Reunião da OEA sobre Venezuela escancara divisão hemisférica após ação militar dos EUA

Reunião da OEA sobre Venezuela escancara divisão hemisférica após ação militar dos EUA

A Reunião da OEA sobre Venezuela, convocada em caráter extraordinário, transformou o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos em palco de posições frontalmente opostas sobre a recente operação militar norte-americana em território venezuelano, que incluiu bombardeios em Caracas e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Sem emitir resoluções nem avançar em negociações formais, a sessão desta terça-feira (6) limitou-se a exposições individuais, mas deixou cristalina a polarização política no continente americano.

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Reunião da OEA sobre Venezuela: exposição de uma polarização hemisférica

O encontro foi solicitado após a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, ocorrida poucos dias antes. Participaram representantes dos 34 Estados-membros ativos da OEA e de países observadores, porém a Venezuela, embora conste oficialmente na lista da organização, não apresentou delegação credenciada. Ao longo das intervenções, governantes alinhados a Washington elogiaram a ofensiva militar, enquanto outra ala denunciou a violação da soberania venezuelana e cobrou soluções diplomáticas.

Não houve votação, minuta ou declaração consensual. O formato evidenciou a ausência de unidade no bloco: cada missão diplomática leu posicionamentos previamente preparados, deixando para uma data ainda indefinida qualquer tentativa de mediação coletiva. Foi a primeira sessão da OEA dedicada ao tema depois da operação norte-americana, o que conferiu ao debate forte carga simbólica, mesmo sem consequências práticas imediatas.

Reunião da OEA sobre Venezuela: vozes que apoiam a intervenção militar

Quatro governos declararam apoio explícito à iniciativa estadunidense. Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador, todos próximos a Washington em diferentes graus, classificaram o ataque e o sequestro de Maduro como passo decisivo contra o que chamaram de “narcoterrorismo” que afetaria a região. Na visão dos porta-vozes desses países, o colapso institucional venezuelano estaria diretamente ligado à expansão do crime organizado, tornando-se ameaça transfronteiriça.

A delegação argentina destacou a “determinação” do governo norte-americano e expressou confiança de que a operação represente ponto de virada dentro do continente. Já o Equador sustentou que a paz não se obtém apenas por meio de resoluções diplomáticas, mas por ações concretas, e se solidarizou com vítimas da crise venezuelana. Paraguai e El Salvador alinharam discurso semelhante, associando a liderança chavista a violações de direitos humanos e a um regime que, em sua leitura, teria rompido a ordem democrática.

Embora se posicionem no mesmo bloco, esses países não anunciaram medidas adicionais, tampouco ofereceram apoio militar direto. Limitou-se, portanto, a um respaldo político que reforça a narrativa estadunidense, mas não altera por si só o equilíbrio de forças na América Latina.

Reunião da OEA sobre Venezuela: defensores da soberania rejeitam bombardeios

Na direção oposta, Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras denunciaram a incursão militar de Washington como grave ruptura do direito internacional. O representante brasileiro classificou os bombardeios e o sequestro do chefe de Estado como transgressão inaceitável à soberania venezuelana e advertiu para o precedente perigoso que se instauraria caso a comunidade hemisférica convalidasse tais atos.

O governo mexicano, igualmente crítico, descreveu a intervenção como agressão unilateral e apelou para uma reflexão responsável baseada no multilateralismo e na preservação da paz regional. Chile, Colômbia e Honduras ecoaram a necessidade de mediação diplomática, sugerindo que a OEA, a Organização das Nações Unidas e outras instâncias possam facilitar diálogo entre as partes em conflito.

Nenhum dos cinco países, entretanto, apresentou proposta formal durante a sessão. A mensagem principal foi a defesa do princípio de não-intervenção e o repúdio ao uso da força para solucionar impasses políticos internos.

Relação conturbada entre OEA e Venezuela impede manifestação oficial

A ausência de uma delegação venezuelana decorre de uma década de atritos entre Caracas e a OEA. Em 2017, o governo de Nicolás Maduro comunicou a retirada do país da organização, alegando ingerência externa e acusações infundadas de autoritarismo. Dois anos depois, a entidade passou a reconhecer como representante legítimo o enviado indicado por Juan Guaidó, então presidente da Assembleia Nacional e autodeclarado vencedor das eleições presidenciais de 2018.

Com o enfraquecimento da oposição ao chavismo, nenhum novo emissário foi aceito pelo Conselho Permanente, deixando a Venezuela num limbo institucional. O impasse explica por que, mesmo figurando na lista de membros, o país não pôde ocupar cadeira nem responder às acusações sobre violações de direitos e ruptura democrática. Na prática, Caracas permanece excluída dos debates em um momento crítico de sua história política.

Secretariado da OEA evita posição direta e exalta multilateralismo

O secretário-geral Antonio Albert Ramdin tratou de balancear seu pronunciamento. Sem endossar nem rejeitar abertamente a operação norte-americana, elogiou a exposição de argumentos de todos os países e reafirmou a relevância do multilateralismo hemisférico. Ao mencionar a importância do respeito ao direito internacional, à soberania dos Estados e à ordem constitucional, enviou sinal de crítica indireta aos EUA. Simultaneamente, reforçou que uma Venezuela democrática e estável seria benéfica para toda a região, mensagem interpretada como recado à liderança de Maduro.

Ramdin também propôs que a OEA esteja preparada para apoiar uma eventual transição institucional profunda, mediante observação eleitoral, assistência técnica e fortalecimento de entidades públicas venezuelanas. Contudo, não especificou calendário ou mecanismo para colocar essa oferta em prática, mantendo o discurso no campo das intenções.

Disputa geopolítica entre Estados Unidos e China emerge no debate

Além da divisão latino-americana, a reunião expôs a rivalidade global entre Washington e Pequim. O embaixador estadunidense Leandro Rizzuto apontou a China, ao lado de Irã, Rússia, Hezbollah e Cuba, como interessada em controlar recursos naturais venezuelanos, especialmente suas extensas reservas petrolíferas. O representante declarou não admitir que adversários extrarregionais utilizem o país como base de operações.

A diplomata chinesa presente à sessão rejeitou as acusações, classificando-as como infundadas e desnecessárias. Na réplica, afirmou que a parceria sino-venezuelana respeita legislações nacionais e o direito internacional, enquanto o uso da força pelos EUA violaria princípios básicos da coexistência pacífica e colocaria em risco a estabilidade continental.

Esse embate verbal reforçou a percepção de que a crise venezuelana ultrapassa fronteiras regionais e converge com disputas estratégicas de potência global, agravando o desafio diplomático da OEA.

Próximos passos após a Reunião da OEA sobre Venezuela

Concluído o encontro sem deliberação, os Estados-membros deverão decidir, em data ainda não definida, se convocam nova sessão para tratar da crise ou se remetem o tema a instâncias como a Assembleia Geral da organização. Até lá, permanece a contraposição entre apoio tácito à ação estadunidense e defesa da soberania venezuelana pelas chancelarias que se opuseram ao bombardeio. Qualquer avanço dependerá de negociações de bastidores que, por ora, não se materializaram em proposta formal.

Enquanto isso, observadores internacionais acompanham os desdobramentos da intervenção dos Estados Unidos e a situação do presidente Nicolás Maduro sob custódia, fatores que continuarão a pautar a agenda regional nas próximas semanas.

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