Rosé rompe barreiras com “APT.” e leva k-pop à disputa histórica por um Grammy

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APT., single solo da vocalista Rosé, integrante do grupo de k-pop Blackpink, chega à noite do Grammy como forte candidato nas categorias gerais e pode transformar a presença sul-coreana na maior premiação da música mundial.
- Ascensão de “APT.”: dos estúdios de Seul ao topo das paradas
- A noite em que “APT.” nasceu: origem informal de um hit global
- Bruno Mars e “APT.”: colaboração decisiva para o acabamento final
- Indicada ao Grammy: por que “APT.” marca um ponto de virada para o k-pop
- Impacto comercial de “APT.” nas plataformas digitais
- Próximos passos: o que esperar de Rosé após “APT.”
Ascensão de “APT.”: dos estúdios de Seul ao topo das paradas
O caminho percorrido por APT. até alcançar repercussão mundial começou em Seul, onde Rosé vinha trabalhando em material inédito para sua jornada solo fora do Blackpink. Lançada em outubro de 2024 pela Atlantic Records, a faixa tornou-se, em 2025, a terceira canção mais ouvida no Spotify em todo o planeta. No YouTube, o videoclipe ultrapassou 2,3 bilhões de visualizações e superou o ritmo de crescimento registrado por “Gangnam Style”, de Psy. O desempenho impulsionou a obra ao topo da Billboard Global 200 por 12 semanas consecutivas e ainda lhe rendeu o prêmio de Canção do Ano no Video Music Awards (VMA).
Com esses números, Rosé ultrapassou uma marca que até então permanecia distante de artistas de k-pop. Trata-se de visibilidade consistente em territórios além da Ásia, aspecto comprovado pela presença prolongada da música em classificações que contabilizam streams e downloads em 200 mercados diferentes, incluindo Estados Unidos e Brasil.
A noite em que “APT.” nasceu: origem informal de um hit global
Embora a trajetória pública de APT. seja repleta de recordes, a gênese do single teve tom despretensioso. Em uma sessão de estúdio, Rosé e outros compositores sentiram o ritmo de trabalho arrefecer. Para quebrar a monotonia, ela apresentou aos colegas um jogo de bebida muito popular entre jovens sul-coreanos. O passatempo, chamado “apateu” — sigla coloquial para “apartamento” — consiste em empilhar as mãos dos participantes como andares de um prédio; quem ficar no “andar” anunciado bebe uma dose de soju.
Durante a brincadeira, o coro “apateu, apateu” ecoou repetidamente e prendeu a atenção do grupo criativo. Naquele momento surgiu a ideia de transformar o cântico no refrão de uma faixa pop. As primeiras demos ficaram arquivadas por cerca de um ano, até que a cantora assinou contrato com a Atlantic Records e recebeu o conselho de escolher três músicas-demo para oferecer a uma colaboração externa.
Bruno Mars e “APT.”: colaboração decisiva para o acabamento final
A gravadora percebeu que Rosé era admiradora do trabalho de Bruno Mars, artista norte-americano conhecido por recordes de vendas, prêmios Grammy anteriores e sucessos dançantes como “Uptown Funk”. Os produtores sugeriram enviar material para avaliar a possibilidade de uma parceria. A princípio, Rosé hesitou em incluir APT. no pacote, temendo que a proposta fosse informal demais ou soasse infantil por dialogar com um jogo etílico. No derradeiro momento, trocou uma das faixas escolhidas e anexou a gravação provisória do hit.
O retorno foi imediato. Mars quis entender o significado da sigla no título e manifestou interesse em participar da produção. A partir daí, ele contribuiu com ajustes na estrutura rítmica, adicionou vocais em inglês para ampliar a comunicação global e colaborou na concepção do videoclipe. Esse envolvimento também influenciou o nome do álbum de estreia solo de Rosé, “Rosie”. Recursos técnicos, como a fusão de batidas eletrônicas com arranjos retrô, foram decisivos para o apelo da faixa em pistas e plataformas.
Indicada ao Grammy: por que “APT.” marca um ponto de virada para o k-pop
Com a força combinada de números comerciais, repercussão crítica e apoio de Bruno Mars, APT. recebeu três indicações ao Grammy. A canção concorre em Música do Ano, Gravação do Ano e Melhor Performance Pop em Duo ou Grupo. Os rivais diretos incluem “Abracadabra”, de Lady Gaga, “DTMF”, de Bad Bunny, e “Golden”, interpretada pelo grupo fictício “Guerreiras do K-pop”.
Até então, o k-pop acumulava apenas indicações pontuais. O grupo BTS, por exemplo, foi lembrado duas vezes na categoria Melhor Performance Pop em Duo ou Grupo com as faixas em inglês “Dynamite” e “Butter”, mas não venceu. Caso Rosé triunfe, será a primeira artista da Coreia do Sul a conquistar um gramofone dourado nas divisões principais da premiação. Tal façanha sinalizaria aceitação institucional da música sul-coreana em palcos dominados tradicionalmente por produções ocidentais.
Além de impactar a trajetória de Rosé, um eventual prêmio tende a aumentar a exposição de todo o ecossistema cultural coreano, que já alcançou o Brasil por meio de k-dramas, culinária e do próprio k-pop. O reconhecimento é visto como avanço no diálogo intercultural, pois legitima a presença de idiomas múltiplos e coloca artistas asiáticos no mesmo patamar de seus pares americanos e europeus.
Impacto comercial de “APT.” nas plataformas digitais
Dados públicos reforçam o alcance expressivo do single. No Spotify, a faixa encerrou 2025 como a terceira mais reproduzida do mundo, atrás apenas de sucessos globais de outros gêneros. Já na Billboard Global 200, manteve liderança por quase três meses, demonstrando capilaridade em mercados diversos. No YouTube, a quebra do recorde de “Gangnam Style” em velocidade para atingir bilhões de visualizações simboliza a evolução do consumo de conteúdo de k-pop na década.
O resultado incide diretamente sobre o desempenho de Rosé em turnês. Durante série de shows de Bruno Mars no Brasil, a cantora fez participações para promover APT., surpreendendo fãs que não imaginavam revê-la no país após apresentações anteriores com o Blackpink. A presença reforçou a estratégia de integrar públicos distintos: o de Mars, consolidado no pop, e o de Rosé, oriundo do k-pop.
Próximos passos: o que esperar de Rosé após “APT.”
Com cerimônia marcada para a noite de domingo, 1º de janeiro, o Grammy definirá se Rosé transformará indicações em conquista efetiva. Independentemente do resultado, a cantora já anunciou planos de seguir divulgando o álbum “Rosie” e considera novas colaborações internacionais. A relação duradoura com a Atlantic Records permite acesso a compositores e produtores que já trabalharam com nomes como Ed Sheeran e Cardi B, o que sinaliza continuidade na estratégia de mesclar elementos coreanos e ocidentais.
O interesse de mercados como Brasil, Estados Unidos e Reino Unido por conteúdo sul-coreano permanece em alta. Se a artista converter o favoritismo de APT. em vitórias, a tendência é que a agenda internacional se intensifique e sirva de vitrine para outros cantores que buscam trajetória semelhante. Observadores da indústria apontam que, mesmo em caso de derrota, três indicações em categorias nobres já abrem portas para futuras campanhas de k-pop no Grammy.
O próximo instante decisivo ocorre na transmissão ao vivo da premiação, quando serão revelados os vencedores de Música do Ano, Gravação do Ano e Melhor Performance Pop em Duo ou Grupo. Até lá, APT. permanece como o maior símbolo da possibilidade concreta de um artista do k-pop levantar um Grammy pela primeira vez.

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