Sete anos do rompimento da barragem de Brumadinho: ato em São Paulo cobra justiça e preservação ambiental

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No sétimo aniversário do rompimento da barragem de Brumadinho, 272 vidas perdidas foram lembradas em um ato público realizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Crianças sentadas no asfalto moldaram pequenos vasos de argila para acomodar sementes, enquanto uma sirene soou às 12h28, horário que marca o início da tragédia. A iniciativa, conduzida pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti, transformou a via mais famosa da capital paulista em espaço de memória, luto e reivindicação por justiça.
- Sete anos do rompimento da barragem de Brumadinho: memória e simbolismo
- Crianças moldam o futuro enquanto lembram o rompimento da barragem de Brumadinho
- Perdas pessoais e luto coletivo após o rompimento da barragem de Brumadinho
- Impunidade e desafios de reparação no caso do rompimento da barragem de Brumadinho
- Mariana como alerta ignorado antes do rompimento da barragem de Brumadinho
- Agenda e próximos passos na luta por justiça após o rompimento da barragem de Brumadinho
Sete anos do rompimento da barragem de Brumadinho: memória e simbolismo
O ato na Avenida Paulista teve como objetivo principal reviver a lembrança do rompimento da barragem de Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019. Naquele dia, estruturas da mineradora Vale colapsaram, liberando uma onda de rejeitos que engoliu comunidades inteiras e provocou a morte de 272 pessoas. Sete anos depois, a lembrança permanece dolorosa para familiares e sobreviventes, que insistem na busca por reparação e responsabilização criminal.
A escolha do barro utilizado pelas crianças constituiu um gesto carregado de significado. A argila remete aos rejeitos que invadiram casas, pousadas e plantações em Minas Gerais. Ao transformá-la em vasos para germinar sementes, os organizadores deram novo sentido ao material associado à destruição, convertendo-o em símbolo de esperança e regeneração.
Crianças moldam o futuro enquanto lembram o rompimento da barragem de Brumadinho
Durante a atividade, meninos e meninas amassaram a argila com as próprias mãos, construindo pequenos recipientes onde depositaram mudas e sementes fornecidas pelos monitores. Segundo os idealizadores, envolver o público infantil foi estratégia para aproximar as novas gerações dos temas ligados ao meio ambiente e à prevenção de desastres. “As crianças são o nosso futuro”, afirmou Helena Taliberti, fundadora do instituto que leva o nome dos filhos Camila e Luiz.
Com voz embargada, Helena relatou que seu envolvimento com as atividades educativas é, também, forma de lidar com a própria perda. Além dos dois filhos adultos, Camila e Luiz, ela perdeu a nora Fernanda Damian, grávida de cinco meses, e o ex-marido, que estava na viagem acompanhado da atual esposa. Todos se hospedavam na Pousada Nova Estância, uma das edificações completamente soterradas pelos rejeitos.
Ao juntar terra e semente, as crianças receberam orientação sobre biomas brasileiros. A fundadora lembrou que a metrópole paulistana se encontra na Mata Atlântica e preserva apenas 12% da cobertura original. Por isso, ressaltou a necessidade de criar “nichos de respiro” em centros urbanos para que cidades como São Paulo não se tornem inviáveis em termos de qualidade de vida.
Perdas pessoais e luto coletivo após o rompimento da barragem de Brumadinho
O colapso da barragem causou mortes, destruição de patrimônio e impactos emocionais profundos. As 272 vítimas incluem trabalhadores da Vale, hóspedes de pousadas, moradores de comunidades rurais e visitantes que estavam na região. Entre elas estavam Camila e Luiz Taliberti, cujos nomes batizam o instituto organizador do ato na capital paulista.
Para Helena, a dor de não ter netos traduz a dimensão das perdas que ultrapassam o âmbito econômico. “Não vou ter netos”, lamentou ao recordar a gestação interrompida da nora Fernanda. O luto se estende às centenas de famílias que perderam entes queridos, lares, lavouras e animais. Muitos ainda aguardam apoio para reconstruir suas vidas, sete anos depois.
A sirene tocada às 12h28 na Paulista reforçou a memória do silêncio fatal na manhã de 2019, quando o sistema de alerta da mineradora não emitiu sinal sonoro algum em Brumadinho. De acordo com investigações, a Vale já tinha conhecimento de falhas estruturais na barragem e de necessidade de manutenção. A ausência de aviso sonoro é apontada por familiares como fator que contribuiu para a elevada quantidade de vítimas, já que centenas de pessoas não tiveram tempo para escapar.
Impunidade e desafios de reparação no caso do rompimento da barragem de Brumadinho
Passados sete anos, o processo criminal que envolve o rompimento da barragem de Brumadinho ainda não chegou a uma sentença. Quinze pessoas serão julgadas pela Justiça mineira, mas até o momento ninguém foi responsabilizado. Para Helena e demais ativistas, a ausência de punições fomenta sentimento de impunidade e o temor de que tragédias semelhantes se repitam.
A reparação aos atingidos também caminha de forma considerada lenta pelos familiares. Casas, plantações e criações de animais foram destruídas, e parte significativa desses prejuízos segue sem reposição. Segundo Helena, mesmo a palavra “reparação” se mostra insuficiente, pois nada pode restituir as vidas interrompidas. Ainda assim, ela defende que compensações financeiras, reconstrução de propriedades e suporte psicológico sejam garantidos a quem perdeu tudo.
O entendimento de que a impunidade abre caminho para novos desastres pauta a atuação de movimentos como o Instituto Camila e Luiz Taliberti. Na avaliação dos participantes, somente a efetiva responsabilização de empresas e gestores públicos poderá impor medidas de segurança mais rígidas, evitando que outras barragens entrem em colapso.
Mariana como alerta ignorado antes do rompimento da barragem de Brumadinho
Durante o ato, Helena Taliberti recordou que o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 2015, deveria ter servido como alerta – ou “sirene” – para o que viria em 2019. A afirmação remete à percepção de que lições não foram aprendidas após o desastre que devastou o município mineiro de Bento Rodrigues. Para os familiares das vítimas de Brumadinho, a repetição de uma tragédia vinculada à mineração confirma falhas na fiscalização e na gestão de estruturas de rejeitos.
A menção a Mariana coloca em evidência a necessidade de políticas preventivas abrangentes, que incluam monitoramento constante, planos de evacuação efetivos e comunicação transparente com comunidades próximas às barragens. No entendimento dos presentes, tais medidas são essenciais para que a história não se repita em outros pontos do país.
Agenda e próximos passos na luta por justiça após o rompimento da barragem de Brumadinho
Enquanto o processo que envolve quinze réus tramita na Justiça mineira, familiares e ativistas pretendem manter mobilizações. O Instituto Camila e Luiz Taliberti deve continuar promovendo oficinas educativas, toques simbólicos de sirene e atos públicos, especialmente em datas que marcam o desastre. O próximo momento de atenção se concentrará nas audiências judiciais que definirão a responsabilidade criminal pelo rompimento da barragem de Brumadinho.

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