Paetongtarn Shinawatra é cassada pela Corte Constitucional
Paetongtarn Shinawatra é cassada pela Corte Constitucional
Paetongtarn Shinawatra é cassada pela Corte Constitucional da Tailândia após o tribunal considerar antiética uma ligação telefônica vazada com o ex-líder cambojano Hun Sen, agravando a instabilidade política em Bangcoc.
Corte aponta quebra de ética em ligação com Hun Sen
Em decisão divulgada nesta sexta-feira, sete dos nove juízes da Corte Constitucional votaram pela remoção imediata de Paetongtarn Shinawatra do cargo de primeira-ministra. O tribunal entendeu que, durante a conversa realizada em junho, Paetongtarn adotou tom conciliador sobre a disputa de fronteira com o Camboja e criticou um comandante do próprio Exército tailandês, violando padrões de conduta previstos na Constituição.
Hun Sen, antigo aliado da família Shinawatra, divulgou o áudio após classificar como “insulto sem precedentes” a observação da premiê de que o governo cambojano usava redes sociais de forma “não profissional”. A exposição reacendeu tensões fronteiriças que, no mês passado, resultaram em cinco dias de confrontos e mais de 40 mortos.
A cassação transforma Paetongtarn na quinta chefe de governo do campo político ligado a Thaksin Shinawatra a ser derrubada pelo mesmo colegiado, alimentando a percepção de que o Judiciário intervém contra grupos considerados ameaça pelo bloco conservador e monarquista. Segundo levantamento da própria Corte, 112 partidos já foram dissolvidos desde 2006, entre eles duas versões anteriores do Pheu Thai e o Move Forward.
Sucessão indefinida e coalizão fragilizada
Com a destituição, o Parlamento deve escolher um novo premiê entre os nomes pré-registrados antes da eleição de 2023. O Pheu Thai, agora com apenas um candidato disponível, o ex-ministro Chaikasem Nitisiri, enfrenta dificuldades: ele tem baixa projeção pública e saúde frágil. Já o ex-ministro do Interior Anutin Charnvirakul, cujo partido Bhumjaithai abandonou a coalizão após o vazamento, precisaria do apoio do Pheu Thai para governar — cenário visto como receita para mais instabilidade.
O maior bloco legislativo, composto por 143 deputados que pertenceram ao extinto Move Forward, reafirmou que permanecerá na oposição até a convocação de novas eleições. Apesar disso, o Pheu Thai resiste à ideia de antecipar o voto popular, temendo perder parte dos atuais 140 assentos em razão do desgaste provocado pela crise econômica e pelo fracasso de promessas de campanha, como a carteira digital que daria 10 mil bahts a cada adulto.
Analistas observam que a influência de Thaksin Shinawatra, ainda decisiva nos bastidores, não tem sido suficiente para reverter a queda de popularidade do partido. Projetos emblemáticos, como a legalização de cassinos e o corredor logístico ligando os oceanos Índico e Pacífico, permanecem parados, enquanto o nacionalismo cresce em meio ao conflito fronteiriço.
Para entender o alcance internacional da decisão, confira a cobertura completa da BBC, referência em análises sobre o Sudeste Asiático.
A crise tailandesa continua a evoluir rapidamente. Acompanhe desdobramentos e impactos geopolíticos em nossa editoria de Notícias e fique por dentro das próximas atualizações.
Crédito da imagem: Getty Images

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