Lula critica defesa do dono do Banco Master e apresenta ações governamentais em Maceió

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Banco Master foi o centro de uma dura crítica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, durante uma cerimônia em Maceió, Alagoas, marcada pela entrega de 1.337 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida e pela celebração de 2 milhões de contratações viabilizadas pelo programa desde 2023.
- Declaração de Lula sobre o Banco Master
- Impacto financeiro do caso Banco Master
- Entrega de moradias do Minha Casa, Minha Vida
- Indicadores econômicos citados pelo presidente
- Comparação de gestões e reflexos do caso Banco Master
- Combate às fake news e à violência contra as mulheres
- Novas ambulâncias e unidades odontológicas para Alagoas
Declaração de Lula sobre o Banco Master
Numa das passagens mais enfáticas do discurso, Lula afirmou que “muita gente, por falta de vergonha na cara, defende” o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. Sem mencionar o nome do banqueiro, o presidente referiu-se ao episódio como um golpe superior a R$ 40 bilhões, valor que será coberto com recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo Lula, a conta recairá sobre instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Itaú, que integram o sistema de proteção aos depositantes.
Foi a primeira manifestação pública do presidente sobre o escândalo financeiro que levou à intervenção no banco. Ao caracterizar a defesa de Vorcaro como resultado de “falta de vergonha na cara”, ele sinalizou repúdio a qualquer articulação de apoio ao executivo, principalmente em meio ao impacto que a quebra provoca no sistema bancário e na sociedade.
Impacto financeiro do caso Banco Master
Durante a fala, o chefe do Executivo detalhou que o rombo de quase R$ 40 bilhões obrigará o FGC a indenizar credores do Banco Master. Esse mecanismo é sustentado por contribuições periódicas das instituições financeiras em operação no país. Dessa forma, bancos públicos e privados – citados nominalmente por Lula – arcarão com a reposição dos depósitos, reforçando o peso coletivo de uma gestão que, segundo o presidente, “sacrifica o pobre” e compromete a confiança no sistema.
Embora não tenha apresentado números adicionais, Lula deixou claro que o episódio agrava a carga financeira do conjunto dos bancos que mantêm o Fundo, afetando todo o mercado. A fala também sinalizou preocupação com a percepção pública sobre a justiça do modelo, uma vez que recursos do setor bancário serão desviados de possíveis investimentos produtivos para cobrir a lacuna deixada pela administração do Master.
Entrega de moradias do Minha Casa, Minha Vida
A cerimônia em Maceió teve como ponto principal a transferência simbólica das chaves de 1.337 moradias a famílias do município. Esses contratos integram o esforço de reativação do Minha Casa, Minha Vida, cuja meta para o atual mandato era alcançar 2 milhões de contratações entre 2023 e 2026. De acordo com o presidente, a quantidade foi atingida antes do prazo final, refletindo a retomada de investimentos federais em habitação popular.
Além das unidades entregues, Lula ressaltou a importância do programa para a geração de empregos na construção civil, segmento que beneficia diretamente a mão de obra local. O palco do evento, instalado em Maceió, serviu como exemplo do compromisso do governo com a região Nordeste, historicamente prioritária nas políticas de moradia social.
Indicadores econômicos citados pelo presidente
Ao contextualizar as ações do governo, Lula apresentou dados de desempenho econômico. Segundo ele, a inflação registrada em outubro de 2025 atingiu o menor patamar em 27 anos, resultado atribuído a medidas de contenção de preços e ao aumento da oferta de produtos essenciais. Ainda no balanço, o presidente mencionou a criação de 5 milhões de empregos com carteira assinada desde 2023, indicador que, na avaliação do governo, demonstra recuperação do mercado formal.
Esses números foram expostos para sustentar a narrativa de “reconstrução” do país após o período que Lula define como de “desmantelamento”. O mandatário considerou os dois primeiros anos de gestão como fase de arrumação da casa, o que abriria caminho, em 2026, para consolidação de metas e comparação de resultados.
Comparação de gestões e reflexos do caso Banco Master
Lula qualificou 2026 como “o ano da comparação”. A intenção declarada é cotejar as realizações de seus três anos de governo com o conjunto dos quase oito anos somados das administrações de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Essa verificação, segundo o presidente, abrangerá temas como manutenção de estradas, expansão de universidades e institutos federais, além da inclusão estudantil no ensino superior.
O escândalo do Banco Master, citado no mesmo discurso, também se insere na estratégia de avaliação. Ao mencionar que “o pobre continua sendo sacrificado” quando falhas de gestão no sistema financeiro ocorrem, Lula procurou criar contraste entre sua plataforma – centrada em proteção social – e eventuais omissões de governos anteriores na regulação bancária.
Combate às fake news e à violência contra as mulheres
O presidente ainda dedicou parte da fala ao enfrentamento da desinformação. Segundo ele, “a mentira voa e a verdade anda”, o que exige discernimento dos cidadãos na hora de compartilhar conteúdos digitais. O alerta reforça a preocupação do governo com o impacto das fake news no debate público e nos processos eleitorais futuros.
Em seguida, Lula voltou-se à questão da violência de gênero. Destacou que os índices de feminicídio permanecem elevados e cobrou envolvimento masculino no combate a esse crime. Para enfatizar o ponto, observou que não há registros significativos de mulheres agredindo maridos, ao passo que casos de homens atacando companheiras surgem diariamente. O apelo pela responsabilização de agressores se soma a políticas que buscam ampliar proteção e amparo às vítimas.
Novas ambulâncias e unidades odontológicas para Alagoas
Ao final da agenda, o governo federal entregou sete ambulâncias destinadas à renovação da frota do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Alagoas. Três veículos ficarão em Arapiraca, dois em Maceió, um em União dos Palmares e outro em Penedo. A medida atende à demanda por modernização do atendimento pré-hospitalar e reforça a capacidade de resposta em ocorrências de emergência.
Na mesma cerimônia, foram distribuídas 17 Unidades Odontológicas Móveis (UOM) provenientes do Ministério da Saúde. Os veículos, associados ao programa Brasil Sorridente, percorrerão áreas com menor acesso a consultórios tradicionais. As UOM beneficiarão os seguintes municípios: Arapiraca, Batalha, Campo Grande, Coqueiro Seco, Estrela de Alagoas, Maribondo, Monteirópolis, Olho D'água do Casado, Olivença, Palmeira dos Índios, Piranhas, Santana do Ipanema, Santana do Mundaú, São José da Tapera, Senador Rui Palmeira, Teotônio Vilela e União dos Palmares.
Ao mencionar a criação do Brasil Sorridente, Lula explicou que a concepção original previa precisamente esse formato móvel, capaz de chegar às populações mais carentes que não dispõem de recursos para tratamento odontológico particular.
Com a distribuição das ambulâncias e das unidades odontológicas, a agenda governamental em Alagoas foi concluída, reforçando a ênfase na ampliação de serviços de saúde e no fortalecimento da rede de proteção social enaltecida ao longo de todo o evento.

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