Model S: Tesla confirma fim da produção e converte fábrica para o robô Optimus

Model S: Tesla confirma fim da produção e converte fábrica para o robô Optimus
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O Model S, veículo que marcou a entrada da Tesla no segmento de sedãs elétricos de luxo há mais de uma década, deixará de ser produzido. A montadora comunicou que as linhas dedicadas ao sedã e também ao SUV Model X, ambos fabricados em Fremont, Califórnia, serão convertidas para a montagem do Optimus, robô humanoide em desenvolvimento. O anúncio ocorreu durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre, na quarta-feira (28), quando o CEO Elon Musk detalhou a mudança estratégica após a companhia registrar sua primeira queda anual de receita.

Índice

Contexto da decisão que aposenta o Model S

Segundo a apresentação de resultados, a Tesla encerrou 2023 com retração nas vendas em três dos quatro trimestres, fenômeno que culminou na primeira diminuição de faturamento anual de sua história. Diante desse cenário, Musk sinalizou que é “hora de conceder dispensa honrosa” ao Model S e ao Model X. O executivo orientou consumidores interessados nos dois veículos a efetuar pedidos enquanto ainda houver capacidade de montagem, sugerindo que a transição ocorrerá em breve.

Por que o Model S deixa a linha de montagem

Lançado em 2012, o Model S tornou-se o segundo automóvel produzido pela Tesla, sucedendo o Roadster original. A descontinuação acontece em um momento de forte pressão competitiva no mercado global de veículos elétricos, o que levou a empresa a reduzir preços de diversos modelos nos últimos anos. Enquanto os preços iniciais do Model S orbitam US$ 95 mil, a marca passou a concentrar volume e receita nos mais acessíveis Model 3 e Model Y, com valores de entrada próximos a US$ 37 mil e US$ 40 mil, respectivamente.

O desempenho comercial confirma a mudança de foco: os Model 3 e Y representaram 97% das 1,59 milhão de unidades entregues pela empresa em 2023. Diante dessa discrepância, manter estruturas industriais dedicadas a carros de menor participação passou a ser menos interessante do ponto de vista financeiro e operacional, reforçando a decisão de congelar a produção do sedã premium.

Impacto da retirada do Model S e do Model X no portfólio da Tesla

A saída do Model S e do Model X, este último um SUV apresentado em 2015 com preço inicial próximo de US$ 100 mil, reduz a oferta de automóveis de alto tíquete da Tesla. Ao mesmo tempo, a movimentação libera recursos fabris e humanos para projetos considerados prioritários. Musk declarou que a companhia direcionará esforços a áreas como tecnologias de direção autônoma e robótica, além de concentrar produção nos modelos de maior giro.

Embora os dois veículos não sejam mais centrais na estratégia de vendas, eles sustentam relevância histórica: foram responsáveis por solidificar a reputação da marca em desempenho elétrico, autonomia de bateria e software embarcado. Para clientes que valorizam essas características em versões de alto desempenho, a Tesla ainda permite encomendas finais, mas sinaliza que o ciclo de vida industrial está no fim.

Fábrica de Fremont: do Model S ao robô Optimus

A planta de Fremont, que abrigou a montagem do Model S por mais de dez anos, passará por reconfiguração. De acordo com Musk, a estrutura dará lugar a uma linha com capacidade de produzir até 1 milhão de unidades por ano do Optimus. Essa mudança exige uma cadeia de suprimentos “totalmente nova”, pois o robô não aproveita processos ou componentes existentes na produção automotiva tradicional.

Além de alterar a infraestrutura, a transição deverá elevar o número de funcionários na unidade, contrariando a percepção de que o fim de dois modelos levaria inevitavelmente a cortes. A expectativa de crescimento de pessoal indica que a empresa pretende acelerar a industrialização do robô, tratando-o como um novo pilar de receita e inovação.

Model S versus Model 3 e Model Y: distribuição das vendas

Dados divulgados na teleconferência mostram contraste entre as gamas. O Model S e o Model X responderam coletivamente por apenas 3% das entregas em 2023. Já o Model 3 e o Model Y, ambos lançados posteriormente com preços inferiores, absorveram quase totalidade da procura. O descompasso ficou ainda mais pronunciado após a introdução de versões mais baratas dos compactos no fim do mesmo ano.

Essa dinâmica reforça a estratégia de priorizar linhas de volume, dado que a produção em massa dilui custos de desenvolvimento e fortalece margens em um mercado que se torna cada vez mais competitivo. Paralelamente, a tecnologia de direção autônoma, considerada vital pela Tesla, tende a ser escalonada primeiro nos veículos de maior frota, tornando o investimento nos populares 3 e Y duplamente vantajoso.

Robô Optimus: terceiro protótipo e metas de produção

O Optimus, projeto de robô bípede e inteligente, é apontado por Musk como um dos vetores de crescimento da companhia. A Tesla planeja apresentar ainda neste trimestre a terceira geração do robô, definida como o primeiro desenho concebido para produção em massa. O objetivo declarado é que o sistema seja capaz de executar tarefas variadas, de atividades fabris a funções domésticas.

Para viabilizar a escala de até 1 milhão de unidades anuais, a empresa reconhece a necessidade de cadeias de componentes específicas, distintas das usadas em veículos elétricos. A nova linha em Fremont será, portanto, construída sobre fundamentos inéditos para a fabricante, que tradicionalmente adaptou estações de montagem entre diferentes modelos de carros. No caso do Optimus, componentes, ferramental e fluxo logístico serão concebidos do zero.

Consequências financeiras e cronograma imediato

Embora os valores de investimento na conversão não tenham sido detalhados, o deslocamento de recursos do Model S para a robótica sinaliza tentativa de diversificar receitas e compensar a oscilação nas vendas de automóveis. A apresentação do terceiro protótipo do Optimus, prevista para este trimestre, constitui o próximo marco acompanhado por investidores e entusiastas de tecnologia.

Assim que essa nova versão for exibida, a Tesla pretende avançar para a fase de validação industrial e, em seguida, iniciar a instalação completa das linhas definitivas em Fremont, marco considerado essencial para atingir a meta de 1 milhão de robôs por ano.

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