Serviço militar voluntário na Alemanha recebe aval

Serviço militar voluntário na Alemanha recebe aval

Serviço militar voluntário na Alemanha recebe aval após o gabinete federal aprovar, nesta quarta-feira, um projeto de lei que reintroduz o alistamento voluntário e autoriza a convocação obrigatória se o número de recrutas não atingir a meta.

Serviço militar voluntário na Alemanha recebe aval

A proposta surge em resposta à invasão russa da Ucrânia e ao compromisso de Berlim de reforçar as Forças Armadas. O governo pretende elevar o efetivo dos atuais 182 mil para 260 mil soldados até o início da década de 2030, além de ampliar o contingente de reservistas para 200 mil.

Segundo o ministro da Defesa, Boris Pistorius, a nova política de serviço militar voluntário começará com um questionário on-line enviado a todos os alemães de 18 anos. Homens serão obrigados a responder; mulheres participarão apenas se desejarem. O formulário avaliará a disposição e a aptidão física dos jovens.

O BBC lembra que a conscrição obrigatória foi suspensa em 2011. No entanto, o projeto atual prevê que, caso o cenário de segurança piore ou faltem voluntários, o governo possa, com aprovação do Bundestag, reativar a convocação compulsória.

O chanceler Friedrich Merz afirma que o país “está de volta ao caminho de um exército de serviço militar”, destacando que a autodefesa é prioridade. Para financiar a expansão, o Executivo já flexibilizou o teto de endividamento e planeja destinar 3,5% do PIB à defesa nos próximos quatro anos.

Pistorius disse à rádio Deutschlandfunk estar confiante de que o serviço continuará voluntário: “Com remuneração e condições atraentes, conseguiremos atrair jovens para a Bundeswehr”. De fato, no primeiro semestre de 2024, o número de novos recrutas aumentou 28% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A iniciativa, no entanto, divide opiniões. Parte dos sociais-democratas alega que o país deveria tornar a carreira militar mais atrativa em vez de discutir conscrição. Já oposicionistas conservadores temem que a exigência de aval parlamentar retarde uma mobilização em caso de crise.

Organizações pacifistas, como a Rheinmetall Entwaffnen, rejeitam qualquer forma de alistamento, afirmando não querer “morrer em guerras de classes dominantes”. Analistas também questionam se o modelo híbrido é o caminho ideal ou se a Alemanha deveria investir apenas em um exército profissional.

Com o avanço do projeto, a Alemanha sinaliza uma guinada histórica na sua política de defesa e envia recado claro a aliados da OTAN: o país pretende assumir parcela maior de responsabilidade militar no continente.

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Crédito da imagem: Christian Mang/Getty Images

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Imagem: Internet

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