Polícia apreende computadores de vereador acusado de exploração sexual em Praia Grande e perícia deve analisar conversas digitais

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Vereador acusado de exploração sexual de adolescentes em Praia Grande, no litoral sul de São Paulo, teve computadores e mídias removíveis apreendidos pela Polícia Civil durante operação de busca e apreensão realizada em diferentes endereços ligados a ele. O material recolhido será encaminhado para análise pericial que pretende verificar indícios de aliciamento virtual dos menores.
- Mandados de busca reforçam investigação sobre vereador acusado de exploração sexual
- Como surgiram as denúncias que envolvem o vereador acusado de exploração sexual
- Materiais apreendidos e etapas da perícia digital
- Reação da Câmara Municipal de Praia Grande diante do vereador acusado de exploração sexual
- Linhas de defesa e alegações de armação política
- Lei Felca: projeto apresentado pelo vereador agora é contextualizado pelo caso
Mandados de busca reforçam investigação sobre vereador acusado de exploração sexual
Na manhã de sexta-feira, 19, equipes da Delegacia de Defesa da Mulher e do setor de investigação da Polícia Civil cumpriram ordens judiciais em três pontos associados ao parlamentar Diego Gomes Vieira, de 31 anos, filiado ao PRD: a sede da Câmara Municipal de Praia Grande, o diretório político situado no bairro Samambaia e a residência particular do investigado. Os mandados foram expedidos após a formalização de uma denúncia que cita a oferta de dinheiro e presentes a dois adolescentes de 15 e 16 anos em troca de favores sexuais.
Durante a ação, os agentes recolheram dois computadores de mesa, um notebook e seis pen drives. Segundo a corporação, todos os dispositivos serão periciados para rastrear possíveis conversas, imagens ou transações que corroborem as suspeitas de aliciamento virtual. Embora os policiais também buscassem o telefone celular de Vieira, o político declarou que o aparelho estava em posse de seu advogado, Marco Antonio da Silva, que não comentou a apreensão até o momento.
Como surgiram as denúncias que envolvem o vereador acusado de exploração sexual
O inquérito teve início nove dias antes da operação, quando a mãe de um rapaz de 16 anos procurou a Central de Polícia Judiciária de Praia Grande. Acompanhada da advogada Mayra Solani, a responsável apresentou prints de uma conversa de teor sexual travada em rede social, na qual o perfil atribuído ao vereador oferecia dinheiro em troca de sexo oral. O adolescente relatou assédio virtual que, segundo ele, se estendia por pelo menos duas semanas.
Durante o registro, o celular do jovem foi apreendido para conservação das provas. Pouco depois, um segundo menino, de 15 anos, afirmou ter recebido mensagens similares, incluindo o envio de foto íntima atribuída ao parlamentar com incentivo para reciprocidade. Diante de novos indícios, Solani protocolou representação no Ministério Público e passou a incentivar pais de possíveis vítimas a checarem as interações on-line dos filhos, sobretudo aqueles que seguem ou conhecem o político.
Materiais apreendidos e etapas da perícia digital
Conforme procedimento padrão, os equipamentos eletrônicos apreendidos serão catalogados e lacrados antes de serem encaminhados ao Instituto de Criminalística. Peritos especializados em crimes cibernéticos deverão clonar discos rígidos, analisar históricos de navegação, recuperar mensagens apagadas e verificar a existência de arquivos de imagens ou vídeos com conteúdo ilícito. Os relatórios técnicos servirão de base para eventual pedido de quebra de sigilo de contas em plataformas digitais.
Além dos dispositivos de Vieira, o celular do primeiro adolescente já se encontra em avaliação pericial. A Polícia Civil deve comparar metadados, horários de conexão e endereços de IP para confirmar a autoria das conversas atribuídas ao vereador. Caso sejam detectados elementos suficientes de crime, o Ministério Público poderá oferecer denúncia formal à Justiça, abrindo caminho para possível ação penal.
Reação da Câmara Municipal de Praia Grande diante do vereador acusado de exploração sexual
Em nota oficial, o Legislativo municipal comunicou que não recebeu, até o momento, notificação judicial sobre o caso, mas manifestou disposição para cooperar integralmente com as autoridades. O texto menciona compromisso com “transparência e legalidade” e ressalta que quaisquer medidas internas observarão o Código de Ética e Decoro Parlamentar, o Regimento Interno e a Lei Orgânica. A declaração sinaliza que eventual processo disciplinar dependerá de tramitação formal após comunicação da Justiça ou do Ministério Público.
A liderança partidária do PRD na Casa não se pronunciou publicamente, e sessões ordinárias seguem mantidas. Entretanto, a apreensão de equipamentos dentro do gabinete gerou expectativa de debates sobre a permanência de Vieira em comissões ou em votações estratégicas futuras.
Linhas de defesa e alegações de armação política
Por meio de vídeo divulgado em redes sociais, Diego Gomes Vieira classificou as suspeitas como “armação política rasteira” e reforçou que enfrentou tentativa frustrada de cassação de mandato na Justiça Eleitoral. Ele agradeceu mensagens de apoio de eleitores e pediu que a população aguarde a conclusão das investigações “sem juízo antecipado”.
Seu advogado, Marco Antonio da Silva, afirmou em nota anterior que a defesa não teve acesso aos autos nem às informações veiculadas na imprensa. Ainda segundo o defensor, “todas as medidas legais cabíveis” serão adotadas para resguardar a honra do parlamentar. A defesa sustenta que se manifestará somente após a consulta integral dos autos e nega, de forma categórica, qualquer prática de exploração sexual.
Lei Felca: projeto apresentado pelo vereador agora é contextualizado pelo caso
Antes da abertura do inquérito, Diego Gomes Vieira ganhou destaque pela autoria da chamada Lei Felca (nº 2.282/2025) em Praia Grande. A norma instituiu a campanha Maio Laranja no calendário oficial do município com o objetivo de combater a violência sexual contra crianças e adolescentes, sobretudo no ambiente on-line. Entre as metas previstas pela lei estão: sensibilizar a sociedade sobre consequências do abuso sexual, incentivar denúncias, fortalecer a rede de proteção às vítimas e orientar pais e filhos sobre riscos virtuais como pornografia infantil e grooming.
O projeto leva o nome de Felipe Bressanim Pereira, criador de conteúdo digital conhecido por denunciar casos de exploração infanto-juvenil na internet. Sancionada em outubro de 2025, a lei foi apresentada como resposta local ao aumento de ocorrências virtuais de aliciamento. A vinculação de Vieira a medidas de prevenção contrasta agora com as suspeitas que recaem sobre ele, fator que amplia a repercussão do inquérito.
No momento, a investigação permanece em fase de coleta de provas, e os laudos periciais dos dispositivos eletrônicos apreendidos determinarão os próximos passos processuais.

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