Ucrânia, Rússia e EUA abrem negociações em Abu Dhabi para discutir controle do leste ucraniano

Ucrânia, Rússia e EUA abrem negociações em Abu Dhabi para discutir controle do leste ucraniano
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As negociações em Abu Dhabi reúnem, pela primeira vez desde a invasão russa de 2022, representantes de Ucrânia, Rússia e Estados Unidos em torno de uma mesa comum. O encontro, confirmado na madrugada desta sexta-feira, tem como eixo central o futuro dos territórios orientais ucranianos e inaugura um grupo de trabalho trilateral sobre segurança cuja primeira sessão ocorre hoje na capital dos Emirados Árabes Unidos.

Índice

Negociações em Abu Dhabi marcam retomada de diálogo tripartite

O anúncio do encontro trilateral foi feito após conversas no Kremlin entre o presidente russo, Vladimir Putin, o enviado especial norte-americano, Steve Witkoff, e Jared Kushner. Segundo o conselheiro diplomático russo Yuri Ushakov, as discussões preparatórias foram “úteis em todos os aspectos” e resultaram na criação imediata de um grupo de trabalho. É a primeira vez, desde o início do conflito em fevereiro de 2022, que Moscou, Kiev e Washington aceitam negociar num mesmo local e horário. Apesar de a agenda completa não ter sido divulgada, fontes oficiais dos três lados confirmam que a pauta inclui cessar-fogo regional, mecanismos de verificação e, sobretudo, a delicada questão das fronteiras no Donbass.

Como o controle do leste ucraniano domina a pauta das negociações em Abu Dhabi

A definição do status de Donetsk e Lugansk, regiões que compõem o Donbass, é considerada por todas as partes o ponto de partida para qualquer solução duradoura. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou a disputa territorial como “fundamental” ao confirmar a presença de sua delegação. Do ponto de vista russo, Yuri Ushakov advertiu que sem um acordo sobre concessões territoriais não há possibilidade de paz de longo prazo. Ele acrescentou que, até lá, as forças russas continuarão perseguindo seus objetivos militares, hoje descritos por Moscou como “iniciativa estratégica” no campo de batalha. Já Washington, embora não tenha detalhado sua posição publicamente, participa como garantidor potencial de qualquer arranjo que venha a ser firmado, sobretudo no tocante a mecanismos de segurança e monitoramento.

Composição das delegações define tom militar das negociações em Abu Dhabi

A escolha dos nomes que viajam aos Emirados indica o peso militar das conversas. A delegação russa é liderada pelo general Igor Kostyukov, alto funcionário do Estado-Maior, e composta exclusivamente por representantes do Ministério da Defesa. Kiev, por sua vez, enviou o secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov, o chefe de gabinete Kyrylo Budanov, o vice-chefe Serhiy Kyslytsia e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andriy Gnatov. Todos são figuras de comando ou assessoramento direto no esforço de guerra ucraniano. Do lado norte-americano, o enviado Steve Witkoff atua como interlocutor principal, enquanto Jared Kushner mantém papel de assessor político. A presença simultânea desses perfis sugere que as negociações em Abu Dhabi terão foco operacional – linhas de cessar-fogo, corredores de segurança, logística de retirada ou permanência de tropas – antes mesmo de se avançar para discussões de reconstrução ou cooperação civil.

Posicionamento russo: exigências territoriais e iniciativa estratégica

Moscou entra na mesa insistindo em “próprios objetivos” no terreno. Na prática, isso significa exigir reconhecimento internacional de ganhos territoriais consolidados desde 2022, além da permanência de suas forças em áreas-chave até a implementação de um acordo. Yuri Ushakov reiterou que a Federação Russa não abrirá mão do que chama de “garantias de segurança internas”, expressão que abrange tanto a manutenção de enclaves pró-Rússia quanto a neutralização de ameaças que, na visão do Kremlin, possam surgir de uma Ucrânia alinhada militarmente ao Ocidente. A pressão por concessões territoriais, portanto, permanece como moeda central de barganha. Paralelamente, o Exército russo mantém ofensivas táticas para reforçar sua posição negociadora, estratégia vista por analistas como tentativa de chegar à mesa com o máximo de terreno controlado.

Visão ucraniana: garantias de segurança dos EUA e desafios internos

Do outro lado, Kiev busca inserir as garantias de segurança prometidas por Washington no arcabouço do possível pacto. Zelensky declarou que o acordo com os Estados Unidos está “praticamente pronto” e depende apenas da definição, por Donald Trump, de data e local para assinatura. Ele também revelou que discutiu com o ex-presidente temas como defesa aérea e cooperação econômica para a reconstrução pós-guerra. Esses elementos podem se converter em incentivo para que Kiev aceite eventuais ajustes de fronteira, desde que compensados por sistemas de defesa avançados e pacotes financeiros robustos. Ao mesmo tempo, Zelensky enfrenta desgaste em parte da opinião pública ucraniana e criticou, em Davos, a falta de unidade europeia, descrevendo o bloco como “fragmentado e perdido” na tentativa de influenciar tanto Washington quanto Moscou. Esse cenário interno adiciona complexidade à posição ucraniana na mesa de Abu Dhabi.

Próximos passos do grupo de trabalho e expectativas para Abu Dhabi

A primeira sessão formal do grupo trilateral de segurança está programada para hoje, no início da tarde pelo horário local. Durante essa etapa inicial, cada delegação deve apresentar resumidamente suas prioridades, metodologia de trabalho e limites de concessão. Espera-se que subgrupos temáticos – militar, humanitário e econômico – sejam criados para aprofundar pontos específicos. Embora não haja confirmação de encontros diretos entre representantes russos e ucranianos sem mediação norte-americana, a estrutura negociada prevê momentos de diálogo bilateral, trilateral e técnico ao longo do fim de semana. Caso os grupos avancem, o próximo marco poderá ser anunciado pelos porta-vozes ao término da rodada, com possibilidade de nova reunião ainda nos Emirados ou em cidade neutra a ser definida.

A agenda divulgada limita-se ao fim de semana de 23 a 25 de janeiro, período em que as negociações em Abu Dhabi devem concentrar os esforços em delinear um protocolo mínimo de segurança para o leste ucraniano e estabelecer calendários de discussão contínua sobre o estatuto de Donetsk e Lugansk.

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