Trump deve anunciar novo presidente do Fed nesta sexta; mercados ajustam expectativas

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novo presidente do Fed é a expressão que domina o noticiário financeiro desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que pretende divulgar na manhã de sexta-feira o nome que comandará o Federal Reserve, o banco central norte-americano. Entre os cotados, Kevin Warsh, ex-membro do Conselho de Governadores do Fed, desponta como favorito, gerando movimentos expressivos em bolsas, câmbio e títulos ao redor do mundo.
- Perfil de Kevin Warsh, possível novo presidente do Fed
- Reação imediata do mercado à expectativa pelo novo presidente do Fed
- Disputa interna: outros nomes que chegaram a ser cogitados para novo presidente do Fed
- Contexto econômico: por que Trump quer um novo presidente do Fed alinhado a juros menores
- O que esperar da política monetária após o anúncio do novo presidente do Fed
Perfil de Kevin Warsh, possível novo presidente do Fed
Kevin Warsh integrou o Conselho de Governadores do Federal Reserve no passado e construiu reputação de defensor de juros relativamente baixos, mas com atenção redobrada ao tamanho do balanço patrimonial da instituição. Seu histórico mescla passagens pelo setor público, com atuação direta nas decisões de política monetária, e experiência no mercado privado, atributos que, segundo fontes ouvidas por agências internacionais, impressionaram o presidente Trump durante reunião realizada na Casa Branca na quinta-feira.
Além do posicionamento pragmático sobre juros, Warsh é visto como uma alternativa menos radical entre os nomes considerados. A formulação de sua política monetária tende a focar redução gradual do balanço do Fed, sinal de cautela em relação a estímulos agressivos. Esse perfil passou a ser lido por parte do mercado como compatível com a insistência de Trump por cortes maiores na taxa básica, ainda que mantenha alguma distância de medidas consideradas extremas.
Reação imediata do mercado à expectativa pelo novo presidente do Fed
A simples possibilidade de mudança no comando do Federal Reserve desencadeou uma rodada de ajustes em diversos ativos. O índice MSCI que engloba ações da Ásia-Pacífico, exceto Japão, recuou 1,3%, registrando a queda diária mais acentuada em um mês. Em Hong Kong, o indicador de empresas chinesas perdeu 2,1%, enquanto o Nikkei 225, em Tóquio, cedeu 0,1%.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros ligados ao S&P 500 e ao Nasdaq recuaram 0,4% e 0,5%, respectivamente. Paralelamente, o índice do dólar subiu 0,3%, alcançando 96,481 pontos, movimento que inverteu a fraqueza recente da moeda norte-americana. Já o rendimento dos Treasuries de dez anos avançou 4,0 pontos-base, para 4,265%, sinalizando venda de títulos de dívida em busca de prêmio maior diante da incerteza.
Outro termômetro relevante foi o comportamento de commodities e criptoativos. O ouro sofreu perda de 3,7%, a prata caiu 6%, o petróleo Brent recuou 1,4% e o Bitcoin perdeu 2,7%. Conjuntamente, esses percentuais expõem a volatilidade que antecede o anúncio oficial de Trump e sublinham o peso que a nomeação do novo dirigente do Fed exerce sobre o apetite ao risco global.
Disputa interna: outros nomes que chegaram a ser cogitados para novo presidente do Fed
Embora Kevin Warsh seja atualmente o candidato mais provável, outros profissionais foram avaliados por Trump ao longo do processo. Rick Rieder, executivo da gestora BlackRock, era visto até recentemente como favorito, enquanto o atual governador Christopher Waller e o conselheiro econômico da Casa Branca Kevin Hassett também estiveram na lista restrita.
Nesse ambiente de especulação, plataformas de apostas como Polymarket e Kalshi se tornaram termômetro rápido de percepção do mercado. Na quinta-feira, a probabilidade implícita de Warsh assumir o Fed saltou de 35% para 92% no Polymarket, refletindo informações de bastidores sobre a boa impressão deixada por ele na conversa com o presidente. A forte oscilação das odds reforçou o entendimento de que a escolha tende a recair em um nome que combine reputação no sistema financeiro a relativa previsibilidade de atuação.
Contexto econômico: por que Trump quer um novo presidente do Fed alinhado a juros menores
Donald Trump vem pressionando publicamente o banco central a reduzir a taxa básica, atualmente na faixa de 3,50% a 3,75%. Segundo o presidente, esse nível é “elevado demais” e pesa sobre a economia e a segurança nacional, mesmo com o Produto Interno Bruto americano tendo avançado 4,4% em ritmo anualizado no terceiro trimestre, de acordo com o Departamento de Comércio.
Após a reunião de política monetária concluída na quarta-feira, o Fed manteve os juros inalterados, decisão que motivou críticas diretas de Trump ao atual presidente da instituição, Jerome Powell. O mandatário alegou que o banco central “custa aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano” ao não cortar a taxa de forma mais agressiva, e chegou a rotular Powell de “idiota”.
O conflito se intensificou a ponto de o governo abrir investigação criminal contra Powell por supostos estouros de orçamento em reformas na sede do Fed. O questionamento foi interpretado pelo próprio presidente do banco central como pretexto para pressioná-lo, colocando em evidência a independência da autarquia, vista tradicionalmente como pilar para o controle da inflação.
O que esperar da política monetária após o anúncio do novo presidente do Fed
A escolha que será confirmada por Trump tem potencial para reformular a condução da política monetária em um momento marcado por pressões políticas e incertezas econômicas. Se confirmado, Kevin Warsh chegará ao cargo com mandato formal de influenciar decisões sobre juros, balanço patrimonial e comunicação do Fed com o mercado. Sua inclinação por taxas mais baixas, porém combinada a cautela em expandir o balanço, sugere possível estratégia de alívio monetário gradativo sem recorrer a programas de compra de ativos em larga escala.
Para investidores, o foco se concentrará em avaliar a velocidade e a intensidade de eventuais cortes, bem como a disposição do novo presidente do Fed em dialogar com o Poder Executivo sem comprometer a autonomia institucional. O desempenho recente de Warsh no setor privado e seu histórico nas reuniões do Conselho de Governadores serão analisados em detalhe para antecipar o tom das próximas decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).
Na agenda imediata, o mercado voltará sua atenção à manhã de sexta-feira, quando Trump prometeu anunciar o nome oficialmente. A confirmação encerrará semanas de especulação e oferecerá base para projeções mais consistentes sobre a trajetória dos juros norte-americanos e, por extensão, sobre a dinâmica de preços de ativos globais.

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