Testemunha é presa por dívida de pensão durante a Operação Titan que investiga clonagem de veículos em Minas Gerais
No momento em que agentes executavam ordens judiciais da Operação Titan em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, um fato inusitado alterou o roteiro policial: um homem de 32 anos, convocado apenas para testemunhar a regularidade das diligências, foi detido após a verificação de um mandado de prisão em aberto por dívida de pensão alimentícia. A ocorrência, registrada na terça-feira (10) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ilustra como o cruzamento de informações em ações de grande escala pode revelar pendências judiciais não relacionadas ao alvo principal da investigação.
- Operação Titan: alcance da força-tarefa e palavra-chave central
- Como a testemunha acabou presa durante a Operação Titan
- Histórico judicial da testemunha e detalhes da dívida de pensão
- Modus operandi da quadrilha investigada na Operação Titan
- Mandados cumpridos, apreensões e números atualizados da Operação Titan
- Órgãos participantes e sua atribuição na Operação Titan
Operação Titan: alcance da força-tarefa e palavra-chave central
A Operação Titan foi desencadeada para desarticular uma organização criminosa acusada de furtar, clonar e revender automóveis nas cidades de Uberlândia e Monte Carmelo. A força-tarefa é conduzida pelo Gaeco de Patos de Minas, com apoio do núcleo regional de Uberlândia, e conta com a execução de 45 ordens judiciais, sendo 23 de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão. Ao todo, até a última atualização oficial, 21 pessoas haviam sido presas preventivamente, número que inclui cinco suspeitos capturados em Uberlândia e não contempla o caso da testemunha – pois esta não fazia parte do grupo investigado.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) aponta que o esquema criminoso atuava principalmente na venda de “carros Finan”. Trata-se de veículos financiados em nome de laranjas que, após saírem da concessionária, são colocados à venda por valores significativamente abaixo do mercado, enquanto as parcelas do financiamento permanecem inadimplentes. Antes que a instituição financeira requisite a busca e apreensão, o automóvel já foi revendido a terceiro de boa-fé ou a comparsa do esquema, permanecendo em circulação irregular.
Como a testemunha acabou presa durante a Operação Titan
Por exigência processual, cada mandado de busca e apreensão precisa ser acompanhado por uma pessoa alheia à equipe de segurança, responsável por atestar que a diligência transcorreu dentro da legalidade. O homem agora preso foi convidado a cumprir esse papel. Entretanto, ao consultar o banco de dados, os agentes constataram um mandado expedido pela 4ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Uberlândia desde maio de 2025. O documento judicial determinava prisão em regime fechado caso o devedor não quitasse R$ 5.940,15 referentes a prestações alimentícias de julho de 2023 a março de 2025.
Como o débito não havia sido pago, a ordem permaneceu ativa e foi cumprida de imediato. Naquele mesmo dia, o homem foi conduzido à Delegacia de Plantão da Polícia Civil. Até as 18h, ele ainda aguardava transferência para o sistema prisional, permanecendo sob custódia na delegacia.
Histórico judicial da testemunha e detalhes da dívida de pensão
Registros do Sistema Eletrônico de Execução Unificado (Seeu) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) mostram que o detido já cumpriu pena por roubo majorado, entre 28 de junho de 2015 e 16 de julho de 2016, período encerrado com alvará de soltura. Apesar do passado criminal, o mandado em vigor não tem natureza penal, mas cível: trata-se de execução de alimentos, dispositivo que autoriza a prisão civil do devedor em regime fechado quando a inadimplência compromete a subsistência do beneficiário.
A decisão judicial previa a possibilidade de suspensão do mandado mediante pagamento integral do valor devido. Como tal quitação não ocorreu, a ordem manteve-se no sistema até ser localizada pelo Gaeco. Dessa forma, enquanto a Operação Titan visava coibir crimes patrimoniais relacionados a veículos, um litígio familiar pendente acabou levando a um desfecho simultâneo e distinto.
Modus operandi da quadrilha investigada na Operação Titan
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), carros classificados como “Finan” ou “NP” (não pago) são financiados em nome de terceiros que jamais pretendem arcar com as prestações. Após a saída da concessionária, o bem é anunciado em plataformas online por preço inferior ao valor de mercado e geralmente sem documentação completa. Antes que o banco ingresse com pedido de busca e apreensão, o automóvel já foi repassado, tornando a recuperação complexa.
O grupo investigado também é suspeito de adulterar motocicletas. Segundo o MPMG, motos furtadas recebiam numeração modificada para simular origem em leilões oficiais do Departamento de Trânsito (Detran). Durante as buscas, foram apreendidos celulares, montantes em dinheiro, entorpecentes, uma arma de fogo, automóveis suspeitos e uma motocicleta furtada que foi recuperada em Uberlândia.
Mandados cumpridos, apreensões e números atualizados da Operação Titan
Os 45 mandados judiciais foram distribuídos entre Uberlândia e Monte Carmelo. Dos 23 alvos de prisão preventiva, 21 já estavam presos preventivamente até o fechamento do balanço divulgado pelos órgãos envolvidos. Outras duas ordens continuavam em aberto. No âmbito das 22 buscas, investigadores coletaram material probatório que ainda passará por perícia para robustecer as acusações de furto, receptação qualificada, estelionato, falsificação de documento público e associação criminosa.
O Gaeco, ligado ao Ministério Público estadual, integra promotores de Justiça, policiais civis e militares. Em Uberlândia, a ação contou com suporte logístico da Polícia Militar, da Polícia Civil e da PRF. Os objetos confiscados serão periciados pelo Instituto de Criminalística, enquanto os valores apreendidos ficarão à disposição da Justiça para eventual ressarcimento de vítimas ou pagamento de multas.
Órgãos participantes e sua atribuição na Operação Titan
Gaeco: coordena a investigação, oferece denúncias e articula equipes multidisciplinares.
MPMG: autoriza e fiscaliza a atuação do Gaeco, além de conduzir a fase processual.
PRF: auxilia na identificação de veículos roubados em circulação nas rodovias federais.
Polícia Civil: executa diligências, formaliza prisões em flagrante e instaura inquéritos complementares.
Sejusp: administra o sistema prisional e confirma antecedentes de pessoas detidas.
TJMG: expede mandados de prisão e supervisiona o andamento dos processos criminais e cíveis.
Com a prisão da testemunha por dívida de pensão, o número de detidos no contexto da Operação Titan ultrapassou duas dezenas, reforçando o impacto colateral que grandes operações podem ter sobre pendências judiciais diversas. O próximo passo da força-tarefa é concluir a perícia dos veículos e objetos apreendidos, etapa essencial para a formalização das denúncias contra a quadrilha de clonagem de automóveis.

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