeste, onde a legenda historicamente compõe com forças ligadas a Lula, Caiado encontra resistência. A exceção notável é a sinalização de apoio do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, hoje pré-candidato ao governo baiano pelo União Brasil, adversário direto dos pessedistas na região.
Em Santa Catarina, as contradições ganham corpo. O deputado João Rodrigues, também do PSD, disputará o governo estadual contra Jorginho Mello, filiado ao PL. Mesmo assim, o catarinense se comprometeu a oferecer palanque duplo: continuará recepcionando Flávio Bolsonaro enquanto apoia Caiado para o Planalto. Na prática, o senador ganhará visibilidade reforçada, enquanto o goiano compartilha espaço limitado.
Segundo integrantes da campanha, a montagem de alianças estaduais será determinante para que Ronaldo Caiado transforme o posto de “reserva” da direita em candidatura robusta. A dificuldade, contudo, é lidar com diretórios pessedistas que preferirão acordos locais com o PT ou com o próprio PL, de olho em verbas regionais e composições legislativas.
Repercussões internas: críticas, apoios e a busca por unidade no PSD
A ofensiva de Caiado não passa incólume. A ala centrista do PSD, embora reconheça a lógica do movimento, teme que o partido se afaste de eleitores moderados. Esses dirigentes defendem uma linha programática que dialogue simultaneamente com setor privado, políticas sociais e compromissos ambientais, receosos de que a aproximação intensa com o bolsonarismo estreite o arco de alianças.
Apesar das ressalvas, o consenso mínimo obtido por Gilberto Kassab foi suficiente para selar a pré-candidatura do governador de Goiás. A comparação com Eduardo Leite foi decisiva; avaliou-se que o gaúcho, menos conhecido nacionalmente, encontraria barreiras para crescer em cenários dominados por Lula, Bolsonaro e seus herdeiros políticos. Cair na disputa direta de votos conservadores, portanto, viria com maiores chances de capitalizar qualquer declínio de Flávio.
Internamente, a tarefa agora será equilibrar mensagens. Nos estados em que o PSD se alia ao PT, a campanha pretende enfatizar a defesa do diálogo institucional e o afastamento de escândalos de corrupção. Já em redutos bolsonaristas, a equipe explorará a promessa de anistia como sinal de respeito aos milhares de simpatizantes do ex-presidente.
Próximos passos e expectativa para a eleição de 2026
O cronograma imediato de Ronaldo Caiado inclui viagens programadas a capitais do Nordeste, apesar da escassez de palanques, e a participação em fóruns do agronegócio, setor preponderante na economia goiana e celeiro de eleitores conservadores. Paralelamente, dirigentes do PSD monitoram o avanço das articulações do PL e de partidos do centrão para medir, mês a mês, a solidez do nome de Flávio Bolsonaro.
Até aqui, a estratégia social-democrata permanece ancorada em lógica de contingência: manter Caiado competitivo o suficiente para herdar o eleitor bolsonarista se — e quando — a candidatura do senador encontrar óbices judiciais, políticos ou de imagem. O próximo grande termômetro será a formação das federações e coligações estaduais, ainda em estado de negociação interna nas legendas.
Enquanto essas definições não chegam, o PSD aposta na visibilidade do governador de Goiás e na consistência de sua trajetória administrativa para, gradualmente, reduzir a dispersão da direita e cravar o nome de Ronaldo Caiado como principal alternativa ao senador do PL no pleito de 2026.

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