TV Brasil reprisa episódio sobre racismo na escola e iniciativas de combate à discriminação

TV Brasil reprisa episódio sobre racismo na escola e iniciativas de combate à discriminação
Getting your Trinity Audio player ready...

O racismo na escola volta ao centro do debate nacional nesta segunda-feira, às 23h, quando a TV Brasil reapresenta o episódio “As marcas do racismo na escola”, do programa Caminhos da Reportagem. Vencedora do terceiro lugar no 67º Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo, a produção investiga a permanência de práticas discriminatórias em salas de aula, os efeitos dessas condutas na vida dos estudantes e as estratégias construídas em diferentes redes de ensino para enfrentá-las.

Índice

Reexibição destaca racismo na escola e ações de enfrentamento

A reprise tem caráter informativo e pedagógico. Ao retornar à grade, o programa cumpre o propósito de manter o assunto em evidência até o início da nova temporada, previsto para a próxima segunda-feira, 2 de fevereiro. Durante uma hora, o público acompanha reportagens gravadas no Distrito Federal e em Salvador que comprovam como o preconceito se manifesta cotidianamente, seja por meio de punições diferenciadas, piadas depreciativas ou segregação de turmas.

Além de contextualizar o problema, o conteúdo apresenta projetos que procuram reverter esse cenário. Entre eles, o Cresp@s & Cachead@s, que atua na capital federal para fortalecer a autoestima de estudantes negros, e a escola Maria Felipa, na capital baiana, onde o currículo é organizado de modo a conferir o mesmo peso às matrizes africana, indígena e europeia em disciplinas como matemática, história e ciências.

Lei 10.639/2003: base legal para combater o racismo na escola

Um dos fios condutores do episódio é a Lei 10.639/2003, em vigor há mais de vinte anos. O dispositivo legal tornou obrigatório, em todas as escolas públicas e privadas do país, o ensino da história e da cultura afro-brasileira. Embora represente um marco para a educação antirracista, sua concretização enfrenta obstáculos persistentes, especialmente relacionados à formação docente e à disponibilidade de materiais pedagógicos adequados.

No programa, a secretária de Educação Continuada, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, Zara Figueiredo, atribui parte das dificuldades à falta de coordenação federativa robusta. Em um território extenso e marcado por desigualdades regionais, argumenta ela, a implementação plena da lei depende de articulação efetiva entre União, estados e municípios.

Dados do MEC revelam a extensão do problema

Os números apresentados pela reportagem ilustram o hiato entre a legislação e a realidade. Pesquisa conduzida pelo Ministério da Educação entre 2019 e 2021 indica que somente metade das escolas brasileiras desenvolveu algum projeto sobre relações étnico-raciais no período analisado. O quadro se agrava quando se observa a oferta de educação continuada: apenas 14,7% dos gestores escolares afirmaram dispor de materiais pedagógicos ou socioculturais destinados ao ensino da temática.

O levantamento evidenciou ainda que menos de 1% – precisamente 0,92% – do corpo docente possuía formação considerada adequada para abordar conteúdos afro-brasileiros em sala de aula. Esse percentual reduzido reforça a importância de políticas voltadas ao aprimoramento profissional dos educadores, ponto enfatizado pelo Ministério da Educação ao anunciar, para 2024, 215 mil vagas de capacitação e o envio de livros didáticos com enfoque antirracista a centenas de redes de ensino.

Relatos mostram como o racismo na escola afeta a trajetória dos estudantes

Para além das estatísticas, o Caminhos da Reportagem reuniu depoimentos que traduzem o impacto psicológico e pedagógico do racismo na escola. Uma professora relembra ter sido isolada no fundo da sala durante a infância, punição aplicada somente a ela, até que constrangimento e medo resultaram em um incidente de incontinência. Outra docente recorda que as piadas direcionadas a seus traços físicos geravam desconforto constante, ainda que, à época, ela não possuísse vocabulário para nomear a violência.

As experiências de discriminação também se manifestam em práticas institucionais. Uma entrevistada que estudou em colégio particular relata a existência de turmas A e B: a segunda recebia as crianças consideradas de aprendizagem mais lenta, e a maioria delas era negra. Testemunhos como esses confirmam que o preconceito se traduz em barreiras de autoestima, desempenho escolar e oportunidades futuras.

Projetos pedagógicos contra o racismo na escola mostram resultados

Diante desse cenário, a reportagem buscou iniciativas que transformam o ambiente educacional. O projeto Cresp@s & Cachead@s, no Distrito Federal, utiliza a valorização da estética negra como ponto de partida para fortalecer a identidade de estudantes. Oficinas, rodas de conversa e atividades culturais integram o cronograma, criando espaços de acolhimento e reconhecimento.

Em Salvador, a escola Maria Felipa adota um projeto político-pedagógico que equipara os marcos civilizatórios africano, indígena e europeu. Na prática, isso significa inserir referências africanas não apenas nas aulas de artes ou educação física, mas também em matemática, ciências e filosofia. Segundo a direção da unidade, tal abordagem combate a visão eurocêntrica e promove compreensão plural sobre a construção histórica do país.

Prêmio e agenda futura do programa

A qualidade jornalística do episódio recebeu reconhecimento no 67º Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo, onde alcançou o terceiro lugar. A premiação valoriza reportagens que, por meio de apuração rigorosa, ampliam o debate público em torno de temas sociais relevantes. Além disso, a edição conta com entrevista do escritor Jeferson Tenório, vencedor do Prêmio Jabuti pelo romance “O avesso da pele” e alvo de tentativas de censura em quatro estados em 2024. Na conversa, o autor defende que discutir racismo em sala de aula é requisito para a consolidação de uma democracia plena.

Com a reexibição de “As marcas do racismo na escola”, o Caminhos da Reportagem encerra um ciclo de reprises dedicado a episódios premiados. A programação inédita, segundo a emissora, retorna em 2 de fevereiro, data que marca o próximo encontro do público com investigações jornalísticas atualizadas e aprofundadas.

zairasilva

Olá! Eu sou a Zaira Silva — apaixonada por marketing digital, criação de conteúdo e tudo que envolve compartilhar conhecimento de forma simples e acessível. Gosto de transformar temas complexos em conteúdos claros, úteis e bem organizados. Se você também acredita no poder da informação bem feita, estamos no mesmo caminho. ✨📚No tempo livre, Zaira gosta de viajar e fotografar paisagens urbanas e naturais, combinando sua curiosidade tecnológica com um olhar artístico. Acompanhe suas publicações para se manter atualizado com insights práticos e interessantes sobre o mundo da tecnologia.

Conteúdo Relacionado

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK