Mortes no trânsito em São Paulo atingem 1.034 em 2025 e alcançam o segundo maior patamar em dez anos

Mortes no trânsito em São Paulo atingem 1.034 em 2025 e alcançam o segundo maior patamar em dez anos
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Mortes no trânsito em São Paulo voltaram a superar a marca de um milhar em 2025, ano em que a capital registrou 1.034 óbitos em vias públicas, segundo dados do Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito de São Paulo (Infosiga SP). O resultado coloca o período como o segundo mais letal da última década, atrás apenas de 2015, quando foram computadas 1.101 vítimas, e ligeiramente acima de 2024, que somou 1.029 ocorrências fatais.

Índice

Evolução das mortes no trânsito em São Paulo ao longo da década

O acompanhamento histórico do Infosiga SP mostra que, entre 2015 e 2025, somente três anos ultrapassaram a barreira de mil óbitos: 2015, 2024 e 2025. Após o pico de 1.101 registros em 2015, houve um período de declínio, mas a tendência se reverteu gradualmente. Em 2024, a capital voltou a sentir um crescimento expressivo, chegando a 1.029 casos. Em 2025, o acréscimo de cinco vítimas em relação ao ano anterior consolidou o quadro de alta e manteve o índice acima de mil mortes, evidenciando uma trajetória que, nos últimos dois anos, contrasta com esforços anteriores de redução.

Comparar 2025 com 2015 revela uma diferença de 67 óbitos a menos, o que representa uma redução de cerca de 6,1% em dez anos. Entretanto, a proximidade dos números confirma que os níveis atuais se equiparam aos momentos mais críticos do período analisado, exigindo atenção redobrada das autoridades e da sociedade civil.

Perfil das vítimas e distribuição das mortes no trânsito em São Paulo

Entre as 1.034 mortes registradas, os motociclistas lideraram as estatísticas com 475 ocorrências, o equivalente a aproximadamente 45,9% do total. Em seguida aparecem os pedestres, com 410 vítimas (39,7%). Motoristas e passageiros de automóvel somaram 85 casos (8,2%), ciclistas responderam por 35 (3,4%), e ocupantes de caminhões e ônibus contabilizaram, cada um, seis óbitos (0,6% em cada categoria). Outros meios de transporte reuniram duas vítimas (0,2%), enquanto 15 registros (1,5%) não tiveram a informação do modal especificada.

Do ponto de vista de gênero, 82% dos falecidos eram homens, proporção que representa cerca de 848 pessoas, e 18% eram mulheres, algo em torno de 186 casos. A discrepância confirma uma tendência historicamente observada nas estatísticas de sinistros de trânsito, nas quais o público masculino aparece mais exposto a situações de maior risco.

Faixas etárias e dias da semana com maior concentração de mortes no trânsito em São Paulo

A faixa etária de 25 a 29 anos concentrou o maior volume de óbitos em 2025, refletindo o grupo de jovens adultos em fase de maior mobilidade para trabalho e lazer. Logo depois, apareceram as idades de 20 a 24 anos, seguidas por 40 a 44 anos. Esses recortes etários demonstram que o impacto atinge tanto pessoas em início de carreira quanto indivíduos em plena vida profissional.

Quanto à distribuição semanal, o domingo foi o dia mais letal, com 180 ocorrências. Sexta-feira totalizou 154 mortes e sábado registrou 151, indicando um padrão no qual finais de semana e vésperas são momentos críticos. O comportamento coletivo nesses dias costuma envolver deslocamentos de lazer, maior circulação noturna e possível ocorrência de fatores como fadiga ou consumo de álcool, fatores que elevam o risco de acidentes fatais.

Motivos apontados para o aumento das mortes no trânsito em São Paulo

Para o urbanista e arquiteto Flaminio Fichmann, membro do Instituto de Engenharia, o crescimento das mortes no trânsito em 2025 está ligado, principalmente, ao aumento do uso de motocicletas observado desde a pandemia de covid-19 e à migração de usuários do transporte coletivo para meios individuais. Esse deslocamento de demanda teria reduzido a quantidade de passageiros em metrô, trens e ônibus, reconhecidamente mais seguros, e incrementado a presença de veículos particulares nas vias, cenário em que as colisões e atropelamentos são mais frequentes.

O especialista pondera ainda que a malha viária da capital não dispõe de espaço para receber um volume cada vez maior de viagens individuais. Segundo ele, o crescimento do transporte por motocicletas e automóveis gera congestionamentos, agrava a poluição do ar e pressiona o sistema público de saúde com internações decorrentes de sinistros. Diante desse quadro, Fichmann defende políticas públicas voltadas ao estímulo do transporte coletivo, o que, além de reduzir a exposição individual ao risco, aliviaria outras externalidades negativas, como engarrafamentos e emissões de poluentes.

Medidas da Prefeitura para reduzir as mortes no trânsito em São Paulo

Em resposta ao desempenho negativo de 2025, a Prefeitura informa ter adotado um conjunto de ações para fortalecer a segurança viária. Entre elas, destacam-se as Áreas Calmas, regiões em que o limite de velocidade é restringido a 30 km/h, e as Rotas Escolares Seguras, destinadas a proteger crianças e adolescentes nos deslocamentos até as unidades de ensino. A municipalidade menciona, ainda, a redução de velocidades em vias de alto fluxo, a ampliação do tempo de travessia semafórica para pedestres e a instalação de mais de 10 mil faixas de pedestres, travessias elevadas e minirrotatórias.

Para complementar, o Programa Operacional de Segurança concentra intervenções em locais com maior incidência de acidentes, buscando diminuir colisões e atropelamentos por meio de engenharia de tráfego, sinalização reforçada e fiscalização direcionada. O Plano de Metas Municipal acrescenta duas iniciativas: a implantação de tempo integral nos semáforos de pedestres situados em vias com canteiro central, evitando longas esperas na metade do trajeto, e as chamadas Frentes Seguras, área delimitada antes da linha do semáforo onde motociclistas aguardam a abertura do sinal com maior visibilidade, reduzindo conflitos com carros e pedestres.

Com esses projetos, a administração busca frear a tendência de alta e reconduzir os indicadores a níveis inferiores à marca de mil mortes anuais. As ações abrangem engenharia, educação e fiscalização, três pilares considerados essenciais por entidades de trânsito para resultados sustentáveis.

O relatório do Infosiga SP encerra lembrando que as intervenções em curso permanecerão sob análise ao longo de 2026, quando novos dados permitirão verificar se as medidas adotadas surtiram efeito na redução das mortes no trânsito.

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