Skrillex domina o Lollapalooza com set que funde dubstep e funk e ressalta parcerias brasileiras

Skrillex abriu a segunda noite do Lollapalooza em São Paulo com um espetáculo que conciliou a energia percussiva do dubstep às batidas cadenciadas do funk brasileiro, reforçando a imagem de um artista que, há mais de uma década, reconfigura gêneros para as pistas de dança de larga escala.

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Skrillex leva dubstep ao Lollapalooza com pitadas de funk

A apresentação ocorreu no palco principal do festival, reunindo milhares de espectadores no Autódromo de Interlagos. O DJ norte-americano estruturou um set de aproximadamente 90 minutos, no qual alternou variações de andamentos, manipulou timbres graves característicos do dubstep e inseriu viradas de funk carioca em transições estratégicas. De acordo com bastidores de sua equipe, cada show da turnê recebe faixas exclusivamente preparadas para a ocasião, e o público brasileiro pôde ouvir produções ajustadas à cena local. Entre os ajustes, destacou-se o reforço de percussões sincopadas típicas do funk paulista, integradas aos famosos drops de subgraves que marcam a identidade do produtor.

A trajetória de Skrillex e a construção de um estilo singular

Nascido Sonny John Moore, Skrillex surgiu na virada dos anos 2010 já como figura controversa. Para segmentos mais puristas da música eletrônica, o som carregava apelo excessivamente comercial, enquanto parte do mercado pop o percebia como vanguardista demais. O rótulo de “brostep” — versão de alta octanagem do dubstep britânico — passou a acompanhá-lo. Mesmo sob críticas, o artista consolidou marcas estéticas que influenciaram produções ao redor do mundo: design sonoro com ênfase em distorções de baixa frequência, variação súbita de BPM e colagens vocais processadas. A constância em grandes festivais como Coachella, Tomorrowland e o próprio Lollapalooza elevou-o a um dos DJs mais solicitados para line-ups de palco principal.

No Brasil, a primeira passagem marcante ocorreu em 2012, quando se apresentou na edição local do Lollapalooza. O show inaugurou uma relação contínua com o país, alimentada por colaborações pontuais e participações em festas independentes. Entre os feitos, registra-se um set surpresa no centro de São Paulo ao lado do duo Deekapz, dedicado ao funk e ao R&B, que já sugeria interesse de Skrillex em dialogar com sonoridades nacionais.

Colaborações brasileiras reforçam a conexão do DJ com o país

O momento mais celebrado da noite foi a execução de “Syrinx”, obra em parceria com o produtor paulistano RHR, lançada no EP “Gíria”. A faixa conta com vocais em português dos cantores Me Jesmay e Lucas Swatch, que subiram ao palco para interpretá-la em tempo real, gerando coro imediato da plateia. Esse intercâmbio evidencia a estratégia do norte-americano de incorporar vozes locais a seu repertório, prática que amplia a recepção regional sem abrir mão da assinatura global.

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Horas antes da data no festival, Skrillex já havia marcado presença na Rádio Veneno, plataforma independente de música eletrônica sediada na capital paulista. Em um back-to-back com RHR, o DJ fez base para a participação surpresa da funkeira MC Dricka, conhecida por letras empoderadas no baile funk, e da vocalista indiana Naisha. A movimentação reforçou a disposição de integrar culturas distintas em torno de beats híbridos, elevando a percepção de diversidade musical ao redor do set principal.

Detalhes técnicos e dinâmicos do set de Skrillex

No palco, a habilidade técnica ficou evidente pela velocidade com que o artista transformava temas consagrados. Em intervalos inferiores a cinco minutos, manipulou simultaneamente vocais de Justice, linhas melódicas de Daft Punk e batidas de funk. A construção rítmica baseou-se em transições abruptas, mas controladas, que mantiveram o público em permanente expectativa. O recurso da variação de andamento — alternando de 128 BPM típicos do house para 150 BPM presentes no trap e no funk — foi usado para criar picos de energia sem sacrificar a coerência narrativa do set.

A cenografia ajudou a amplificar a experiência. Painéis de LED exibiam visuais abstratos sincronizados a subgraves e strobe lights, ressaltando cada drop. Embora o aparato visual fosse robusto, a execução de Skrillex concentrou-se em mixers e controladores, dispensando adereços vocais ou performances coreografadas. Tal escolha direcionou atenção ao áudio, elemento central de sua proposta artística.

Repertório nostálgico atiça público millennial

Entre as faixas autorais, o DJ recuperou sucessos que marcaram a metade inicial da década passada. “Where Are U Now”, parceria de 2015 com Diplo e Justin Bieber, surgiu em versão remixada, menos voltada ao future bass do lançamento original e mais alinhada ao dubstep. Logo depois, “Try It Out” ressoou com graves reforçados, seguida pelo clássico “Make It Bun Dem”, colaboração com Damian Marley que mescla dubstep e reggae. O ápice veio com “Kyoto”, escolhida para encerrar a apresentação. Ao reconhecê-la já nos primeiros segundos, o público respondeu com aplausos que se estenderam até a saída do artista.

Esse recorte nostálgico evidencia o impacto geracional de Skrillex. Muitos dos presentes conheceram a música eletrônica contemporânea a partir de suas primeiras faixas, lançadas numa época em que o dubstep despontava como fenômeno global. Ouvir esses temas ao vivo, em 2026, acionou memória afetiva que potencializou a recepção do show.

Próximos passos de Skrillex no Brasil após o festival

Encerrado o compromisso no Lollapalooza, Skrillex seguiu para uma festa privada no interior de São Paulo, cuja localização não foi divulgada previamente ao público. A decisão de manter parte da agenda em sigilo repete estratégia aplicada em turnês anteriores, nas quais o artista alterna palcos de grande porte com clubes de menor capacidade, criando contraste entre produção massiva e atmosfera intimista.

Nos bastidores, a equipe técnica confirmou que o produtor permanecerá no país por mais alguns dias para finalizar sessões em estúdio com RHR e possíveis colaborações adicionais com vozes do funk. Até o momento, não há anúncio oficial de lançamento dessas gravações. Entretanto, a recorrência de parcerias indica que faixas com assinatura conjunta podem entrar em set-lists futuros ou compor EPs digitais distribuídos por grandes plataformas de streaming.

Com a temporada brasileira em andamento, fãs monitoram redes sociais para identificar participações-relâmpago em rádios independentes ou festas surpresa, estratégia que se tornou marca da passagem de Skrillex pelos territórios que visita.

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