Livros coreanos que chegam ao Brasil em 2026: ‘Guerreiras do K-pop’ e outros destaques imperdíveis

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A presença da cultura sul-coreana no Brasil avança além do k-pop, dos k-dramas e da gastronomia: em 2026, uma leva de livros coreanos chega às prateleiras nacionais, consolidando a chamada k-literatura no mercado editorial do país. Ao menos doze títulos já estão confirmados, contemplando best-sellers de autores premiados, romances young adult, manhwas, thrillers e publicações oficiais ligadas à indústria musical que domina os palcos e as plataformas de streaming.
- A expansão da k-literatura: como os livros coreanos conquistaram o interesse das editoras brasileiras
- Romances adultos e o retrato social nos livros coreanos de 2026
- Infantil e juvenil: livros coreanos ilustrados ampliam o contato das novas gerações com a cultura do país
- Quadrinhos, BL e diversidade: manhwas e romances ampliam o alcance dos livros coreanos
- Suspense, distopia e crime: novos livros coreanos exploram tensão e investigação
- ‘Guerreiras do K-pop’: o fenômeno audiovisual que ganha versão impressa
- Calendário: quando cada título chega às livrarias brasileiras
A expansão da k-literatura: como os livros coreanos conquistaram o interesse das editoras brasileiras
O interesse por livros coreanos ganhou impulso após o Prêmio Nobel de Literatura obtido pela escritora Han Kang e pelo sucesso comercial de obras rotuladas como “ficção de cura”. Esse cenário despertou a atenção de grandes editoras nacionais, que agora planejam o lançamento de títulos sul-coreanos ao longo de 2026. A Intrínseca, Record, Companhia das Letrinhas, NewPOP, Hoo Editora, Ediouro, Vestígio, HarperCollins e o selo Harlequin estão entre as casas que reservaram espaço em seus catálogos para essas novidades.
Segundo os anúncios já divulgados, a estratégia inclui diversificar gêneros para dialogar com diferentes públicos leitores. Entre os destaques há literatura adulta, infantil, ilustrada e em quadrinhos, abrangendo temas como educação competitiva, indústria do entretenimento, distopias futuristas e romances LGBTQIA+.
Min Jin Lee, conhecida mundialmente por “Pachinko”, retorna às livrarias brasileiras com “American Hagwon”, que será lançado pela Intrínseca no segundo semestre. A autora conduz o enredo entre as décadas de 1990 e 2000, posicionando-o em três geografias — Coreia do Sul, Austrália e Estados Unidos — para acompanhar o cotidiano de um casal e de seus três filhos. O foco recai sobre os hagwons, serviços de aulas particulares que funcionam como extensão do sistema educacional coreano. O romance promete analisar as pressões acadêmicas e familiares envolvendo essas instituições de reforço escolar.
Outro adulto de destaque é “A Week Before I Die”, de Seo Eun-chae. Estruturado em forma de diário, o livro narra a história de uma mulher avisada por um ceifador, que assume a aparência de seu primeiro amor, de que ela morrerá em um acidente de carro dali a sete dias. A Intrínseca programou o lançamento para maio. A narrativa inspirou o k-drama “Um Amor de Despedida”, reforçando o diálogo entre literatura e audiovisual no universo sul-coreano.
Infantil e juvenil: livros coreanos ilustrados ampliam o contato das novas gerações com a cultura do país
No segmento infantil, Heena Baek — autora premiada e reconhecida por obras que utilizam fotografias de bonecos e cenários costurados manualmente — estreia no Brasil com “Feliz Aniversário”, pela Companhia das Letrinhas. A história acompanha uma zebrinha que ganha um guarda-roupa mágico: todos os dias, uma nova roupa surge, simbolizando a busca por identidade e pertencimento. O lançamento está marcado para 17 de março.
A Pequena Zahar já disponibilizou outro título para leitores em formação: “Nosso Lago”, de Angie Kang. O texto aborda o retorno de um menino ao lago onde costumava nadar com o pai. Sob a orientação do irmão mais velho, ele enfrenta o receio de se lançar novamente na água em um dia de calor sufocante, explorando coragem e memória afetiva.
No cenário young adult, a Intrínseca planeja dois volumes da série “K-pop Academy”, de Mina Finch, para 2 de março. Em “O Palco das Sombras” e “A Maldição da Fama”, uma estudante talentosa recebe bolsa em uma tradicional escola de treinamento para aspirantes a ídolos. O enredo aborda rivalidades intensas, medo de fracassar e criaturas que se alimentam desse temor, combinando fantasia e crítica ao universo competitivo do entretenimento sul-coreano.
Quadrinhos, BL e diversidade: manhwas e romances ampliam o alcance dos livros coreanos
A popularidade dos manhwas — quadrinhos originários da Coreia — ganhará reforço com “Panoramic View”. Escrita por Daebak e ilustrada por Seungjeong, a obra retrata a relação entre dois garotos: um órfão que passou a infância negligenciado em um orfanato e um mafioso poderoso que o resgata. O selo Hoo Editora prevê o lançamento ainda no primeiro semestre.
No âmbito dos romances BL (Boys’ Love), a editora NewPOP prepara a publicação completa de “Define The Relationship”, de Flona. A trama acompanha o herdeiro de uma família nobre que recebe o diagnóstico de um “distúrbio orgástico”. Para lidar com a condição, ele aceita a ajuda do ex-amante do cunhado e firma um acordo envolvendo oito encontros. O lançamento está previsto para o segundo semestre, reforçando a presença de narrativas LGBTQIA+ no portfólio de livros coreanos.
Suspense, distopia e crime: novos livros coreanos exploram tensão e investigação
Entre os thrillers, “Who Killed the Idol?”, de Lee Somin, situa-se nos bastidores da indústria do k-pop. O enredo gira em torno da morte do vocalista de um grupo masculino, conduzindo o leitor por uma investigação que expõe as pressões e disputas internas do mercado musical. A HarperCollins confirmou a publicação, mas ainda sem data específica.
Para o público young adult que aprecia histórias distópicas, “Snowglobe”, de Soyoung Park — best-seller do The New York Times — chega ao selo Ediouro no segundo semestre. O romance se passa em um planeta congelado, onde a elite vive sob uma cúpula aquecida e hiper-vigiada, enquanto a maioria da população sobrevive no frio extremo. O entretenimento consiste em acompanhar as vidas dos privilegiados dentro da cúpula — um reflexo das desigualdades sociais contemporâneas.
A HarperCollins também traz “The Island of Sea Women”, de Lisa See, programado pela Vestígio para julho. Ambientado na ilha de Jeju, o livro cobre um amplo período histórico, dos anos 1930 à era dos celulares, e dedica-se à amizade de duas meninas que se tornam mergulhadoras haenyeo. Essa comunidade feminina trabalha recolhendo frutos do mar em mergulhos sem equipamento de oxigênio, tradição destacada no patrimônio cultural da Coreia.
‘Guerreiras do K-pop’: o fenômeno audiovisual que ganha versão impressa
O impacto da cultura pop sul-coreana atinge seu ponto máximo com o anúncio do livro ilustrado oficial de “Guerreiras do K-pop”. A obra, que será lançada em fevereiro pela editora Pixel, apresenta um álbum de figurinhas que narra a disputa entre os grupos fictícios HUNTR/X e Saja Boys pela preferência dos fãs. Além das ilustrações e curiosidades, o produto inclui 208 cromos colecionáveis e um pôster de “Golden”, somando atrativo extra para admiradores da série disponível na Netflix.
O formato de álbum colecionável reforça a estratégia trans-mídia da franquia: consumidores da série televisiva podem expandir a experiência para um item físico, que mistura narrativa, imagens e a cultura de colecionar. Dessa forma, o título exemplifica como os livros coreanos podem dialogar diretamente com outras expressões da k-cultura, ampliando o universo ficcional da obra.
Calendário: quando cada título chega às livrarias brasileiras
O cronograma de lançamento dos livros coreanos previstos para 2026 está distribuído ao longo de doze meses, com datas já confirmadas para parte do catálogo. Fevereiro marca a chegada de “Break Room”, de Miye Lee, pela Record, e do álbum oficial de “Guerreiras do K-pop”, pela Pixel. O dia 17 de março reserva “Feliz Aniversário”, de Heena Baek, enquanto 2 de março trará os dois volumes de “K-pop Academy”, de Mina Finch.
Maio recebe “A Week Before I Die”, de Seo Eun-chae, e o segundo semestre apresentará “American Hagwon”, de Min Jin Lee; “Snowglobe”, de Soyoung Park; e a coletânea completa de “Define The Relationship”, de Flona. Ainda em 2026, porém sem data definida, o leitor poderá conferir o thriller “Who Killed the Idol?”, de Lee Somin; o romance histórico “The Island of Sea Women”, de Lisa See, previsto para julho; o manhwa “Panoramic View” e o híbrido de fantasia e esporte “The Winged Game”, de Sophie Kim.
Ao longo de 2026, esses lançamentos devem reforçar a presença da Coreia do Sul no mercado editorial brasileiro, oferecendo narrativas que espelham a pluralidade cultural do país e ampliam o repertório dos leitores interessados em k-cultura.

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