Novo guia redefine rastreamento do câncer de colo do útero com teste de DNA-HPV

Novo guia redefine rastreamento do câncer de colo do útero com teste de DNA-HPV

Palavra-chave principal: câncer de colo do útero

Profissionais de saúde que atuam na prevenção do câncer de colo do útero passam a contar com orientações atualizadas. A Fundação do Câncer apresentou, em 8 de janeiro, a nova edição do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero. O documento integra as ações do Janeiro Verde e explica, passo a passo, a transição que substituirá gradualmente o exame citológico Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV em serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).

Índice

Por que o câncer de colo do útero requer mudanças no rastreamento

A enfermidade resulta, na imensa maioria dos casos, de infecção prévia pelo papilomavírus humano (HPV). Essa infecção é sexualmente transmissível, afeta pele e mucosas e, quando persistente, pode gerar alterações capazes de evoluir para tumores. O Papanicolau, método vigente por décadas, detecta alterações celulares já instaladas. O novo teste molecular, por sua vez, identifica a presença do DNA dos tipos oncogênicos do vírus antes que surjam lesões, aumentando a eficácia do rastreamento.

O avanço científico motivou a atualização das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A Fundação do Câncer incorporou essas diretrizes ao guia, oferecendo instruções detalhadas para consultas, coletas e encaminhamentos.

Do Papanicolau ao DNA-HPV: como muda o rastreamento do câncer de colo do útero

O Papanicolau permanece disponível onde o DNA-HPV ainda não foi implementado, mas o planejamento nacional determina substituição em ritmo gradativo. O exame citológico era repetido anualmente em duas ocasiões consecutivas; após dois resultados negativos, passava a ser trienal. Já o teste molecular, por ser mais sensível, permite intervalo de cinco anos quando o resultado é negativo. Flávia Miranda Corrêa, consultora médica da Fundação do Câncer, sublinha que cerca de 99 % das mulheres testadas negativamente não apresentam HPV oncogênico nem lesões precursoras e, portanto, ficam protegidas por período maior.

Em casos de resultado positivo, o protocolo varia conforme o tipo de HPV detectado. Se forem identificados os tipos 16 ou 18, responsáveis por 70 % dos tumores invasivos, a mulher é encaminhada diretamente à colposcopia, exame que permite observar colo e vagina com lentes de aumento. Já a positividade para outro grupo de dez tipos oncogênicos implica citologia reflexa processada no mesmo material coletado. Alteração citológica leva também à colposcopia; citologia normal implica nova testagem em 12 meses.

Público-alvo e periodicidade dos testes no câncer de colo do útero

No Brasil, o público-alvo do rastreamento permanece composto por mulheres de 25 a 64 anos. Países que já migraram para o DNA-HPV costumam iniciar o exame aos 30 anos, mas especialistas brasileiros optaram por manter a faixa já consolidada, evitando a coexistência simultânea de métodos em uma mesma unidade. A decisão reduz o risco de duplicidade de exames e simplifica o fluxo de atendimento.

A frequência do rastreamento reflete, portanto, o método utilizado. Enquanto a citologia exige maior periodicidade devido à menor sensibilidade, o DNA-HPV confere segurança para ampliação do intervalo. Essa diferença operacional tem impacto na logística dos serviços, no consumo de materiais e na necessidade de capacitação das equipes.

Etapas de implementação do DNA-HPV no SUS

A Secretaria de Atenção Especializada em Saúde instituiu, em setembro do ano anterior ao lançamento do guia, um núcleo específico para conduzir a implantação dos testes moleculares. Municípios de 12 estados foram selecionados para a fase inicial, cada qual com cronograma próprio. Em 2024, o método foi oficialmente incorporado ao SUS, e novas tratativas passaram a incluir outras 12 unidades federativas.

Os diferentes estágios de adoção contemplam treinamento de profissionais, aquisição de insumos, adequação de laboratórios e ajustes nos sistemas de informação. Até que todas as localidades disponham da tecnologia, permanece válida a rotina baseada no Papanicolau nos pontos onde o DNA-HPV não esteja operacional.

Vacinação contra HPV: pilar fundamental para evitar o câncer de colo do útero

A prevenção primária figura ao lado do rastreamento como elemento central na estratégia global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminar o câncer de colo do útero. A meta é imunizar 90 % das meninas até 15 anos até 2030. No Brasil, a vacina quadrivalente, integrada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde 2014, está disponível em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos.

O guia enfatiza que grupos prioritários, como pessoas com HIV/Aids, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de violência sexual e usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP), também têm direito à vacina no SUS, na faixa de 9 a 45 anos. Para mulheres de 20 a 45 anos fora desses grupos, a vacinação não está contemplada no sistema público e deve ser buscada na rede privada após avaliação profissional.

Após redução da cobertura vacinal durante a pandemia de covid-19 e diante de discursos antivacina, o PNI iniciou, no final do ano passado, ação de resgate voltada a adolescentes entre 15 e 19 anos não imunizados. A iniciativa durará até o primeiro semestre de 2026, período considerado decisivo para recuperar os índices necessários ao controle da doença.

Metas nacionais até 2030 e próximos passos no combate ao câncer de colo do útero

Ao aderir à estratégia da OMS, o Brasil compromete-se com três objetivos principais para 2030: atingir 90 % de cobertura vacinal em meninas, rastrear 70 % das mulheres com teste molecular e garantir tratamento para 90 % das pacientes com lesões ou câncer confirmados. O segundo pilar ganha ímpeto com a incorporação do DNA-HPV, que reduz falsos negativos e automatiza etapas laboratoriais, conferindo 99 % de segurança quando o resultado é negativo.

O terceiro pilar – tratamento oportuno – envolve desde cuidados de lesões precursoras até acesso rápido à oncologia em casos avançados. De acordo com especialistas da Fundação do Câncer, a mudança de teste é apenas parte de uma rede que inclui vigilância, referência, contrarreferência e garantia de terapêutica adequada. Falhas em qualquer elo quebram a cadeia preventiva.

Além da ampliação de estados habilitados ao DNA-HPV, a agenda imediata prevê continuidade da campanha de vacinação estendida, com vigência até o fim do primeiro semestre de 2026.

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