Guerra no Oriente Médio: cronologia dos ataques dos EUA e Israel ao Irã e os desdobramentos em toda a região

O início da mais recente Guerra no Oriente Médio foi marcado por uma ação conjunta dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, quando uma série de bombardeios atingiu infraestruturas militares iranianas e resultou na morte do líder supremo do Irã. Desde então, o enfrentamento se espalhou por vários países e provocou uma cadeia de reações que incluem novas frentes de batalha, centenas de mortes civis e militares, além de forte pressão sobre a economia global.

Índice

Origens imediatas da Guerra no Oriente Médio

O gatilho para a atual escalada foi o ataque coordenado por forças norte-americanas e israelenses contra alvos estratégicos em Teerã e em outras localidades do Irã. Entre os motivos divulgados publicamente, o ministro da Defesa de Israel classificou a operação como “preventiva”, sem detalhar qual ameaça concreta exigia ação naquela data específica. Já o secretário de Estado dos EUA indicou que a decisão de agir ocorreu diante de informações sobre possíveis investidas iranianas contra tropas norte-americanas.

Historicamente, Washington e Tel Aviv mantêm hostilidade aberta ao governo instaurado após a Revolução Islâmica de 1979. A suspeita de que Teerã desenvolva capacidade nuclear bélica continua no centro da discórdia, apesar da negativa iraniana. Durante a chamada Guerra dos 12 Dias, em junho de 2025, instalações nucleares iranianas já haviam sido atingidas, e os governos de Israel e dos Estados Unidos passaram a sustentar que o Irã estaria tentando reconstruir seu programa.

Principais alvos dos primeiros ataques de EUA e Israel

Os bombardeios iniciais foram dirigidos a centros de lançamento de mísseis, quartéis do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) e instalações nucleares críticas. Entre as vítimas mais relevantes está o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo desde 1989. Segundo relatos militares israelenses, outras figuras de alto escalão do CGRI também foram mortas, como o chefe de segurança Ali Larijani, o ministro da Inteligência Esmail Khatib e o comandante da força paramilitar Basij, Gholamreza Soleimani.

Em matéria de infraestrutura, as forças atacantes alvejaram o terminal petrolífero da ilha de Kharg, descrito como vital para a economia iraniana, e a porção iraniana de South Pars, parte do maior campo de gás natural do planeta. Esse foco em recursos energéticos visa, segundo especialistas, limitar a capacidade de financiamento do aparelho militar de Teerã — ainda que o Irã sustente que seu programa nuclear seja pacífico.

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Contra-ofensiva iraniana e expansão da Guerra no Oriente Médio

Classificando os bombardeios como “não provocados, ilegais e ilegítimos”, Teerã respondeu com mísseis e drones contra instalações israelenses em Tel Aviv e outras cidades. Até 22 de março, as autoridades de Israel contabilizaram 16 civis mortos por esses ataques. Paralelamente, bases dos Estados Unidos e de parceiros no Golfo foram atingidas. Catar, Bahrein, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Arábia Saudita registraram vítimas — entre elas 13 militares norte-americanos.

Na vertente naval, um submarino dos EUA afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, provocando 87 mortes. O Irã, por sua vez, foi acusado de tentar fechar o Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de um quinto do tráfego global de petróleo, e de atacar navios comerciais.

No território iraniano, o balanço do grupo de direitos humanos HRANA apontou 3.230 mortes até 21 de março, incluindo 1.406 civis e ao menos 210 crianças. Entre os incidentes mais letais está o ataque a uma escola de meninas perto de uma base do CGRI, que resultou em 168 vítimas fatais, fato que Washington investiga e que Israel afirma desconhecer.

Frente libanesa: deslocamento em massa e consequências humanitárias

A 2 de março, o Hezbollah, aliado do Irã, lançou foguetes contra posições israelenses a partir do sul do Líbano, declarando vingança pela morte de Ali Khamenei. Israel revidou com bombardeios que atingiram regiões ao sul e ao redor de Beirute. O ministro da Defesa israelense anunciou planos para avançar com tropas terrestres e capturar áreas estratégicas libanesas.

O impacto humano é expressivo: dados do Ministério da Saúde do Líbano revelam 1.001 mortos até 20 de março, entre eles 118 crianças. A escalada gerou mais de um milhão de deslocados, equivalente a aproximadamente um sexto da população libanesa. Enquanto isso, Israel relata a morte de dois soldados em confrontos na mesma frente.

Pressões econômicas globais decorrentes da Guerra no Oriente Médio

Os reflexos do conflito já afetam o mercado internacional de energia. Com o estreitamento ou eventual fechamento do Estreito de Ormuz, grandes produtores suspenderam operações e o preço do petróleo apresentou forte alta. No campo diplomático, os Estados Unidos impuseram um ultimato de 48 horas em 21 de março, exigindo a retomada da navegação no estreito. Teerã respondeu que atacaria instalações de energia e dessalinização vinculadas aos EUA caso suas usinas fossem “obliteradas”.

Além do petróleo, empreendimentos de gás — como o complexo no Catar, alvo de um míssil iraniano em 18 de março — também precisaram interromper atividades. Ainda que não haja registro de mortes nesse incidente específico, as paralisações contribuem para incertezas em cadeias de suprimentos já pressionadas.

Projeções de duração e próximos passos da Guerra no Oriente Médio

Até o momento, não existe consenso sobre quando as hostilidades cessarão. Em 20 de março, o presidente dos Estados Unidos sinalizou a possibilidade de “relaxar” a operação militar, alegando estar perto de alcançar seus objetivos. A Casa Branca chegou a mencionar um horizonte de até seis semanas para as ações, mas, em contraste, o primeiro-ministro israelense declarou que a campanha seguirá “pelo tempo que for necessário”.

No Irã, a sucessão após a morte de Ali Khamenei tornou-se fator adicional de instabilidade. Seu filho Mojtaba Khamenei foi designado como sucessor em 8 de março, e informações do Pentágono alegam que ele teria sido ferido, algo que Teerã contesta. Esses episódios agravam incertezas internas e podem influenciar o ritmo e a intensidade dos confrontos.

Enquanto líderes de vários países pedem contenção, episódios recentes mostram que o alcance da guerra ultrapassa o Golfo Pérsico. Ataques ou tentativas de ataque foram relatados em Chipre, no norte do Iraque, na Cisjordânia e até na base britânica de Diego Garcia, no Oceano Índico. Essas ampliações geográficas mantêm governos e empresas em alerta quanto a rotas aéreas, marítimas e cadeias logísticas.

A próxima data a observar é o término do prazo dado pelos Estados Unidos ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, o que poderá redefinir o rumo diplomático e militar do conflito nos primeiros dias subsequentes.

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