Rede de Cursinhos Populares abre inscrições até 27 de fevereiro e destina R$ 108 milhões a 514 projetos em 2026

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A Rede de Cursinhos Populares (CPOP) deu início, nesta quarta-feira, ao período de inscrições para que cursinhos pré-vestibulares populares e comunitários de todo o país solicitem adesão ou renovem participação no programa federal que oferece suporte técnico e financeiro voltado à preparação de estudantes socialmente vulneráveis para o ingresso no ensino superior. O prazo, detalhado no edital nº 1/2026, termina em 27 de fevereiro.
- Rede de Cursinhos Populares amplia alcance com novo edital
- Inscrições na Rede de Cursinhos Populares ficam abertas até 27 de fevereiro
- Investimento de R$ 108 milhões impulsiona Rede de Cursinhos Populares
- Critérios de participação reforçam foco em estudantes vulneráveis
- Valores de apoio contemplam alunos e equipe pedagógica
- Primeira edição da Rede de Cursinhos Populares serve de referência
- Próximas etapas até a divulgação dos selecionados
Rede de Cursinhos Populares amplia alcance com novo edital
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), responsável pela iniciativa, a edição de 2026 da Rede de Cursinhos Populares prevê a manutenção de 384 projetos já contemplados no primeiro edital e a seleção de outros 130, totalizando 514 cursinhos apoiados em todas as regiões do Brasil. O objetivo central permanece inalterado: oferecer condições para que jovens de baixa renda, historicamente sub-representados no ensino superior, tenham preparação adequada para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, consequentemente, ampliem suas chances de alcançar uma vaga em universidades públicas ou privadas.
Inscrições na Rede de Cursinhos Populares ficam abertas até 27 de fevereiro
O processo de inscrição ocorre integralmente on-line, por meio do sistema da CPOP, com autenticação via login e senha da plataforma Gov.br. Além do cadastro eletrônico, cada entidade interessada deve anexar todos os documentos exigidos em edital, contemplando comprovação jurídica, relatório de atividades, demonstrativo de prestação de contas — no caso dos projetos que já integram a rede — e plano de trabalho para o período de apoio solicitado. A ausência de qualquer item implica desclassificação automática.
Cursinhos populares que já participaram da fase anterior podem requerer prorrogação do auxílio, desde que apresentem o relatório final de atividades concluídas e tenham suas prestações de contas aprovadas pelo MEC. Para os 130 novos selecionados, a participação será definida pela análise de mérito, adequação orçamentária e aderência aos critérios de público-alvo.
Investimento de R$ 108 milhões impulsiona Rede de Cursinhos Populares
O orçamento destinado ao segundo ano do programa soma R$ 108 milhões. Desse montante, cada cursinho aprovado poderá receber até R$ 208 mil, valor que cobre diferentes frentes de custeio: pagamento de bolsas mensais a estudantes, remuneração de professores, coordenadores e equipe de apoio técnico-pedagógico e psicossocial, além da aquisição de material didático e de recursos administrativos essenciais ao funcionamento das turmas.
Dentro do teto estabelecido, até R$ 200 mensais serão pagos, por oito meses, a cada estudante bolsista. O número de contemplados varia de 20 a 40 alunos por cursinho. Ao destinar recursos tanto para a permanência do estudante quanto para a remuneração da equipe, o MEC busca mitigar dois gargalos frequentes em iniciativas populares: a interrupção da trajetória educacional por falta de recursos e a alta rotatividade de voluntários não remunerados.
Critérios de participação reforçam foco em estudantes vulneráveis
Podem concorrer ao edital cursinhos populares legalmente constituídos como pessoa jurídica, iniciativas informais representadas por uma instituição operadora, projetos vinculados a ações de extensão universitária ou redes que agrupem vários cursinhos sob uma mesma coordenação. Independentemente do formato jurídico, todas as propostas devem reservar prioridade de atendimento a:
• Estudantes oriundos de escolas públicas;
• Pessoas negras, indígenas ou quilombolas;
• Pessoas com deficiência (PCD);
• Candidatos cuja renda familiar per capita não ultrapasse um salário-mínimo, fixado em R$ 1.621 para 2026.
Esses critérios, detalhados no edital, buscam assegurar que o investimento federal mantenha foco em grupos historicamente excluídos do ensino superior. Ao restringir o público-alvo, o MEC pretende dar maior efetividade ao uso dos recursos e fortalecer o papel inclusivo dos cursinhos populares.
Valores de apoio contemplam alunos e equipe pedagógica
O modelo de financiamento estabelece três frentes principais de repasse dentro do limite de R$ 208 mil por cursinho:
1. Auxílio permanência para estudantes: até R$ 200 mensais, ao longo de oito meses, assegurando que bolsistas possam custear transporte, alimentação ou material de estudo, reduzindo a evasão.
2. Apoio financeiro a educadores e gestores: remuneração compatível com a carga horária assumida por professores, coordenadores e demais profissionais de apoio técnico-pedagógico ou psicossocial, elemento considerado fundamental para manter a qualidade das aulas e o acompanhamento próximo dos alunos.
3. Aquisição de recursos materiais: compra de itens de uso administrativo, equipamentos ou materiais de apoio didático que viabilizem o dia a dia das atividades presenciais ou on-line.
Ao detalhar esses eixos de gasto, o edital busca transparência e racionalidade na aplicação dos valores, orientando as instituições sobre a prestação de contas que será exigida ao término do ciclo de apoio.
Primeira edição da Rede de Cursinhos Populares serve de referência
No ciclo inaugural, a Rede de Cursinhos Populares contemplou 384 projetos, distribuídos em todas as regiões brasileiras, com investimento total de R$ 74 milhões. Na ocasião, cada cursinho recebeu até R$ 163,2 mil, permitindo o pagamento de auxílio permanência de R$ 200 mensais a até 40 estudantes e a remuneração de professores e coordenadores. Segundo dados do MEC, mais de 12,1 mil alunos foram diretamente beneficiados.
Os resultados dessa primeira etapa, considerados satisfatórios pela pasta, fundamentaram a ampliação orçamentária para 2026 e nortearam ajustes no regulamento. Entre as mudanças, destacam-se a elevação do teto unitário de repasse para R$ 208 mil e o incremento de vagas, de 384 para 514 cursinhos, sem alterar o valor do auxílio estudantil, que permanece em R$ 200 mensais.
Para o ministro da Educação, Camilo Santana, a expansão reflete o compromisso de ampliar oportunidades acadêmicas a jovens que, muitas vezes, encontram barreiras financeiras e estruturais para competir em condições de igualdade no Enem.
Próximas etapas até a divulgação dos selecionados
Com o encerramento das inscrições em 27 de fevereiro, a equipe técnica do MEC iniciará a fase de análise documental e de mérito, etapa que incluirá verificação de regularidade fiscal, adequação orçamentária e avaliação qualitativa das propostas pedagógicas. A divulgação preliminar das instituições habilitadas ocorrerá após a conclusão dessa triagem, seguida do período para apresentação de recursos.
Concluída a etapa recursal, o ministério publicará a lista definitiva dos 514 cursinhos apoiados, respeitando a distribuição entre os já contemplados e os novos ingressantes. Na sequência, o MEC iniciará os procedimentos de formalização dos termos de execução descentralizada e o repasse dos recursos, de forma a garantir que as turmas estejam em funcionamento ainda no primeiro semestre.
O cronograma completo, inclusive prazos específicos para cada fase, está disponível no edital, documento que deve ser consultado por todas as instituições interessadas antes da submissão da proposta.
Com inscrições abertas até 27 de fevereiro, o segundo edital da Rede de Cursinhos Populares consolida a ampliação de vagas e de recursos anunciada pelo MEC para 2026, mantendo como meta central a oferta de preparação gratuita e de qualidade para estudantes em situação de vulnerabilidade que almejam alcançar o ensino superior.

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