Rota da Celulose: plano emergencial recupera 150 km de rodovias estratégicas em Mato Grosso do Sul

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Rota da Celulose é a palavra de ordem no novo capítulo da infraestrutura rodoviária de Mato Grosso do Sul: um plano emergencial já em execução pretende restaurar 150 quilômetros de estradas dentro dos primeiros 100 dias da concessão obtida pelo Consórcio Caminhos da Celulose.
- Rota da Celulose: recuperação emergencial reforça segurança viária
- Distribuição estratégica das obras na Rota da Celulose
- Impacto para a cadeia da celulose e para os usuários das rodovias
- Detalhes da concessão: 30 anos, R$ 10,1 bilhões e 115 km de duplicações
- Parceria público-privada e papel dos órgãos de governo na Rota da Celulose
- Pedágio com sistema Free Flow inicia após a fase inicial de obras
- Próximos passos: assinatura do contrato e avanço das frentes de trabalho
Rota da Celulose: recuperação emergencial reforça segurança viária
O objetivo imediato do Consórcio Caminhos da Celulose é atacar os pontos considerados mais vulneráveis da malha concedida, aplicando serviços de tapa-buracos, limpeza de pista e reforço de sinalização. As equipes técnicas iniciaram os trabalhos na MS-040, trecho avaliado como crítico para a segurança dos motoristas. Ao todo, serão 150 quilômetros de melhorias distribuídas, e não concentradas num único segmento, conforme destacou o diretor-presidente Luiz Fernando de Donno.
A ação compõe o ciclo inicial de 100 dias previsto no contrato e funciona como uma fase preparatória, enquanto projetos estruturais de maior alcance são detalhados. A meta é reduzir riscos de acidentes, garantir tráfego mais fluido e criar as condições para intervenções definitivas ao longo dos 30 anos de outorga.
Distribuição estratégica das obras na Rota da Celulose
A concessão engloba 870,3 quilômetros que conectam rodovias federais e estaduais cruciais para a cadeia de produção de celulose. Essa movimentação envolve alto fluxo de caminhões transportando madeira, matéria-prima e produto final entre florestas plantadas, fábricas de celulose e pontos de escoamento logístico.
Na prática, o consórcio mapeou trechos prioritários mediante levantamentos técnicos. A BR-262, a BR-267 e as rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395 compõem o conjunto. A pulverização dos serviços emergenciais garante que usuários percebam melhorias simultâneas em diferentes rotas, evitando gargalos concentrados.
Além do primeiro lote de 150 quilômetros, outras iniciativas emergem na sequência: manutenção contínua dos acostamentos, atualização de placas refletivas e adequação de defensas metálicas. Enquanto isso, o corpo técnico finaliza estudos de solo e engenharia para as grandes obras de duplicação e ampliação.
Impacto para a cadeia da celulose e para os usuários das rodovias
O corredor logístico beneficia diretamente indústrias instaladas no estado, que dependem de deslocamento rápido e previsível para manter competitividade. A melhoria imediata das pistas reduz tempo de viagem, diminui custos operacionais de transporte e minimiza a ocorrência de sinistros envolvendo veículos pesados.
Para o usuário comum, a recuperação emergencial significa sinalização mais visível, menor exposição a buracos e um tráfego com menos retenções inesperadas. Esses fatores, combinados, contribuem para queda de acidentes graves, meta alinhada ao plano de segurança viária incluído no contrato.
Autoridades estaduais como o governador Eduardo Riedel ressaltam a importância de garantir que as obrigações contratuais cheguem ao usuário final sem desvios de cronograma ou qualidade. Segundo ele, o governo estadual será parceiro e fiscalizador constante, verificando cada etapa executada pelo consórcio.
Detalhes da concessão: 30 anos, R$ 10,1 bilhões e 115 km de duplicações
O contrato firmado entre o poder público e o Consórcio Caminhos da Celulose abrange 30 anos de gestão, tempo em que estão previstos R$ 10,1 bilhões em investimentos. Entre as metas estruturais aparecem:
• Duplicação de 115 km: 101,7 quilômetros na BR-262, contemplando o trecho entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, além do contorno desse município, e 13,5 quilômetros finais na BR-267, já próximo à divisa com São Paulo.
• Terceiras faixas e acostamentos: implantadas gradualmente para aumentar a capacidade de ultrapassagem e criar áreas de fuga.
• Marginais e contornos urbanos: destinados a separar o tráfego de longa distância do tráfego local, reduzindo conflitos em perímetros urbanos.
A duplicação da BR-262 será entregue entre o primeiro e o oitavo ano da outorga, enquanto o segmento da BR-267 deverá ser concluído entre o sétimo e o oitavo ano. Esses prazos foram estabelecidos em função de estudos de demanda que apontam crescimento do fluxo na região.
A estrutura financeira da concessão considera a possibilidade de expansões, mas não admite a redução de quilometragem, conforme esclarecido pelo diretor-presidente. Se o volume de tráfego superar projeções, o contrato prevê flexibilidade para obras adicionais.
Parceria público-privada e papel dos órgãos de governo na Rota da Celulose
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, enfatiza que projetos logísticos de grande porte exigem capital privado aliado a supervisão governamental. Segundo ela, a logística está entre os investimentos mais onerosos do país, e a sinergia entre União, estados e iniciativa privada viabiliza intervenções de escala.
Na esfera estadual, a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), comandada por Jaime Verruck, vê na concessão um fator de competitividade. A avaliação da pasta é que vias mais rápidas e seguras reforçarão o dinamismo econômico atraído pelos investimentos recentes na indústria de base florestal.
Para garantir transparência, o governo de Mato Grosso do Sul estabelece rotinas de fiscalização técnica, verificando cronogramas, qualidade de materiais e desempenho operacional. Essas auditorias serão periódicas ao longo das três décadas de contrato.
Pedágio com sistema Free Flow inicia após a fase inicial de obras
A cobrança de pedágio só poderá começar depois de concluídas as etapas iniciais previstas no contrato, o que deve ocorrer a partir do 12º mês de concessão. O modelo adotado será o Free Flow, tecnologia que elimina praças físicas. O motorista passará pelos pórticos sem parar; o débito ocorrerá via tag eletrônica ou pela plataforma digital disponibilizada pela concessionária.
Esse formato atende à necessidade de manter o fluxo contínuo de caminhões da cadeia de celulose, evitando filas e reduzindo emissões provenientes de paradas frequentes. A implantação do sistema acontecerá simultaneamente em todos os eixos rodoviários da concessão, garantindo padronização.
Para usuários sem tag, o pagamento poderá ser feito em ambiente online da concessionária, que disponibilizará consulta de passagens e formas de quitação. O contrato prevê penalidades em caso de atraso na ativação ou mau funcionamento do sistema.
Próximos passos: assinatura do contrato e avanço das frentes de trabalho
A assinatura formal do contrato entre o governo estadual e o Consórcio Caminhos da Celulose está programada para ocorrer em Inocência. Esse ato marcará juridicamente o início pleno da outorga, permitindo o avanço de novas frentes de obra além daquelas já iniciadas na MS-040.
Com o documento em vigor, o consórcio ampliará a contratação de mão de obra local, política já adotada na instalação de sua sede em Campo Grande. A expectativa é que a execução simultânea nos cinco eixos rodoviários acelere a entrega dos primeiros 150 quilômetros recuperados dentro do horizonte dos 100 dias iniciais.
A partir desse ponto, o usuário deverá acompanhar o cronograma de duplicações, cujo destaque é o trecho Campo Grande–Ribas do Rio Pardo, na BR-262, previsto para ser concluído dentro dos oito primeiros anos da concessão.

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