Pesquisa do Procon-SP mostra que preço de material escolar varia até 276% em São Paulo

Preço de material escolar é o fator que mais preocupa pais e responsáveis quando chegam as compras de volta às aulas, e um estudo recém-divulgado pelo Procon-SP confirma que a atenção é necessária: a diferença de valores de um mesmo item alcançou 276% na cidade de São Paulo.
- Variação do preço de material escolar na capital paulista
- Divergências no preço de material escolar no interior paulista
- Como o preço de material escolar pesa no orçamento familiar
- Recomendações do Procon-SP para reduzir o preço de material escolar
- Metodologia do levantamento e alcance dos dados
- Próximos passos para quem vai enfrentar o preço de material escolar
Variação do preço de material escolar na capital paulista
O levantamento, realizado em dezembro e tornado público nesta sexta-feira, analisou o quanto um produto idêntico pode custar mais ou menos dependendo do bairro em que é adquirido. A maior disparidade ficou por conta de uma caneta esferográfica específica. Enquanto uma papelaria situada na zona norte da capital cobrava R$ 1,30, outra loja, localizada na região central, pedia R$ 4,90 pelo mesmo artigo. A diferença numérica traduz-se em 276% de variação, percentual que, embora se refira a apenas um utensílio, sinaliza impacto relevante quando multiplicado por todos os itens exigidos pela lista escolar.
Ao detalhar o cenário da capital, o órgão de defesa do consumidor enfatizou que a coleta de preços contemplou nove estabelecimentos posicionados em diferentes pontos da cidade. Dessa forma, a amostra permite enxergar o contraste que pais, mães e estudantes podem encontrar ao circular por zonas com perfis socioeconômicos distintos. Mesmo sem alterar marca, modelo ou especificação, a simples escolha de onde comprar mostrou-se determinante para o peso final no bolso.
Divergências no preço de material escolar no interior paulista
O fenômeno não se restringe à capital. Nos municípios do interior analisados, a discrepância também apareceu. Em Presidente Prudente, um marca-texto idêntico foi encontrado por valores que oscilaram entre R$ 1,95 e R$ 4,20. A variação, nesse caso, alcançou 115%. Já em Ribeirão Preto, um apontador apresentou diferença de 196%: o preço mínimo observado foi de R$ 3,20, enquanto o máximo chegou a R$ 9,50. Esses exemplos ilustram que os consumidores do interior enfrentam desafios semelhantes aos da metrópole na tarefa de equilibrar o orçamento escolar.
Além dessas cidades, a equipe do Procon-SP percorreu estabelecimentos em Bauru, Campinas, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba e na região da Baixada Santista. Embora o órgão não divulgue cada percentual individual nesse resumo, a extensão geográfica do estudo oferece um panorama amplo sobre como as diferenças de precificação permeiam todo o estado.
Como o preço de material escolar pesa no orçamento familiar
Um dos alertas do Procon-SP é que valores aparentemente modestos — como a economia de poucos centavos em uma caneta ou de um real em um marca-texto — ganham magnitude quando se consideram as dezenas de produtos presentes em uma lista típica. Entre apontador, borracha, caderno, giz de cera, cola, lápis de cor, lápis preto, papel sulfite, régua, tesoura e outros, a soma pode extrapolar com facilidade o planejado por famílias que, em muitos casos, possuem mais de um filho em idade escolar.
O órgão observa que o reajuste anual de matrículas, transporte e alimentação já onera o orçamento doméstico. Acrescentar despesas evitáveis por falta de pesquisa amplia o risco de endividamento ou de cortes em outras áreas essenciais. Portanto, a recomendação é clara: comparar preços não é mera precaução, mas estratégia indispensável de controle financeiro.
Recomendações do Procon-SP para reduzir o preço de material escolar
Para mitigar o impacto das divergências observadas, o Procon-SP sugere um conjunto de práticas. A primeira delas é a pesquisa de preços em diferentes lojas físicas e virtuais antes da compra definitiva. O consumidor pode, por exemplo, usar circulares, aplicativos e sites comparadores para mapear valores sem percorrer grandes distâncias.
Outra orientação envolve avaliar se o estabelecimento concede desconto em compras de grandes quantidades. Pais e responsáveis podem formar grupos e negociar valores menores em função do volume adquirido. Essa estratégia coletiva costuma resultar em abatimentos significativos que dificilmente seriam oferecidos ao comprador individual.
Também vale atenção às condições de pagamento. Algumas papelarias adotam preços distintos conforme o meio escolhido, como pix, dinheiro, cartão de débito ou crédito. Verificar previamente se há acréscimo ou desconto diante de cada método impede surpresas no caixa e pode representar economia adicional.
O Procon-SP aconselha ainda a revisitar materiais guardados do ano letivo anterior. Lápis parcialmente usados, mochilas em bom estado ou cadernos com folhas sobrantes podem ser reutilizados, reduzindo a lista de itens a adquirir. A prática, além de aliviar o gasto, contribui para a redução de resíduos e para o consumo consciente.
Metodologia do levantamento e alcance dos dados
O estudo contemplou 134 itens comumente solicitados pelas instituições de ensino. Entre eles estavam apontadores, borrachas, cadernos, canetas esferográficas, giz de cera, colas, lápis de cor, lápis preto, papel sulfite, réguas e tesouras. A coleta ocorreu diretamente nos pontos de venda, garantindo a verificação in loco dos preços anunciados aos consumidores.
Na capital paulista, a amostragem de nove papelarias distribuídas por todas as regiões trouxe representatividade geográfica. Esse modelo permitiu registrar variações não apenas entre bairros, mas também entre realidades socioeconômicas distintas. Já no interior e no litoral, o órgão selecionou cidades-polo para retratar o comportamento de mercado em áreas densamente povoadas e economicamente relevantes.
Todos os valores obtidos passaram por consolidação estatística, procedimento que resultou nos percentuais de diferença agora divulgados. Os dados completos, incluindo a listagem integral dos produtos e os preços mínimos, médios e máximos, permanecem disponíveis para consulta no site do Procon-SP.
Próximos passos para quem vai enfrentar o preço de material escolar
Com os números em mãos, consumidores podem planejar as compras das próximas semanas de forma racional. O Procon-SP manterá o estudo acessível para que pais, responsáveis e estudantes avaliem alternativas antes de fechar qualquer negócio. Dessa maneira, cada família poderá optar pela loja mais vantajosa, negociar descontos coletivos ou adaptar a lista às possibilidades financeiras sem comprometer o aprendizado.
O relatório integral, contendo as 134 referências avaliadas em todas as regiões pesquisadas, segue disponível no portal do Procon-SP para consulta pública.

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