Tecnologias usadas pelo ICE: como o maior orçamento policial dos EUA alimenta vigilância de imigrantes e manifestantes

Tecnologias usadas pelo ICE: como o maior orçamento policial dos EUA alimenta vigilância de imigrantes e manifestantes
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O ICE, órgão de imigração dos Estados Unidos, converteu-se na força policial com o maior volume de recursos do país depois da aprovação de uma lei em 2025. Esse fluxo financeiro sustenta um conjunto de tecnologias usadas pelo ICE para localizar, identificar e monitorar tanto estrangeiros em situação irregular quanto manifestantes que criticam a própria agência. Grupos de direitos civis e parlamentares denunciam que as práticas adotadas ferem privacidade e liberdade de expressão.

Índice

Orçamento recorde e novo alcance operacional

O ponto de partida para a transformação do Immigration and Customs Enforcement foi o aumento orçamentário concedido em 2025. Ao tornar-se a agência policial mais financiada do país, o ICE passou a dispor de capital necessário para adquirir sistemas de vigilância antes restritos a segmentos militares. Com o caixa reforçado, o órgão expandiu seu foco: além da busca por imigrantes, começou a acompanhar redes de protesto formadas por críticos, inclusive cidadãos norte-americanos sem qualquer questão migratória.

Tecnologias usadas pelo ICE: identificação biométrica de campo

A identificação em tempo real tornou-se peça central das operações. Agentes carregam o aplicativo Mobile Fortify, desenvolvido pela NEC, que escaneia rostos ou digitais na via pública e confronta os dados imediatamente com bases governamentais. A NEC, veterana em soluções biométricas, não comentou o contrato. Paralelamente, a B12 Technologies forneceu um sistema capaz de reconhecer pessoas pelo padrão da íris a até 40 centímetros de distância, acrescentando uma camada ocular à coleta de impressões digitais e faciais.

O arsenal biométrico inclui ainda o Clearview AI, serviço que extrai fotografias divulgadas abertamente na internet. A princípio, o acesso deveria limitar-se a casos de exploração infantil, mas novos contratos de 3,75 milhões de dólares ampliaram o escopo para qualquer delito envolvendo agressão a policiais. Segundo a própria Clearview AI, o software funciona como ferramenta de pesquisa retrospectiva, analisando apenas imagens publicamente disponíveis.

Tecnologias usadas pelo ICE: rastreamento de veículos e geolocalização

Para monitorar deslocamentos, o ICE opera câmeras de alta velocidade que leem placas de veículos e alimentam bancos de dados com mais de 20 bilhões de registros. As informações permitem reconstruir rotas, revelar padrões de estacionamento e confirmar divergências entre endereço formal e local onde o carro efetivamente permanece. Mesmo quando empresas privadas tentam restringir o repasse de dados, a agência consegue acesso por meio de departamentos de polícia locais que cooperam voluntariamente.

Entre os fornecedores apontados, Motorola Solutions e Thomson Reuters não se manifestaram, enquanto a Flock Safety informou não ter o ICE em sua carteira e ressaltou que somente as polícias que geram os dados decidem com quem compartilhar.

Tecnologias usadas pelo ICE: interceptação de celulares e compra de dados comerciais

A localização de telefones móveis é capturada de duas formas. Na primeira, dispositivos Stingray — equipamentos da L3Harris que simulam torres de telefonia — enganam celulares próximos, obrigando-os a se conectar e revelando posições em tempo real. A lei exige mandado judicial, mas relatórios oficiais indicam que agentes ignoram o requisito com frequência, alegando situações de emergência ou perseguição ativa.

Na segunda via, o órgão adquire pacotes de corretores de dados que coletam coordenadas geradas por aplicativos comuns, como jogos ou serviços de previsão do tempo. Como as informações são negociadas comercialmente, o ICE obtém rastreamento sem depender de ordem judicial contra operadoras. Um dos sistemas comprados, o Webloc, da Penlink, cria cercas digitais em mapas, monitorando cada telefone que entra ou sai de áreas definidas. A agência estuda ampliar a abrangência desse tipo de coleta.

Tecnologias usadas pelo ICE: invasão de smartphones e extração de conteúdo

O leque de ferramentas passou também a incluir softwares de invasão. Programas das empresas Cellebrite e Paragon Solutions possibilitam destravar aparelhos bloqueados, ler mensagens criptografadas e restaurar arquivos excluídos; em alguns casos, há acesso remoto ao dispositivo. Táticas que antes se concentravam em ameaças terroristas agora são aplicadas à deportação. Um pedido de aquisição desses programas chegou a ser suspenso na administração Biden, mas foi liberado pela gestão Trump em 2025.

A Cellebrite declarou que seus contratos se destinam a investigações de segurança nacional e que seu método exige posse física do aparelho, além de autorização legal. A Finaldata não respondeu às consultas do jornal, e a Paragon Solutions mantém política de não divulgar contatos públicos.

Tecnologias usadas pelo ICE: vigilância aérea e domínio do espaço aéreo

No campo aéreo, o ICE adota drones de portes distintos. O modelo leve Skydio X10D identifica pessoas a mais de um quilômetro, opera com visão noturna e térmica e transmite vídeo ao vivo durante ações ou protestos. Em cenários amplos, a escolha recai sobre drones militares Predator, fabricados pela General Atomics, capazes de vigiar grandes extensões com centenas de câmeras coordenadas. O modelo básico possui câmeras de alta definição e radares que atravessam nuvens e chuva; eventuais atualizações não foram confirmadas.

Regras recentes vedam que terceiros controlem drones nas proximidades de operações da imigração, garantindo que o ICE detenha exclusividade sobre o espaço aéreo em missões sensíveis.

Repercussão política e preocupações com direitos civis

O uso das tecnologias usadas pelo ICE desperta críticas consistentes de parlamentares e organizações de direitos civis, que veem violação direta à privacidade e à liberdade de expressão. As entidades argumentam que o monitoramento de cidadãos norte-americanos em manifestações ultrapassa o propósito original de controle migratório. Além disso, alertam para a prática recorrente de contornar mandados judiciais, seja por meio de Stingrays empregados sem autorização formal, seja pela compra de dados que dispensam ordens judiciais.

Do ponto de vista institucional, a agência afirma que alguns procedimentos se enquadram em exceções legais destinadas a emergências ou ameaças imediatas. Mesmo assim, o debate permanece aberto no Congresso, com pedidos de revisão das normas que regulam coleta de dados, definição de alvos e supervisão de contratos milionários firmados pela organização.

Próximos passos sob observação legislativa

Com o orçamento robusto ainda em vigor desde 2025 e contratos que somam milhões de dólares, o ICE planeja estender o uso de ferramentas como Webloc e ampliar o emprego de drones durante protestos. Parlamentares contrários prometem intensificar a fiscalização sobre cada aquisição tecnológica da agência, colocando em pauta a exigência de mandados judiciais e de relatórios públicos mais detalhados.

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