Desemprego atinge 5,1% em dezembro e registra menor patamar da série histórica, aponta IBGE

Desemprego atinge 5,1% em dezembro e registra menor patamar da série histórica, aponta IBGE
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O desemprego no Brasil encerrou o trimestre móvel terminado em dezembro de 2025 em 5,1%, o nível mais baixo desde o início da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) em 2012. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica melhora consistente do mercado de trabalho também no consolidado anual: a taxa média de 2025 ficou em 5,6%, igualmente recorde da série histórica.

Índice

Contexto histórico do Desemprego no Brasil

Quando se observa a trajetória iniciada em 2012, o ponto mais crítico do mercado de trabalho ocorreu nos trimestres móveis finalizados em setembro de 2020 e março de 2021, período fortemente impactado pela pandemia de covid-19. Naquelas ocasiões, a desocupação atingiu 14,9%. Desde então, o indicador vem recuando em ritmo gradual, tornando o resultado de 5,1% em dezembro de 2025 um marco na recuperação pós-pandemia. A queda reflete a expansão contínua do número de ocupados, que chegou a 103 milhões de trabalhadores no fim do ano passado.

Comparar extremos de 14,9% e 5,1% demonstra uma redução de praticamente dez pontos percentuais em pouco mais de quatro anos. Essa mudança de patamar evidencia não apenas a retomada das atividades econômicas, mas também ajustes estruturais no mercado laboral, como o avanço da formalização observado em 2025.

Metodologia da Pnad Contínua para medir o Desemprego

A PNAD Contínua é a principal ferramenta do IBGE para monitorar a dinâmica ocupacional no país. A pesquisa visita 211 mil domicílios espalhados por todas as Unidades da Federação, coletando informações de pessoas com 14 anos ou mais. Para ser classificada como desocupada, a pessoa precisa ter procurado trabalho nos 30 dias anteriores à entrevista e estar disponível para assumir a vaga na semana de referência.

A abrangência inclui todas as modalidades de inserção: trabalhos com carteira assinada, sem carteira, temporários, empreendimentos próprios ou prestação de serviços de forma independente. Ao consolidar os dados a cada mês, o levantamento oferece visão abrangente do mercado, permitindo acompanhar não apenas o nível de desemprego, mas também rendimentos, informalidade e outros recortes.

Os resultados divulgados referem-se ao trimestre móvel encerrado em dezembro, o que suaviza flutuações pontuais e reduz efeitos sazonais, como contratações temporárias de fim de ano. Esse formato torna o indicador comparável mês a mês e ano a ano.

Resultados de dezembro confirmam Desemprego recorde

No recorte trimestral concluído em dezembro, o IBGE registrou a menor taxa da série, 5,1%. Traduzido em números absolutos, o contingente de pessoas sem trabalho ficou abaixo de nove milhões, patamar não alcançado anteriormente nos registros da PNAD. O avanço foi sustentado pela expansão do emprego formal: o total de trabalhadores com carteira assinada chegou a 38,9 milhões, saldo positivo de um milhão em relação a 2024.

Além da maior formalização, o rendimento médio real também subiu. A renda habitual do trabalho alcançou R$ 3.560, superando em 5,7% — equivalente a R$ 192 — o valor médio de 2024. Esse ganho reforça a leitura de que a melhoria não ocorreu somente em quantidade de vagas, mas também em qualidade dos postos criados ou preservados.

Outro aspecto destacado pelo instituto é a continuidade do crescimento do trabalho por conta própria, que somou 26,1 milhões de pessoas, maior número já registrado nessa categoria. Embora parte significativa desse grupo integre o segmento informal, muitos trabalhadores autônomos passaram a emitir nota fiscal ou se enquadrar como microempreendedores individuais, movimento que contribui para a redução da informalidade geral.

Radiografia anual de 2025: ocupação, renda e informalidade

No balanço de todo o ano de 2025, a taxa média de desemprego ficou em 5,6%. O resultado foi acompanhado por mudanças relevantes na composição da força de trabalho:

• Empregados sem carteira na iniciativa privada: 13,8 milhões, queda de 0,8% frente a 2024.
• Trabalhadores domésticos: 5,7 milhões, recuo de 4,4% no mesmo comparativo.
• Conta própria: 26,1 milhões, maior contingente da série.

A informalidade recuou de 39% em 2024 para 38,1% em 2025. Para a coordenação da pesquisa, o valor ainda denota peso estrutural da informalidade no Brasil, associado principalmente ao forte volume de ocupações no comércio e em serviços de baixa complexidade. Mesmo assim, o movimento descendente sinaliza tendência de formalização gradual.

Somado à geração de postos com carteira, o aumento da renda habitual indica que a retomada econômica de 2025 foi capaz de puxar os salários médios para cima. O valor de R$ 3.560 é o mais alto desde que o indicador começou a ser mensurado de forma contínua em 2012, reforçando o efeito positivo da combinação entre inflação mais controlada e demanda aquecida por mão de obra.

Caged complementa a fotografia do Desemprego formal

Enquanto a PNAD Contínua abrange todas as formas de trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), produzido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), limita-se aos vínculos formais regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No recorte de dezembro, o Caged apontou fechamento de 618 mil vagas, reflexo tradicional do fim de contratos temporários de fim de ano.

Apesar do saldo negativo no último mês, o acumulado de 2025 apresentou criação líquida de quase 1,28 milhão de postos com carteira assinada. O desempenho anual do Caged corrobora a tendência registrada pela PNAD: mais trabalhadores foram incorporados ao mercado formal, o que ajudou a empurrar a taxa de desemprego para o piso histórico.

A sobreposição de métodos — amostra domiciliar no caso do IBGE e base administrativa de empresas no Caged — possibilita leitura complementar. Juntos, os dois indicadores oferecem visão mais completa do mercado, detalhando tanto volume total de ocupados quanto flutuações mensais do emprego formal.

Tendências observadas e próximos passos das estatísticas

Para 2026, o IBGE continuará publicando resultados mensais da PNAD Contínua, mantendo o acompanhamento de questões estruturais, como o ritmo de formalização e a evolução da renda média. Ao mesmo tempo, o Ministério do Trabalho divulgará mensalmente os balanços do Caged, permitindo monitorar variações pontuais no estoque de vagas com carteira.

O próximo conjunto de dados relevantes do mercado de trabalho será o relatório do Caged referente a janeiro de 2026, que poderá indicar se o movimento sazonal de demissões observado em dezembro se reverte no início do ano. Pelo lado da PNAD, o resultado do trimestre encerrado em janeiro mostrará se o índice de 5,1% se sustenta ou se há oscilação típica do primeiro trimestre.

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