Violência contra a mulher: bilhetes de loteria exibem alerta nacional durante o Carnaval 2026

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Uma parceria entre o Ministério das Mulheres e a Caixa Econômica Federal coloca, a partir do Carnaval 2026, a luta contra a violência contra a mulher no centro de milhões de apostas feitas diariamente nas casas lotéricas espalhadas por todo o Brasil.
- Rede lotérica leva mensagem de combate à violência contra a mulher a todo o Brasil
- Como o alerta contra a violência contra a mulher estará presente no Carnaval 2026
- Canais de denúncia fortalecem combate à violência contra a mulher
- Parcerias interinstitucionais ampliam alcance da campanha contra a violência contra a mulher
- Bilhetes de loteria e engajamento social: papel da Caixa e do Ministério das Mulheres
- Próximos passos na luta contra a violência de gênero após o Carnaval
Rede lotérica leva mensagem de combate à violência contra a mulher a todo o Brasil
O ponto de partida da ação é a capilaridade da rede lotérica, presente em todos os 5.568 municípios brasileiros. Em cada bilhete emitido, o apostador encontra a advertência: “Carnaval é festa. Assédio é crime. Denuncie. Ligue 180. Urgência, ligue 190.” A mensagem permanecerá impressa até o último dia de fevereiro, abrangendo todo o período oficial de folia e, consequentemente, o fluxo elevado de frequentadores das casas lotéricas que buscam as principais modalidades de jogo.
Na prática, a iniciativa transforma o comprovante de aposta em veículo de utilidade pública, multiplicando informações de enfrentamento à violência contra a mulher em escala nacional. Com isso, cada ida do cliente ao guichê converte-se em oportunidade de conscientização, reforçando que assédio, importunação ou qualquer ato violento não se enquadram no espírito festivo do Carnaval.
A impressão da advertência nos bilhetes faz parte de uma estratégia mais ampla articulada pelo Ministério das Mulheres. A pasta, atualmente conduzida pela ministra Márcia Lopes, definiu o período carnavalesco como momento chave para campanhas de prevenção, pois a aglomeração de pessoas em festivais de rua e eventos oficiais tende a exigir atenção redobrada à segurança feminina.
Nesse contexto, a Caixa Econômica Federal, comandada pelo presidente Carlos Antônio Vieira, assume seu papel de banco público com forte responsabilidade social. A instituição providencia a inserção do texto nos sistemas de impressão das lotéricas, garantindo uniformidade e alcance maciço da mensagem em todo o território nacional.
Além do canal telefônico 180, dedicado à Central de Atendimento à Mulher, a mensagem destaca o telefone 190, acionado em situações de emergência. Dessa forma, o bilhete informa, orienta e providencia instruções imediatas a possíveis vítimas, testemunhas e até agressores que, diante do alerta explícito, reconheçam a ilegalidade de suas condutas.
Canais de denúncia fortalecem combate à violência contra a mulher
O Ligue 180 funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, de maneira gratuita e sigilosa. O serviço presta informações, acolhe relatos de agressão e encaminha cada caso aos órgãos competentes, como delegacias especializadas ou unidades de saúde, a depender da situação descrita pela usuária. Ao lado do 180, o número 190 cumpre a função de resposta imediata, pois aciona a Polícia Militar local em casos que envolvem risco iminente à vida.
Ao estampar esses telefones nos bilhetes de loteria, o Governo Federal pretende reduzir as barreiras de acesso a tais serviços. Entre elas estão o desconhecimento dos canais, o medo de represálias e a naturalização da violência, fatores que frequentemente inibem a denúncia. A visibilidade proporcionada pela rede lotérica busca quebrar esse ciclo, lembrando ao público que proteção e dignidade feminina são direitos inegociáveis.
Parcerias interinstitucionais ampliam alcance da campanha contra a violência contra a mulher
O combate à violência contra a mulher não se esgota na ação impressa. Durante o mesmo período, o Ministério das Mulheres executa a mobilização “Se liga ou eu ligo 180”, que reforça que importunação sexual é crime e que a responsabilidade de enfrentar tais violações é coletiva. Secretarias estaduais e municipais de políticas para as mulheres participam ativamente, promovendo abordagens em blocos de rua, aeroportos, terminais rodoviários e demais pontos de grande circulação.
No âmbito federal, a articulação engloba ainda a Polícia Rodoviária Federal e o Ministério dos Transportes. A parceria prevê divulgação de mensagens preventivas em painéis de rodovias concedidas à iniciativa privada. Ao longo dos corredores rodoviários, motoristas se deparam com lembretes sobre a existência do 180 e do 190, reforçando a vigilância também fora dos circuitos urbanos de Carnaval.
Essa estrutura multissetorial reflete o entendimento de que o enfrentamento à violência de gênero demanda integração entre órgãos de segurança pública, instituições financeiras, agências de mobilidade e instâncias de governo em todas as esferas. Ao envolver atores tão diversos, a campanha eleva o grau de visibilidade do tema e promove unidade de discurso entre União, estados e municípios.
A Caixa Econômica Federal, fundada em 1861 e reconhecida por operar loterias oficiais, canaliza parte das apostas para áreas essenciais, como seguridade social, esporte e cultura. No caso presente, o banco alinha sua missão histórica com a política pública de gênero, convertendo bilhetes em instrumentos de cidadania. O presidente Carlos Antônio Vieira destaca que a instituição mantém “compromisso inegociável” com o enfrentamento ao assédio sexual e ao feminicídio, sintetizando a diretriz social do banco.
Do lado governamental, o Ministério das Mulheres, chefiado por Márcia Lopes, assume protagonismo na formulação de campanhas educativas, monitoramento de casos e proposição de políticas que visam prevenir todo tipo de agressão contra mulheres. A circulação maciça da mensagem nos bilhetes lotéricos ilustra a busca do ministério por meios de comunicação que extrapolem salas de aula, repartições públicas ou redes sociais. Ao ocupar espaços cotidianos, como a ida à lotérica, a iniciativa alcança públicos que, muitas vezes, não têm contato regular com campanhas institucionais.
Encerrado o mês de fevereiro, o Ministério das Mulheres planeja lançar nova etapa de conscientização durante março, em alinhamento com o Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março. A ideia é manter a visibilidade dos canais de denúncia e consolidar a mensagem de tolerância zero a qualquer forma de violência. Segundo a pasta, as ações terão ênfase na continuidade, de modo que a mobilização não se limite ao período carnavalesco, mas se estenda ao calendário anual completo.
Assim, o esforço iniciado nos bilhetes de loteria funcionará como alicerce de futuras campanhas, reforçando continuamente a presença do 180 e do 190 no imaginário coletivo. Ao longo do ano, novas parcerias institucionais poderão ser formalizadas para repetir, em outros ambientes públicos, o mesmo modelo bem-sucedido de disseminação de informação.
A articulação permanente entre Ministério das Mulheres e Caixa Econômica Federal indica que a impressão de mensagens nos bilhetes poderá ser reativada em datas estratégicas, acompanhando picos de movimentação social ou eventos de grande exposição midiática. Até lá, o leitor que aposte nas loterias federais continuará recebendo, em cada comprovante, o lembrete inequívoco de que assédio é crime e de que a denúncia salva vidas.

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