Vazamento de água em mina da Vale volta a ocorrer em Congonhas e desperta alerta ambiental

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Vazamento de água em mina da Vale foi novamente registrado no município de Congonhas, na região Central de Minas Gerais, menos de 24 horas após um episódio semelhante em outra unidade operacional da mesma empresa. A ocorrência mais recente foi identificada na mina Viga, situada na estrada Esmeril, e já resultou na descarga de água para o rio Maranhão, segundo informações confirmadas pela Defesa Civil municipal.
- Localização e primeiras informações sobre o novo vazamento de água em mina da Vale
- Conexão entre o extravasamento e o rio Maranhão
- Segundo vazamento de água em menos de 24 horas agrava preocupação
- Detalhes do rompimento na mina de Fábrica e trajetória da água turva
- Impactos ambientais descritos pelas autoridades
- Ações emergenciais e medidas administrativas após os dois vazamentos de água em mina da Vale
- Próximos passos e monitoramento do rio Maranhão
Localização e primeiras informações sobre o novo vazamento de água em mina da Vale
O foco do novo vazamento de água em mina da Vale está na mina Viga, estrutura de mineração posicionada em área próxima à zona urbana de Congonhas. A Defesa Civil do município detalhou que o extravasamento foi detectado durante monitoramento de rotina e que, logo após a confirmação, equipes técnicas se deslocaram até o ponto exato na estrada Esmeril. Não houve interrupção de trânsito nem necessidade de retirada preventiva de moradores, uma vez que não se identificou risco imediato para comunidades vizinhas. O impacto relatado, até o momento, é classificado como ambiental, concentrado no curso hídrico que recebe a água excedente.
Conexão entre o extravasamento e o rio Maranhão
Os técnicos municipais constataram que a água oriunda da mina Viga alcançou o rio Maranhão, corpo d’água que percorre a região central de Congonhas. Esse rio tem relevância estratégica para o município por compor a bacia do rio Paraopeba, atravessando áreas de uso múltiplo e integrando o abastecimento de diversos ecossistemas locais. A presença de água turva, típica de processos de mineração, tende a elevar a turbidez, reduzir a penetração de luz e modificar o equilíbrio de oxigênio, fatores apontados como decisivos para a perda de biodiversidade aquática.
Segundo vazamento de água em menos de 24 horas agrava preocupação
O novo vazamento de água em mina da Vale ocorre um dia depois de outro evento na mina de Fábrica, situada a aproximadamente 22 quilômetros da mina Viga. Naquela ocasião, houve rompimento de uma barreira de contenção de água, também descrita como cava, cujas paredes perderam capacidade de reter o volume interno. A sucessão de incidentes em intervalo tão curto gerou mobilização de órgãos estaduais e municipais, resultando na instalação de uma sala de crise. A estrutura temporária foi montada com participação das Defesas Civis de Congonhas e Ouro Preto, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC), do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Congonhas e do Ministério Público do Estado de Minas Gerais.
Detalhes do rompimento na mina de Fábrica e trajetória da água turva
No episódio anterior, registrado na mina de Fábrica, houveram 263 mil metros cúbicos de água turva, misturados a minério e resíduos do beneficiamento mineral, liberados para o ambiente. Esse volume, após atravessar o dique Freitas, deslocou-se por talvegues naturais e alcançou áreas operacionais da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Danos materiais foram listados em almoxarifado, oficinas mecânicas, acessos internos e na zona de embarque da unidade Pires, localizada no município vizinho de Ouro Preto. De acordo com a CSN, todas as suas estruturas de contenção mantiveram funcionamento regular, mas a empresa mantém acompanhamento permanente do cenário.
Depois de afetar instalações da CSN, a lama alcançou o rio Goiabeiras, curso que atravessa parte da zona urbana de Congonhas. O leito do Goiabeiras desemboca no rio Maranhão, ampliando a área potencial de influência do material carreado. A hidrografia local conecta esses rios ao Paraopeba, o mesmo cujo leito recebeu rejeitos após o rompimento de barragem em Brumadinho, em janeiro de 2019. Esse histórico reforça a sensibilidade ambiental da região e amplia a vigilância sobre qualquer alteração na qualidade da água.
Impactos ambientais descritos pelas autoridades
Conforme relatório preliminar da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, a elevada turbidez provoca uma sequência de efeitos adversos. A primeira consequência é a diminuição da transparência da água, reduzindo a incidência de luz e comprometendo o processo de fotossíntese de organismos aquáticos. Em paralelo, partículas sólidas em suspensão tendem a se depositar no leito, causando assoreamento que eleva o risco de inundações. Há ainda a possibilidade de presença de componentes tóxicos, uma vez que a mistura contém finos minerais e reagentes do beneficiamento.
Em nota oficial, o secretário municipal João Lobo descreveu ter observado arraste de árvores, deslocamento de rochas e alteração de trechos do curso do rio nas proximidades da mina de Fábrica. Tais sinais evidenciam a força hidráulica do fluxo e apontam para possíveis mudanças geomorfológicas a serem acompanhadas nos próximos meses.
Ações emergenciais e medidas administrativas após os dois vazamentos de água em mina da Vale
Com base nos desdobramentos do primeiro extravasamento, a Secretaria de Meio Ambiente de Congonhas lavrou auto de infração contra a Vale. O documento abre caminho para aplicação de multa, ainda sem valor definido, e será instruído com dados de campo coletados pelas equipes ambientais. A pasta destacou que, apesar de não se tratar de barragem, a estrutura rompida tinha potencial de causar “graves problemas ambientais e sociais” e, em situação mais crítica, poderia representar ameaça direta à vida humana.
O segundo incidente, de menor proporção física conhecida até o momento, reforça o questionamento sobre a eficiência do monitoramento preventivo da mineradora. A prefeitura afirmou que, na condição atual, a empresa “não tinha condições de fazer o monitoramento atento e contínuo” da área onde ocorreu o rompimento na mina de Fábrica. As informações coletadas na mina Viga serão anexadas ao mesmo procedimento fiscalizador, ampliando a documentação sobre a recorrência de falhas.
Próximos passos e monitoramento do rio Maranhão
As equipes técnicas continuarão medindo parâmetros de qualidade da água, como turbidez, oxigênio dissolvido e sedimentos, ao longo do rio Maranhão e nos seus afluentes diretos. Esses dados deverão embasar relatórios de impacto e nortear eventuais exigências de reparação. Até a conclusão desta matéria, nem a Vale nem o Ministério de Minas e Energia haviam emitido posicionamento oficial sobre os dois vazamentos.

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