Lula sanciona Orçamento de 2026 com veto ao reajuste do Fundo Partidário

Lula sanciona Orçamento de 2026 com veto ao reajuste do Fundo Partidário

Orçamento de 2026 foi oficialmente sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a exclusão de 26 trechos aprovados pelo Congresso Nacional, entre eles o que ampliava o Fundo Partidário. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que serve de referência para a execução das contas públicas foi divulgada em edição extra do Diário Oficial da União em 31 de janeiro, confirmando um volume total de cerca de R$ 6,5 trilhões para o próximo exercício financeiro.

Índice

Estrutura geral do Orçamento de 2026

O texto sancionado fixa o montante global de receitas e despesas federais em aproximadamente R$ 6,5 trilhões. Dentro desse universo, a Lei indica que 28 % dos orçamentos fiscal e da seguridade social serão destinados exclusivamente ao pagamento de juros da dívida pública, desembolso que alcança R$ 1,82 trilhão. Além disso, um teto agregado de R$ 2,4 trilhões foi estabelecido para as despesas dos Três Poderes, valor que corresponde ao limite máximo que Executivo, Legislativo e Judiciário podem comprometer ao longo do ano.

Ao concentrar quase um terço dos recursos na quitação de encargos financeiros, o planejamento reflete o peso da dívida na estrutura fiscal brasileira. Mesmo sem criar novos programas ou alterar alíquotas, essa alocação consome espaço relevante do orçamento discricionário, fator que influencia a margem de manobra para políticas públicas e investimentos futuros.

Metas fiscais inseridas no Orçamento de 2026

No campo das metas, o Orçamento de 2026 traz projeção de superávit primário de R$ 34,26 bilhões, com possibilidade de alcançar R$ 68,52 bilhões se as receitas se comportarem acima do previsto. A legislação do arcabouço fiscal, entretanto, considera a meta cumprida mesmo com resultado nulo, conferindo flexibilidade à gestão das contas. Paralelamente, a LDO autoriza déficit de até R$ 6,75 bilhões, limite que atua como colchão de segurança caso ocorram frustrações de arrecadação.

O texto ressalva ainda que despesas de investimento do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) — até o limite de R$ 5 bilhões — não serão contabilizadas no cálculo da meta de déficit primário. A exclusão procura preservar a capacidade de financiar obras de infraestrutura mesmo em cenários de restrição fiscal, evitando que a contabilidade das metas inviabilize aportes considerados estratégicos.

Destinação de recursos e regras de reajuste salarial

No que diz respeito à remuneração dos trabalhadores, a LDO assegura que o valor do salário mínimo será corrigido anualmente a partir da combinação entre a inflação medida pelo INPC e a regra de valorização em vigor. Para 2026, o piso nacional foi fixado em R$ 1.621 a partir de 1.º de janeiro. A medida procura preservar o poder de compra e manter a trajetória de ganhos reais sempre que houver crescimento do Produto Interno Bruto.

O texto também determina limite para reajustes de benefícios como auxílio-alimentação, auxílio-refeição e assistência pré-escolar pagos pelos Três Poderes, pelo Ministério Público da União e pela Defensoria Pública da União. Esses valores não poderão ser reajustados em porcentagem superior à variação acumulada do IPCA desde a última revisão. A regra visa impedir que gastos administrativos cresçam acima da inflação oficial, contribuindo para a contenção de despesas obrigatórias.

Emendas parlamentares no Orçamento de 2026

Outra parcela relevante do Orçamento de 2026 refere-se às emendas individuais e coletivas apresentadas por deputados e senadores. O valor total reservado chega a aproximadamente R$ 61 bilhões. Desse montante, R$ 37,8 bilhões correspondem a emendas impositivas, cuja execução é obrigatória. As emendas individuais concentram R$ 26,6 bilhões e as de bancada estadual, R$ 11,2 bilhões.

Na prática, essas emendas possibilitam que parlamentares destinem recursos a projetos, obras e programas em estados e municípios de sua escolha. A previsão orçamentária funciona como instrumento de descentralização de verbas federais, mas também exige acompanhamento de execução para assegurar que os gastos respeitem critérios técnicos e legais definidos pelo próprio orçamento.

Vetos presidenciais e justificativas apresentadas

Os 26 vetos registrados pelo Executivo foram formalmente explicados em mensagem encaminhada ao Congresso Nacional. O principal ponto barrado elimina o aumento do Fundo Partidário, verba usada por legendas para financiar campanhas e atividades administrativas. Segundo o governo, a elevação proposta reduziria recursos destinados a outras despesas da Justiça Eleitoral e ultrapassaria o limite fixado para despesas primárias, tornando-se incompatível com as regras fiscais.

Também foi removido do texto o dispositivo que autorizava o pagamento de emendas a projetos ainda sem licença ambiental prévia ou sem projeto de engenharia definido. Na avaliação do Executivo, tais documentos são requisitos indispensáveis para iniciar a execução física das obras, e sua ausência poderia causar aplicação de recursos em empreendimentos inviáveis ou sem assegurada regularidade técnica.

Outro veto impede a reativação de emendas não pagas entre 2019 e 2023, conhecidas como restos a pagar. O governo argumenta que a reabertura desses compromissos contraria o Decreto n.º 93.872, de 1986, que define prazos de validade para liquidação de despesas empenhadas e não executadas. A decisão busca evitar que obrigações expiradas retornem ao orçamento, o que ampliaria despesas sem previsão.

Por fim, o presidente suprimiu trecho que tornava não contingenciáveis despesas relacionadas à fiscalização de agências reguladoras, defesa agropecuária, inclusão de mulheres em iniciativas de transição energética e apoio à educação de pessoas com altas habilidades. Conforme a justificativa enviada, impedir o bloqueio dessas verbas reduziria a flexibilidade orçamentária dos órgãos, dificultando a gestão em caso de necessidade de ajuste.

Próximos passos para a execução do Orçamento de 2026

Com a sanção e a publicação da LDO, o ciclo orçamentário entra na fase de execução, que se inicia em 1.º de janeiro de 2026. A partir dessa data, passam a vigorar o salário mínimo de R$ 1.621, o limite global de despesas de R$ 2,4 trilhões e todas as metas fiscais estipuladas. O governo federal deverá agora acompanhar a arrecadação e adequar a liberação de verbas às metas e tetos definidos, enquanto o Congresso avaliará eventuais mensagens de crédito suplementar ou projetos de lei necessários para ajustar dotações durante o ano.

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