Missão Artemis II: últimos passos antes do lançamento que recolocará astronautas na órbita da Lua

|
Getting your Trinity Audio player ready... |
O cronômetro já está correndo para a missão Artemis II, iniciativa que promete levar quatro astronautas a um voo de dez dias ao redor da Lua. A janela de lançamento abre em 6 de fevereiro, mas a decolagem depende de um ensaio geral que será concluído em 2 de fevereiro. Enquanto o teste não ocorre, o foguete Space Launch System (SLS) e a espaçonave Orion estão posicionados na Plataforma 39B, no Kennedy Space Center, marcando o estágio final de preparativos antes do retorno humano à órbita lunar.
- Preparativos finais para a missão Artemis II
- Estrutura do foguete da missão Artemis II
- Wet dress rehearsal: o teste decisivo da missão Artemis II
- Tripulação da missão Artemis II e representatividade histórica
- Programa Artemis: retorno sustentável à Lua e ponte para Marte
- O que vem a seguir no calendário de Artemis II
Preparativos finais para a missão Artemis II
A fase atual dos trabalhos concentrou-se na transferência do conjunto SLS-Orion do Edifício de Montagem de Veículos para a plataforma de lançamento. O deslocamento, efetuado em 17 de janeiro, exigiu cerca de 12 horas para percorrer 6,4 quilômetros sobre o crawler-transporter 2. O veículo-esteira moveu-se a uma velocidade máxima de 1,3 km/h, índice minuciosamente calculado para garantir a integridade da estrutura de 98 metros de altura. Com o foguete já exposto às condições da área de disparo, equipes de engenharia iniciam inspeções diárias, conectam linhas de abastecimento e instalam sensores adicionais que acompanharão cada fase da contagem regressiva.
A prioridade imediata é concluir o chamado wet dress rehearsal, ensaio que replica todas as etapas de lançamento — do carregamento de propelentes criogênicos à simulação final de ignição dos motores. A agenda prevê que esse procedimento ocorra até 2 de fevereiro. Caso os dados apontem qualquer anomalia, a NASA poderá repetir o teste ou levar o veículo de volta ao galpão de montagem para correções específicas, estratégia essencial para evitar riscos na primeira missão tripulada do programa Artemis.
Estrutura do foguete da missão Artemis II
O SLS é o foguete mais potente já desenvolvido pela agência espacial norte-americana, concebido para transportar passageiros e cargas pesadas além da órbita terrestre. Ele utiliza um estágio central alimentado por hidrogênio e oxigênio líquidos, além de dois propulsores laterais de combustível sólido. Acoplada ao topo do lançador, a cápsula Orion servirá de residência temporária e centro de comando para a tripulação durante os dez dias de viagem. O módulo dispõe de sistemas de suporte de vida, comunicações e controle de voo que, nesta etapa, serão testados pela primeira vez com pessoas a bordo.
A configuração empregada em Artemis II é a mesma que foi submetida a testes não tripulados na missão Artemis 1, em novembro de 2022. Naquele ensaio, o SLS provou capacidade de inserção translunar e retorno seguro da Orion, demonstrando desempenho satisfatório dos sistemas de propulsão, navegação e reentrada atmosférica. Esses resultados servem agora como referência técnica para a condução de um voo com presença humana, exigindo monitoramento ainda mais rigoroso de pressurização, controle térmico e redundâncias eletrônicas.
Wet dress rehearsal: o teste decisivo da missão Artemis II
No ensaio geral, as equipes encherão os tanques criogênicos com centenas de milhares de litros de propelentes super-resfriados, estabelecerão comunicações completas entre solo, foguete e cápsula e executarão todo o roteiro de cronometragem até poucos segundos antes do disparo real. A atividade permite confirmar desde o desempenho das válvulas até a resposta de softwares de bordo que sincronizam motores e sistemas de aborto.
Além de encher e drenar os tanques, o procedimento contempla avaliações de vibração, pressões internas e sequências automáticas que comandam estágios de separação. Qualquer discrepância detectada leva a correções imediatas ou a uma nova rodada de ensaios, pois a segurança da tripulação permanece como critério absoluto. Se o wet dress rehearsal terminar sem contratempos, a equipe de lançamento poderá avançar para a contagem regressiva oficial dentro da janela que se abre em 6 de fevereiro.
Tripulação da missão Artemis II e representatividade histórica
A bordo da missão seguirão os norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. O comando caberá a Wiseman; Glover atuará como piloto; Koch e Hansen serão especialistas de missão. O voo marcará a primeira ocasião em que uma mulher e um homem negro participam de uma viagem em direção à Lua, introduzindo um marco de diversidade no panorama da exploração espacial.
Durante os treinamentos, os quatro astronautas já ingressaram na cápsula Orion para simular rotinas de pré-lançamento, adaptação aos assentos e integração com sistemas de sustentação de vida. A programação de ensaios inclui checagem de procedimentos de emergência, operação de computadores de bordo e testes de comunicação em tempo real com o Centro de Controle. Essas atividades são fundamentais para familiarizar a tripulação com o ambiente confinado e com as ferramentas que utilizarão para monitorar velocidade, trajetória e condições internas ao longo da missão.
Programa Artemis: retorno sustentável à Lua e ponte para Marte
A missão Artemis II representa a etapa intermediária de um planejamento que visa restabelecer presença humana na superfície lunar mais de meio século após a última visita. A Artemis 1, em 2022, verificou hardware e software sem pessoas a bordo; a Artemis 2 validará esses sistemas sob demanda dos tripulantes; já a Artemis 3, prevista para 2027, pretende pousar astronautas no solo da Lua, ampliando experiência operacional em terreno extraterrestre.
O projeto global inclui a construção de infraestrutura orbital e de superfície, com a ambição de criar um ambiente de trabalho contínuo no satélite natural. Esse esforço também funciona como laboratórios para tecnologias relacionadas à viagem para Marte, considerado o próximo grande destino da exploração tripulada. A lógica é que, ao aprender a operar em um corpo celeste relativamente próximo, engenheiros e astronautas adquiram conhecimentos sobre gestão de recursos, radiação e longas permanências fora da Terra.
Para a NASA, cada missão subsequente depende do sucesso da anterior. Assim, o voo de circum-lunar planejado para fevereiro assumirá papel crucial na avaliação de desempenho em ambiente profundo, na verificação de sistemas de navegação e no estudo de efeitos fisiológicos em trajetórias além da órbita baixa terrestre. As lições extraídas serão fundamentais para validar rotinas de pouso, etapas de ascensão e operações de retorno previstas para a Artemis 3.
O que vem a seguir no calendário de Artemis II
A conclusão do wet dress rehearsal no dia 2 de fevereiro definirá se a missão Artemis II poderá iniciar sua contagem regressiva para decolagem a partir do dia 6. Caso não haja necessidade de ajustes adicionais, a preparação avançará diretamente para o carregamento final de suprimentos, instalação de assentos definitivos e fechamento da escotilha. Se imprevistos exigirem intervenção, o planejamento prevê nova rodada de testes ou, em cenário mais conservador, o retorno do conjunto ao Edifício de Montagem para manutenção.
Até lá, técnicos continuarão monitorando variáveis de ambiente, realizando inspeções na plataforma e validando softwares de controle. Cada uma dessas etapas sustenta o objetivo de realizar, pela primeira vez desde 1972, um voo tripulado em direção à Lua, ainda que sem pouso. O próximo marco confirmado no calendário, portanto, é o ensaio geral de abastecimento e contagem, agendado até 2 de fevereiro, evento que dirá se o foguete poderá alçar voo na abertura da janela estipulada.

Conteúdo Relacionado