Aeroporto: Área Restrita tem gravações barradas pela Polícia Federal por risco à segurança e à privacidade

Aeroporto: Área Restrita tem gravações barradas pela Polícia Federal por risco à segurança e à privacidade
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Aeroporto: Área Restrita teve as filmagens de sua oitava temporada suspensas pela Polícia Federal, que apontou ameaças à segurança nas zonas operacionais dos terminais e riscos à intimidade e à presunção de inocência de passageiros abordados.

Índice

Motivo da proibição da Polícia Federal

A corporação informou que as chamadas Áreas Restritas de Segurança dos aeroportos são classificadas como setores de prioridade máxima, onde o acesso é permitido apenas a pessoas com função operacional ou necessidade comprovada. De acordo com o entendimento oficial, atividades de entretenimento ou produção audiovisual não se enquadram nesse critério, o que tornou incompatível a presença contínua das equipes de filmagem da série.

O órgão citou ainda o Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil contra Atos de Interferência Ilícita (PNAVSEC), criado pelo Decreto n.º 11.195/2022, além de normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), para reforçar que a captação de imagens de fluxos, procedimentos e infraestrutura considerados sensíveis é expressamente vedada. Segundo a PF, registrar rotinas internas pode expor métodos de investigação, comprometer táticas operacionais e, por consequência, colocar em risco tanto os servidores que atuam na repressão a delitos quanto o público que circula pelos terminais.

A nota divulgada pelo órgão também ressaltou que, independentemente do foco editorial do programa na Receita Federal, a competência constitucional para supervisão da segurança aeroportuária é da Polícia Federal. Por esse motivo, decisões anteriores de negar ou revogar credenciais derivam de atribuição legal específica, afastando a possibilidade de conflito institucional.

Aeroporto: Área Restrita – como funcionavam as filmagens

Produzida pela Moonshot e exibida na plataforma de streaming HBO Max, a série acompanha bastidores de operações de fiscalização realizadas por Receita Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outros órgãos em grandes aeroportos brasileiros. Em cada episódio, câmeras registram momentos de apreensões de drogas, inspeções a cargas suspeitas, entrevistas com viajantes retidos para averiguação, além de ações táticas voltadas a crimes ambientais ou violações sanitárias.

Para gravar essas sequências, a produção obtinha, a cada temporada, credenciais específicas que permitiam o ingresso de cinegrafistas, produtores e técnicos em áreas como embarque, desembarque, coleta de bagagens e depósitos de carga. Todo esse espaço é enquadrado pelas autoridades como zona sensível porque fica depois da barreira de inspeção de segurança. As filmagens envolviam acompanhamento lado a lado de servidores públicos, o que gerava acesso a dados de passageiros e potenciais suspeitos.

Até a sétima temporada, concluída em 2024, as solicitações encaminhadas à Polícia Federal vinham sendo aprovadas. A mudança de postura registrada neste início de 2026 alterou o cronograma da oitava leva de episódios, que começou a ser captada em dezembro de 2025.

Entidades envolvidas e responsabilidades legais

Três grupos institucionais aparecem diretamente vinculados ao impasse. O primeiro é a Polícia Federal, responsável constitucionalmente pela segurança em terminais aéreos e pela repressão a crimes federais. Foi o órgão que determinou o bloqueio do acesso de filmagem às Áreas Restritas de Segurança.

O segundo é a Receita Federal, autoridade aduaneira que conduz inspeções de bagagens e cargas. Embora a série concentre atenção nas operações do Fisco, a Receita não possui prerrogativa legal para autorizar a circulação de equipes de TV em setores controlados pelo PNAVSEC. Até o momento, o órgão não se manifestou sobre o veto renovado.

O terceiro grupo reúne Anvisa, Ibama, Vigiagro, Polícia Militar dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além das concessionárias Fraport e RIOgaleão. Todos participam eventualmente das gravações, fornecendo acesso a áreas sob suas responsabilidades ou cedendo porta-vozes. A Moonshot informou que esses parceiros, inclusive, continuaram apoiando a oitava temporada antes do cancelamento das credenciais.

Aeroporto: Área Restrita – histórico de autorizações e temporadas anteriores

Desde 2016, Aeroporto: Área Restrita mantém frequência anual de exibição, totalizando sete temporadas concluídas até o momento. Em todas elas, a Polícia Federal emitiu crachás a cada profissional enumerado pela produtora, depois de checar antecedentes e revisar planos de gravação. A sequência histórica foi citada pela Moonshot como principal argumento para tentar reverter o veto de 2026: na visão da empresa, a ausência de incidentes comprovaria que a presença da equipe nunca comprometeu a segurança aeroportuária.

A oitava temporada vinha sendo gravada nos aeroportos de Viracopos, em Campinas (SP); Galeão, no Rio de Janeiro (RJ); e Pinto Martins, em Fortaleza (CE), locais onde a autorização inicial ainda estava vigente até o fim de 2025. A produtora também solicitou acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, principal hub aéreo do país, mas o pedido foi negado em janeiro de 2026. No mesmo ato, a PF cassou as credenciais já liberadas para os demais terminais.

A decisão reverte, portanto, um ciclo de permissões regulares ao longo de sete anos. Embora a Polícia Federal afirme que deixou de participar do programa há “vários anos”, os registros de credenciamento sugerem, segundo a Moonshot, que a cooperação técnico-administrativa persistiu até a temporada passada.

Reação da produtora Moonshot e pedido de revisão

Em comunicado, a Moonshot classificou a série como conteúdo educativo de interesse público, citando pesquisa interna que aponta alto nível de engajamento entre espectadores interessados em transparência e funcionamento das instituições federais. O estúdio ressaltou que as filmagens contam com colaboração ativa de órgãos de controle sanitário, ambiental e aduaneiro, reforçando seu caráter informativo.

A produtora ponderou que as imagens captadas sempre passaram por triagem jurídica, a fim de preservar identidades de pessoas não indiciadas e garantir o sigilo de procedimentos sensíveis. Mesmo assim, a Polícia Federal sustentou que o simples trânsito de filmagem em áreas críticas afronta o dever de resguardar segredos operacionais e pode expor cidadãos antes da conclusão de eventuais investigações.

Diante do cancelamento, a Moonshot protocolou pedido para que a decisão seja revista, alegando que as credenciais anteriores demonstram a possibilidade de coexistência entre produção audiovisual e segurança aeroportuária. Até a publicação deste texto, não houve resposta pública sobre eventual reanálise.

Impacto em Aeroporto: Área Restrita e próximos passos

Com a revogação das credenciais, a captação de novos episódios de Aeroporto: Área Restrita está temporariamente paralisada. Cenas gravadas entre dezembro de 2025 e o início de janeiro de 2026 permanecem nos arquivos da Moonshot, mas não há indicação de que o material recolhido seja suficiente para uma temporada completa. A continuidade do cronograma de pós-produção dependerá de um eventual restabelecimento de acesso ou de ajustes no formato da série.

No momento, a HBO Max não confirmou alteração na grade de lançamentos. O serviço de streaming vinha planejando estrear a oitava temporada após a conclusão das filmagens nos quatro aeroportos listados. Caso não haja reversão do bloqueio, a plataforma poderá adiar a estreia ou avaliar soluções alternativas, como a redução do número de capítulos.

Do lado institucional, a Polícia Federal reafirmou que suas decisões seguem diretrizes legais e compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro para proteger a aviação civil. A corporação considera a segurança dos terminais valor jurídico prioritário e mantém a posição de que imagens de procedimentos internos não devem ser divulgadas.

Enquanto isso, a Receita Federal, a Anvisa, o Ibama e as concessionárias aeroviárias consultadas não divulgaram manifestação pública sobre o futuro da produção. A expectativa é que qualquer definição sobre a retomada, reformulação ou cancelamento definitivo das gravações dependa de entendimentos técnicos adicionais entre todos os órgãos responsáveis pela segurança e pela fiscalização nos aeroportos.

O próximo passo relevante no calendário da série será a resposta da Polícia Federal ao pedido de reconsideração protocolado pela Moonshot. Até que essa análise seja concluída, permanecem suspensas todas as autorizações para filmagens de Aeroporto: Área Restrita em Viracopos, Galeão, Pinto Martins e Guarulhos.

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