Tesouro funerário revela faraó Shoshenq III e traz novo enigma em Tanis

Tesouro funerário revela faraó Shoshenq III e traz novo enigma em Tanis
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faraó Shoshenq III tornou-se o centro de uma das mais intrigantes descobertas arqueológicas recentes no Egito: 225 estatuetas funerárias intactas, trazidas à luz dentro de uma tumba real em Tanis, permitiram associar um sarcófago anônimo ao governante que reinou entre 830 e 791 a.C. Embora o achado tenha solucionado a identidade do ocupante daquela câmara estreita, ele também inaugurou um novo mistério sobre o local onde o rei, afinal, foi sepultado.

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Faraó Shoshenq III: identificação inesperada

Durante décadas, arqueólogos observavam um grande sarcófago sem nome em Tanis sem saber a quem pertencia. A resposta emergiu quando símbolos reais gravados nas pequenas figuras — conhecidas como ushabti — indicaram, de forma inequívoca, a titularidade do conjunto: tratava-se do faraó Shoshenq III. Esses sinais reais, preservados nas superfícies verdes das peças, funcionaram como assinatura mortuária e encerraram um dilema que pairava sobre a necrópole desde meados do século passado.

Ao confirmar a identidade, a equipe removeu qualquer dúvida sobre a cronologia da tumba. O reinado de Shoshenq III estendeu-se por quatro décadas marcadas por conflitos internos entre o Alto e o Baixo Egito. A descoberta, portanto, encaixa-se num período histórico turbulento que já levantava suspeitas de rompimentos na tradição funerária da linhagem.

Como o tesouro foi encontrado no sítio de Tanis

A escavação que resultou na descoberta foi conduzida por uma equipe francesa liderada pelo egiptólogo Frederic Payraudeau. Em 9 de outubro, os pesquisadores concentravam-se em limpar três cantos de uma câmara estreita quando as primeiras peças surgiram. Bastaram quatro estatuetas agrupadas para sinalizar a magnitude do que estava depositado ali.

O trabalho avançou em ritmo intensificado. Iluminação artificial foi montada para permitir atividades noturnas, e, ao longo de dez dias, 225 estatuetas verdes foram cuidadosamente retiradas. Cada peça exigiu manuseio delicado, pois permanecia na posição original — circunstância extremamente rara em necrópoles egípcias, quase sempre vítimas de sucessivos saques.

Desde 1946 não se registrava, em Tanis, um achado em que figuras funerárias permanecessem intocadas dentro de um túmulo real. No Egito como um todo, exemplos de preservação comparável remontam a exceções célebres, como a tumba de Tutancâmon em 1922, reforçando a singularidade do evento.

Organização singular das estatuetas do faraó Shoshenq III

O conjunto impressionou não apenas pela quantidade, mas também pelo arranjo. As estatuetas formavam um desenho em estrela ao redor das laterais de um fosso trapezoidal e, no fundo, alinhavam-se em fileiras horizontais. Essa disposição meticulosa indicou a intenção de criar um ambiente simbólico que reforçasse a função dos ushabti como servos do rei na vida pós-morte.

Outro detalhe notável foi a representação feminina de mais da metade das figuras, característica que o líder da missão classificou como “bastante excepcional”. Esse equilíbrio incomum de gênero nas peças reforça a ideia de que a comitiva funerária buscava refletir uma organização social complexa ou uma crença específica sobre a participação de homens e mulheres no serviço ao falecido.

O que o achado revela sobre sucessão e sepultamento real

Se por um lado os símbolos reais confirmaram a associação das peças ao faraó Shoshenq III, por outro, ampliaram o enigma em torno de seu local de descanso definitivo. A tumba que carrega oficialmente o nome do soberano em Tanis não corresponde àquela onde as estatuetas foram desenterradas. A pergunta que emerge, portanto, é: por que o rei não foi depositado no túmulo que mandou erguer?

Uma das hipóteses levantadas pela equipe relaciona-se às dificuldades de sucessão durante um reinado marcado por guerra civil. Caso o processo de transmissão de poder tenha sido conturbado, o protocolo funerário poderia ter sido interrompido, resultando no desvio do sepultamento original.

Existe ainda a suposição de que sacerdotes, em épocas posteriores, moveram múmias para esconder-las de saqueadores. No entanto, a logística de transferência de um sarcófago de granito com cerca de 3,5 metros de comprimento por 1,5 metro de largura torna a ideia improvável, especialmente em um espaço descrito como reduzido.

Tanis e o contexto histórico do faraó Shoshenq III

Fundada por volta de 1050 a.C., Tanis converteu-se em capital da 21ª dinastia antes de assumir o papel de necrópole real. A mudança de status ocorreu quando sepulturas clássicas, como as do Vale dos Reis, sofreram sucessivas pilhagens, inclusive durante reinados anteriores, como o de Ramsés.

Nesse cenário, Tanis passou a abrigar complexos funerários projetados para garantir maior segurança às múmias reais. Mesmo assim, a história registrou eventos de violação de tumbas, o que explica o caráter raro de um conjunto funerário ainda no local original. A revelação de novos “padrões anteriormente desconhecidos”, nas palavras do chefe do Setor Arqueológico Egípcio, Mohamed Abdel-Badii, amplia a compreensão sobre os métodos de sepultamento empregados no período.

Esses padrões incluem a escolha de uma câmara estreita, o posicionamento geométrico dos ushabti e a seleção de materiais. Ao estudar tais elementos, os arqueólogos esperam reconstituir práticas funerárias específicas, identificar possíveis mudanças motivadas por instabilidade política e estabelecer paralelos com outros governantes contemporâneos de Shoshenq III.

Próximos passos para o tesouro funerário

Com a fase de escavação completada, o conjunto de 225 estatuetas será preparado para exibição em um museu egípcio. A transferência das peças, ainda sem data divulgada, exigirá processos de conservação a fim de preservar a coloração verde característica dos objetos e os hieróglifos que carregam os títulos reais do faraó Shoshenq III.

Enquanto isso, especialistas continuam a analisar amostras de sedimentos, marcas de ferramentas e possíveis vestígios orgânicos no interior da câmara. Esses estudos visam confirmar se o local recebeu a múmia do rei em algum momento ou se foi concebido apenas para abrigar o sarcófago e os objetos de acompanhamento.

Os resultados dessa investigação deverão redefinir a interpretação da sucessão dinástica na segunda metade do século IX a.C. e fornecer novos dados sobre a movimentação de relíquias em Tanis após os episódios de saques que afetaram outras regiões do Egito.

Quando concluídas as análises laboratoriais e a montagem da exposição, o público terá oportunidade de observar, pela primeira vez, o grupo de ushabti femininos e masculinos que permitiu reconhecer a identidade de Shoshenq III e, ao mesmo tempo, expôs o mistério sobre o paradeiro definitivo de seus restos mortais.

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