ASUS encerra linha Zenfone e ROG Phone para focar em inteligência artificial

|
Getting your Trinity Audio player ready... |
ASUS encerra linha Zenfone e também a série ROG Phone, marcando o fim da produção de novos smartphones pela companhia taiwanesa e inaugurando uma reorientação estratégica direcionada à inteligência artificial (IA) e à computação avançada.
- ASUS encerra linha Zenfone: anúncio oficial e contexto
- ASUS encerra linha Zenfone: impacto sobre o portfólio de smartphones
- ASUS encerra linha Zenfone: razões ligadas ao desempenho financeiro
- Redirecionamento para PCs com IA, robótica e vestíveis
- Suporte aos usuários atuais e cenário futuro da divisão móvel
- Pressões na cadeia de suprimentos reforçam decisão
ASUS encerra linha Zenfone: anúncio oficial e contexto
A confirmação partiu do presidente da empresa, Jonney Shih, durante um evento corporativo realizado na semana passada em Taiwan. De forma direta, o executivo comunicou que não haverá mais lançamentos de celulares, encerrando ciclos que, por anos, mantiveram a ASUS na disputa por parcelas do mercado mobile. Segundo o líder, a prioridade, agora, será conduzir a organização para áreas de crescimento consideradas mais promissoras, especialmente IA física, robótica e computadores comerciais de alto desempenho.
O anúncio encerra uma trajetória iniciada em 2014, quando o primeiro Zenfone foi apresentado. Desde então, a linha compacta conquistou nichos específicos de usuários que buscavam equipamentos poderosos em formatos menores. Da mesma forma, o ROG Phone, voltado a jogos, ganhou destaque entre entusiastas de competições mobile, graças a sistemas de refrigeração elaborados e a altas taxas de atualização de tela. Ambos, no entanto, deixarão de receber sucessores a partir de 2026.
ASUS encerra linha Zenfone: impacto sobre o portfólio de smartphones
A decisão significa que modelos como o ROG Phone 9 FE e o Zenfone 12 Ultra, apresentados em 2025, serão os últimos representantes de suas respectivas famílias. Internamente, relatórios evidenciaram que esses aparelhos ficaram aquém das metas de vendas estabelecidas, tornando a manutenção da divisão financeiramente inviável em um ambiente dominado por concorrentes com ecossistemas robustos. O resultado prático é um portfólio de smartphones que, a partir de agora, será limitado aos estoques atuais, sem perspectiva de renovações anuais.
Para os consumidores, a mudança altera o cenário futuro de escolha de dispositivos compactos e de alto desempenho destinados a jogos. Outros fabricantes poderão absorver a demanda deixada pelos produtos ASUS, enquanto o mercado gamer perde um player tradicional que se distinguia pelo uso de tecnologias da Qualcomm, como processadores topo de linha e soluções de áudio específicas para jogos.
ASUS encerra linha Zenfone: razões ligadas ao desempenho financeiro
O gatilho imediato para a reestruturação foi o desempenho abaixo do previsto das séries lançadas em 2025. As metas não cumpridas pressionaram margens já estreitas em um mercado saturado, onde Apple e Samsung concentram grande participação. Paralelamente, a empresa registrou receita total de NT$ 738,91 bilhões (aproximadamente R$ 125,7 bilhões) no mesmo ano, avanço de 26,1% sobre 2024. Esse crescimento, entretanto, foi impulsionado quase exclusivamente pelo segmento de servidores com IA, que dobrou de tamanho no período.
Diante desse contraste, a avaliação interna foi pragmática: alocar recursos onde a expansão é consistente. A equipe de Pesquisa & Desenvolvimento dedicada a smartphones, por exemplo, será redirecionada para projetos de IA em computadores, robótica e dispositivos vestíveis, setores vistos como centrais para manter o ritmo de crescimento observado no negócio de servidores.
Redirecionamento para PCs com IA, robótica e vestíveis
A redistribuição de talentos envolve três frentes principais. A primeira diz respeito aos computadores comerciais otimizados para cargas de trabalho de IA. Experiências acumuladas em arquitetura de sistemas móveis, sobretudo no uso de plataformas Qualcomm, serão reaproveitadas na criação de laptops equipados com chips Snapdragon X, que prometem aceleração nativa de modelos de IA.
Na segunda frente, a empresa pretende construir robôs dotados de IA utilizando a plataforma Dragonwing, também da Qualcomm. Esses equipamentos tendem a integrar soluções de visão computacional, processamento de linguagem natural e motores de decisão autônomos, campos nos quais o conhecimento reunido com o desenvolvimento de smartphones pode acelerar protótipos.
Por fim, a ASUS planeja avançar em dispositivos vestíveis, com ênfase em óculos inteligentes. A convicção manifestada pela diretoria é que a IA tornará possíveis interfaces de realidade aumentada mais intuitivas, criando um novo ciclo de adoção em massa. Nesse caso, as equipes de design industrial e otimização de consumo energético, fundamentais nos celulares, migrarão para o desenho desses futuros wearables.
Suporte aos usuários atuais e cenário futuro da divisão móvel
Apesar da suspensão de novos lançamentos, a companhia assegurou manutenção completa do suporte aos aparelhos existentes. Isso inclui reparos autorizados, fornecimento de peças, atualizações de software previstas nos cronogramas já divulgados e honras de garantia dentro dos prazos legais. Jonney Shih declarou que está finalizando planos internos para garantir uma transição suave, sem rupturas na experiência do consumidor.
Em relação a um possível retorno ao mercado de smartphones, o executivo limitou-se a afirmar que “busca soluções” para a divisão móvel. A declaração foi interpretada como abertura para uma reentrada eventual, mas sem cronograma ou metas estabelecidas. Assim, qualquer expectativa sobre novos Zenith ou ROG permanecerá hipotética até que novos indicadores justifiquem a retomada.
Pressões na cadeia de suprimentos reforçam decisão
O contexto macroeconômico também pesou. A alta recente nos preços de memória RAM impacta produtos que não utilizam aceleradores de IA, elevando custos de produção de notebooks convencionais. A administração reconheceu que esse efeito pode gerar aumentos de preço desse tipo de equipamento, adicionando outra camada de complexidade à permanência no segmento de smartphones, já pressionado por margens reduzidas.
Em contraste, servidores destinados a IA, mercado no qual a ASUS incrementou participação em 2025, apresentam maior tolerância a variações de custo de componentes, pois são adquiridos principalmente por empresas que buscam poder de processamento e estão dispostas a pagar mais por desempenho. Consequentemente, focar em servidores, PCs com IA e robótica permite à empresa sustentar estratégias de preço mais favoráveis.
A partir de 2026 não estão previstos novos modelos Zenfone ou ROG Phone, consolidando o redirecionamento de recursos da divisão de smartphones para os projetos de IA, robótica e wearables já mapeados pela companhia.

Conteúdo Relacionado