Artemis 2 leva objetos simbólicos em voo histórico ao redor da Lua

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- Artemis 2 inaugura fase tripulada do programa lunar
- Artemis 2 e a tradição de levar artefatos simbólicos ao espaço
- Tecido do Wright Flyer conecta pioneiros da aviação à Artemis 2
- Bandeiras históricas reforçam o legado de missões espaciais
- Ranger 7, sementes e nomes: objetos que ligam passado, presente e futuro
- Pequenos objetos, grande carga simbólica
- Por que Artemis difere do programa Apollo
- Próximos eventos aguardados
Artemis 2 inaugura fase tripulada do programa lunar
Artemis 2 marcará o primeiro teste com astronautas da cápsula Orion e do foguete Space Launch System (SLS), estruturas centrais do plano dos Estados Unidos de retomar viagens humanas à Lua. Quatro tripulantes executarão uma trajetória de ida e volta, orbitando o satélite natural antes de retornar à Terra. Será a primeira vez que pessoas viajarão além da órbita baixa desde o fim da era Apollo, há mais de meio século.
A missão tem caráter de verificação de sistemas. Durante o percurso, computadores, propulsores, escudos térmicos e equipamentos de suporte à vida passarão por avaliações em ambiente real. O sucesso desse voo abrirá caminho para o próximo passo: pousar novamente em solo lunar em missões posteriores do mesmo programa.
Artemis 2 e a tradição de levar artefatos simbólicos ao espaço
Desde a década de 1960, a agência norte-americana inclui pequenos objetos com valor histórico ou sentimental em suas naves. O costume começou nos primórdios das viagens tripuladas e se estende agora à Artemis 2. Ao todo, 4,5 kg de itens compõem o “kit oficial” que viajará dentro da Orion. Cada peça cumpre o papel de representar conquistas passadas, homenagens a projetos cancelados e ações de engajamento público.
Além de fortalecer o vínculo entre o presente e o legado da exploração, o transporte desses artefatos gera oportunidades educativas. Após o retorno, parte do material costuma ser distribuída a museus, escolas e colaboradores, criando novas narrativas sobre ciência e tecnologia.
Tecido do Wright Flyer conecta pioneiros da aviação à Artemis 2
Entre os itens mais emblemáticos está um fragmento de 2,5 cm por 2,5 cm de musselina retirado do Wright Flyer, usado pelos irmãos Wright em 1903. A aeronave é considerada nos Estados Unidos como o marco inicial da aviação, embora existam controvérsias internacionais a esse respeito. O pequeno quadrado foi cedido pelo Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian e simboliza a transição dos voos atmosféricos para as jornadas extraterrenas.
Não é a primeira vez que parte do Wright Flyer ultrapassa a atmosfera. Um pedaço menor do mesmo tecido viajou em 1985 a bordo do ônibus espacial Discovery. Ao retornar ao espaço quase quatro décadas depois, agora acompanhado de uma tripulação que se dirige à órbita lunar, o tecido reforça a linha contínua de evolução desde a época dos experimentos com madeira e lona até os módulos pressurizados de hoje.
Bandeiras históricas reforçam o legado de missões espaciais
A Artemis 2 também transportará uma bandeira nacional de 33 cm por 20 cm com longa folha de serviços. O estandarte esteve presente na primeira missão do ônibus espacial, reapareceu no voo final da frota antes de sua aposentadoria e mais tarde integrou o teste tripulado inicial da cápsula Crew Dragon. Em breve, completará outra etapa ao descrever uma elipse ao redor da Lua dentro da Orion.
Outra bandeira guarda um significado diferente: destinava-se à missão Apollo 18, planejada mas cancelada antes do lançamento. O tecido jamais deixou o solo e receberá agora a oportunidade inédita de cruzar o vazio lunar. Sua inclusão alude ao intervalo de mais de cinco décadas entre os últimos pousos Apollo e o esforço atual para restabelecer presença humana no satélite.
Ranger 7, sementes e nomes: objetos que ligam passado, presente e futuro
O kit inclui ainda um negativo fotográfico captado pela Ranger 7, primeira sonda norte-americana a registrar imagens da superfície lunar com sucesso. Lançada em 1964, a nave possibilitou a identificação de locais adequados para os pousos Apollo. Ao reencontrar o corpo celeste que ajudou a mapear, o negativo presta tributo à fase robótica que pavimentou as missões tripuladas.
Itens voltados à educação ganham destaque. Sementes que voaram com a Artemis 1 germinaram em solo terrestre e se transformaram em árvores conhecidas como “lunares”. Amostras do solo dessas plantas, além de novos lotes de sementes, embarcarão na Artemis 2. O ciclo enviar-gerar-enviar permite a estudantes acompanhar, em sala de aula, experimentos que conectam biologia e astronáutica.
Outro elemento de engajamento é um cartão digital que reúne milhões de nomes coletados pela campanha “Envie seu nome para o espaço”. A presença virtual de participantes pretende aproximar o público leigo de cada evento do programa lunar. Após o retorno, a agência deverá emitir certificados digitais confirmando a viagem de cada nome.
Pequenos objetos, grande carga simbólica
A soma de tecidos, bandeiras, negativos, sementes, cartões, adesivos e broches totaliza cerca de 4,5 kg. Esse peso discreto acrescenta um conteúdo imaterial: memória coletiva, homenagens e esperança. Para equipes de engenharia, a prioridade segue sendo testar hardware crucial, mas a inclusão de lembranças eleva o aspecto humano da empreitada.
A logística de seleção leva em conta limite de massa, ausência de risco químico e dimensões compatíveis com compartimentos internos da cápsula. Cada item é catalogado em documento oficial, garantindo rastreabilidade e permitindo posterior exibição pública. Após a amarração final, o container selado permanecerá inerte durante todo o voo, sendo aberto somente após a recuperação da Orion no oceano.
Por que Artemis difere do programa Apollo
Comparações com as missões Apollo são comuns. Nos anos 1960 e 1970, o objetivo principal era vencer a corrida espacial e realizar pousos rápidos. A estratégia atual é distinta: estabelecer bases e infraestrutura para estadias mais longas na superfície. Essa mudança exige procedimentos adicionais, desde sistemas de suporte à vida reutilizáveis até tecnologias de comunicação por laser capazes de transmitir vídeo de alta definição.
O cronograma de voos reflete essa complexidade. Enquanto seis pousos Apollo ocorreram dentro de quatro anos, a série Artemis distribui marcos em etapas: primeiro um voo não tripulado (Artemis 1), em seguida um teste com astronautas sem alunissagem (Artemis 2) e, na sequência, a missão de retorno ao solo lunar. Cada fase verifica componentes específicos, minimizando incertezas e ampliando a segurança.
Próximos eventos aguardados
Concluída a checagem final dos sistemas da Orion e do SLS, a agência programará a data de lançamento da Artemis 2. O cronograma atual aponta para o fim de 2024, sujeito a ajustes de engenharia e condições meteorológicas. O desempenho obtido nesse voo definirá o ritmo de preparação da missão subsequente, que pretende pousar astronautas na superfície lunar.

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