Tubarão-cabeça-chata: provável responsável por ataque fatal a adolescente em Olinda reforça alerta no litoral pernambucano

Tubarão-cabeça-chata: provável responsável por ataque fatal a adolescente em Olinda reforça alerta no litoral pernambucano
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O tubarão-cabeça-chata foi apontado pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) como a espécie mais provável envolvida no ataque que resultou na morte do adolescente Deivison Rocha Dantas, de 13 anos, ocorrido na última quinta-feira em Olinda, região metropolitana do Recife. O jovem, mordido na coxa direita, chegou sem vida ao atendimento médico, e seu corpo foi sepultado na tarde de sexta-feira.

Índice

Tubarão-cabeça-chata e a dinâmica do ataque

De acordo com o Cemit, a ferida que matou o adolescente apresentava 33 centímetros de diâmetro e exibia o padrão de dentição descrito como garfo/faca, típico de animais do gênero Carcharhinus. Entre essas espécies, o tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) destaca-se pela frequência de ocorrência no litoral pernambucano, o que sustenta a hipótese de sua participação no incidente. A compatibilidade entre o tamanho da mordida, o formato dos dentes e a presença recorrente da espécie nas águas costeiras reforça a conclusão técnica do comitê.

A mordida única foi suficiente para provocar hemorragia mac maciça na coxa direita de Deivison. Segundo o Cemit, o adolescente ainda recebeu auxílio imediato de banhistas, mas não houve tempo para contenção dos danos. A ausência de outras marcas no corpo indica que o animal não retornou para novos golpes, conduta que costuma ocorrer em ataques apresentados como de oportunidade, quando o predador se afasta após o contato inicial.

Perfil ambiental favorece presença do tubarão-cabeça-chata

O local do ataque situa-se próximo a um estuário e à desembocadura de rios, ambiente descrito como de alta afinidade para o tubarão-cabeça-chata. A espécie utiliza zonas de transição entre água doce e salgada para reprodução e alimentação, característica que torna áreas costeiras, estuarinas e fluviais pontos de risco. A geomorfologia rasa, a mistura de correntes e a oferta de presas facilitam a penetração desses predadores a poucos metros da faixa de areia, elevando a probabilidade de encontros com banhistas.

As condições naturais que atraem o animal são permanentes, o que explica a inclusão de um trecho de 33 quilômetros — do Cabo de Santo Agostinho, na Praia do Paiva, até a Praia do Farol, em Olinda — como área de atenção permanente citada nos alertas oficiais. Embora o banho de mar não seja proibido nesse percurso, atividades como surfe, bodyboard e outros esportes com pranchas seguem vetadas por decreto estadual, justamente por amplificarem a exposição de praticantes em zonas mais profundas.

Histórico de incidentes com tubarão em Pernambuco

Desde 1992, o Cemit contabiliza 82 registros de ataques de tubarão no estado. Desse total, 67 ocorreram no litoral continental, especialmente na Região Metropolitana do Recife, enquanto 14 foram anotados no arquipélago de Fernando de Noronha. A predominância de casos no continente reflete tanto a densidade populacional das praias urbanas quanto os fatores ambientais que concentram espécies predadoras em águas rasas.

Dentro desse histórico, o trecho de 33 quilômetros do Grande Recife se destaca como zona crítica, respondendo sozinho pela maioria das ocorrências confirmadas. A estatística motivou a instalação de 150 placas de sinalização ao longo do litoral pernambucano; 13 delas encontram-se em Olinda e, especificamente, quatro na Praia de Del Chifre — ponto onde o adolescente foi atacado. A sinalização busca orientar moradores e turistas sobre o risco contínuo e reforçar recomendações de segurança.

Sinalização e restrições no trecho crítico do Grande Recife

Em complemento às placas, a legislação estadual vigente impede a prática de esportes náuticos em toda a extensão de 33 quilômetros classificada como área de atenção. Entretanto, somente um segmento de 2,2 quilômetros da Praia de Piedade, entre a Igrejinha de Piedade e o Hotel Barramares, em Jaboatão dos Guararapes, possui proibição formal de banho. A restrição municipal baseia-se em análise de risco conduzida após sucessivos incidentes.

Mesmo com as normas, a ocorrência recente em Olinda mostra que grande parte da população e dos visitantes ainda se expõe sem plena consciência do perigo. Especialistas do Cemit lembram que banhistas devem evitar entrar no mar após chuvas fortes, ao amanhecer ou no fim da tarde, períodos em que a visibilidade é menor e peixes se aproximam da costa, atraindo predadores. Tais orientações constam no material educativo afixado nas placas, mas sua efetividade depende de observância constante.

Novo programa de monitoramento para reduzir o risco

No início deste mês, o Governo de Pernambuco publicou edital para retomar o monitoramento ativo de tubarões, interrompido em 2015. O contrato prevê investimento de até R$ 1.052.000,00 ao longo de 24 meses, com instalação de microchips nos animais capturados para acompanhamento remoto de deslocamento e padrões de comportamento. O eixo prioritário das ações abrange os mesmos 33 quilômetros estipulados pelo Decreto Estadual 21.402/1999 e pelo Decreto Municipal nº 79/2021, sem excluir a possibilidade de expansão a outros pontos do litoral.

Atualmente, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) já conduz pesquisa semelhante no arquipélago de Fernando de Noronha, com apoio logístico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), da administração da ilha e da empresa Econoronha. A retomada do monitoramento continental pretende integrar dados dos dois núcleos, oferecendo um panorama estadual mais preciso sobre rotas, sazonalidade e densidade populacional dos principais tubarões que frequentam o litoral.

Atuação de instituições no enfrentamento aos incidentes

O Cemit, órgão diretamente ligado ao governo estadual, coordena as ações de registro, análise e prevenção de incidentes com tubarões desde a década de 1990. Sua equipe multidisciplinar reúne biólogos marinhos, oceanógrafos, veterinários e socorristas, responsáveis por periciar cada ocorrência, coletar amostras e emitir relatórios usados como base para decisões sanitárias e de segurança pública. A entidade também mantém comunicação permanente com prefeituras, salva-vidas e postos de saúde para acelerar o fluxo de informação quando um ataque acontece.

Paralelamente, universidades assumem papel fundamental no suporte científico. A UFRPE, além de liderar o projeto em Noronha, contribui com análises laboratoriais das amostras obtidas em autópsias e capturas. O Instituto Chico Mendes, por sua vez, participa da gestão de áreas protegidas marinhas e colabora no licenciamento ambiental necessário à instalação de equipamentos de monitoramento. A Econoronha, concessionária de serviços no arquipélago, oferece embarcações e infraestrutura de campo.

Com a confirmação do tubarão-cabeça-chata como provável responsável pelo ataque mais recente, as instituições reforçam a necessidade de vigilância reforçada justamente no período de implantação do novo programa de microchipagem, cuja execução deve ter início após conclusão do processo licitatório previsto no edital.

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