Leo Chaves recebe R$ 143 mil para palestra em Sergipe: entenda a contratação e os bastidores da reinvenção do cantor

Leo Chaves recebe R$ 143 mil para palestra em Sergipe: entenda a contratação e os bastidores da reinvenção do cantor
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Leo Chaves, conhecido nacionalmente pela dupla sertaneja Victor & Leo, recebeu R$ 143 000 do governo de Sergipe para conduzir uma palestra motivacional de uma hora e quarenta minutos na abertura da “Jornada Pedagógica da Rede Pública Estadual de Ensino 2026”, realizada em 20 de janeiro no Teatro Tobias Barreto, em Aracaju. O valor e a forma de contratação — por inexigibilidade de licitação — provocaram debate sobre o uso de recursos públicos em eventos de capacitação docente.

Índice

Por que Leo Chaves foi convidado para a Jornada Pedagógica

A Secretaria de Estado da Educação de Sergipe buscou, para a edição de 2026 do encontro pedagógico, palestrantes que pudessem abordar temas ligados a motivação, resiliência e inovação pessoal. De acordo com a justificativa oficial enviada após as críticas, o cantor foi selecionado por ter “atuação consolidada em eventos educacionais, corporativos e sociais”, além de possuir “metodologia própria que articula vivência, prática, sensibilidade humana e comunicação inspiradora”. Ainda segundo a pasta, o palestrante apresenta como formação um bacharelado em Coaching pela Florida Christian University e curso superior em Pedagogia, credenciais que, na visão da organização, o tornariam apto a dialogar com educadores sobre processos de reinvenção profissional e pessoal.

O tema escolhido por Leo Chaves para o encontro foi “A grande arte de se reinventar”, título de seu livro publicado em 2019. O conteúdo tratado na conferência teria abordado as “sete habilidades” que, segundo o autor, auxiliam indivíduos a atravessar mudanças bruscas de cenário, algo considerado relevante pela comissão organizadora para o contexto escolar marcado por transformações tecnológicas e desafios pós-pandemia.

Valores pagos a Leo Chaves e a outros palestrantes no mesmo evento

O cachê de R$ 143 000 chamou atenção porque, na mesma data, outro convidado, o professor e filósofo Mário Sérgio Cortella, também participou da programação de forma on-line e recebeu R$ 53 900. Cortella tratou do tema “Do medo à ação: como transformar a tecnologia em aliada na sala de aula”. A disparidade entre os valores — quase três vezes maior para o cantor — foi um dos principais pontos levantados por sindicatos de professores e por parte da opinião pública.

Para fins comparativos, o montante destinado a Leo Chaves corresponde a mais de dois anos do salário bruto de um professor da rede estadual sergipana em início de carreira. Questionada sobre o critério de precificação, a Secretaria informou que a contratação foi enquadrada como inexigível por se tratar de “produto intelectual singular”, argumento que dispensa a realização de pregão ou concorrência, pois o conteúdo teria caráter exclusivo e não padronizável.

A transição de Leo Chaves da música sertaneja para a autoajuda

Natural de Ponte Nova (MG), Leandro Chaves, artisticamente conhecido como Leo, ganhou projeção nacional a partir de 2006 ao lado do irmão Victor Chaves. O repertório da dupla, que inclui sucessos como “Borboletas”, “Tem que ser você” e “Deus e eu no Sertão”, conquistou diversas premiações, lotou turnês e levou Victor a liderar o ranking de arrecadação de direitos autorais no país entre 2009 e 2012. Paralelamente à carreira musical, Leo administrava uma fazenda de gado em Uberlândia (MG), negócio que manteve mesmo após a ascensão aos grandes palcos.

Em 2018, imagens que mostraram Victor envolvido em episódio de violência doméstica provocaram forte repercussão pública. O caso culminou em suspensão temporária da dupla, que à época participava do programa The Voice Kids. Sem a parceria artística ativa, Leo direcionou esforços a uma nova frente profissional. Ele passou a estudar técnicas de desenvolvimento humano, obteve certificados em programação neurolinguística e investiu em cursos na área de inteligência emocional.

Esses estudos deram origem ao livro “A grande arte de se reinventar: As 7 habilidades que podem mudar a sua vida”, lançado com prefácio do historiador Leandro Karnal. A obra, enquadrada no segmento de autoajuda, parte de experiências pessoais do autor para propor práticas de mudança individual. Desde o lançamento, o cantor vem atuando como palestrante em convenções corporativas, encontros educacionais e eventos sociais.

Repercussões do cachê e justificativas do governo de Sergipe

Após a divulgação do valor pago, entidades representativas de professores questionaram a priorização orçamentária, afirmando que a quantia poderia ser direcionada a melhorias estruturais das escolas ou à valorização salarial. Integrantes do legislativo estadual também solicitaram detalhamento do processo de inexigibilidade. Em resposta, a Secretaria reiterou que o palestrante possui reconhecimento nacional e que não haveria palestras concorrentes equivalentes que justificassem processo licitatório convencional.

Documentos administrativos indicam que o cachê contemplou deslocamento, hospedagem, direitos de imagem e a apresentação presencial. Críticos argumentam, entretanto, que as despesas superam valores médios praticados pelo mercado de palestras motivacionais mesmo entre figuras públicas. Do ponto de vista legal, a inexigibilidade encontra amparo no artigo 74 da Lei Federal 14.133/2021, que permite contratação direta quando houver inviabilidade de competição. A controvérsia reside na definição do grau de exclusividade do serviço — tema que permanece em debate na esfera política local.

Trajetória da dupla Victor & Leo e impacto na música sertaneja

O início da carreira de Victor & Leo remonta a apresentações em bares de Minas Gerais durante a década de 1990. O álbum “Ao Vivo em Uberlândia” (2007) impulsionou a dupla ao reconhecimento nacional, somando milhões de cópias vendidas. A mistura de elementos acústicos, letras românticas e influências da música regional fortaleceu o chamado “sertanejo universitário” e abriu caminho para novos artistas no gênero.

Entre 2009 e 2012, Victor liderou o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) em receitas autorais, reflexo da popularidade das composições executadas em rádios, shows e programas de TV. A voz de Leo tornou-se marca registrada das gravações, consolidando a identidade do duo. Mesmo após os contratempos vivenciados em 2018, canções da dupla seguem presentes em trilhas sonoras, plataformas de streaming e repertórios de casas de show especializadas em música sertaneja.

Livro, certificações e posicionamento atual do cantor

Além da graduação em Pedagogia citada pela Secretaria de Sergipe, Leo Chaves declara possuir certificação pela Sociedade Brasileira de Neurolinguística, formação em coach e cursos voltados a educação familiar e escolar. O currículo, divulgado em eventos e redes sociais, enfatiza estudos em gestão da emoção e filosofia. Esses títulos são utilizados como argumento para sustentar o conteúdo motivacional que o artista oferece a empresas e órgãos públicos.

Em termos de mercado editorial, o livro de 2019 mantém tiragem ativa, direcionado a leitores interessados em desenvolvimento pessoal. Nele, Leo descreve experiências com fama, patrimônio material e desafios familiares, afirmando ter descoberto que nenhum desses fatores, isoladamente, garante satisfação plena. O discurso foca na transformação interna como ponto de partida para mudanças externas. Embora o conteúdo seja enquadrado por parte da crítica especializada como voluntarista, a obra sustenta a agenda de palestras que o cantor passou a ministrar desde então.

Próximos desdobramentos sobre a contratação em Sergipe

No momento, não há registro de processo judicial questionando a legalidade da contratação, mas parlamentares estaduais solicitam esclarecimentos adicionais sobre critérios e valores praticados. A discussão deve avançar nas próximas sessões da Assembleia Legislativa, que poderá convocar representantes da Secretaria de Educação para detalhar a escolha do palestrante e apresentar relatórios comparativos de custos adotados em anos anteriores.

Enquanto isso, a repercussão do caso mantém em evidência tanto a atuação de Leo Chaves no circuito de palestras motivacionais quanto a prática de órgãos públicos de recorrer a contratações diretas amparadas em singularidade de serviços intelectuais.

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