Lula critica ações dos EUA na Venezuela e alerta para riscos ao multilateralismo

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Lula critica ações dos EUA na Venezuela ao apontar que os bombardeios realizados em território venezuelano no início de janeiro, bem como a captura do presidente do país, configuram grave abalo no sistema multilateral construído após a Segunda Guerra Mundial.
- Lula critica ações dos EUA na Venezuela e questiona uso da força unilateral
- Aplicação seletiva das normas internacionais preocupa o presidente
- Lula critica ações dos EUA na Venezuela ao lembrar impacto sobre a América Latina
- Agenda regional: integração econômica para enfrentar desafios comuns
- Cooperação com Estados Unidos e respeito à autodeterminação da Venezuela
- Próximos passos para a ordem multilateral e a região
Lula critica ações dos EUA na Venezuela e questiona uso da força unilateral
No texto publicado em um importante jornal norte-americano, o presidente brasileiro narra os acontecimentos que motivaram sua manifestação: aeronaves dos Estados Unidos teriam efetuado ataques dentro da Venezuela e, na mesma operação, tomado sob custódia o chefe do Executivo venezuelano. Para Lula, esse episódio representa mais um momento de deterioração das regras que regulam o emprego da força entre Estados, já que teria sido conduzido sem autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
O ponto central de sua argumentação reside na ideia de que a força militar deveria ocupar lugar de absoluta exceção nas relações internacionais. Quando grandes potências recorrem a ela de forma recorrente, sustenta o mandatário, erodem-se os pilares da segurança coletiva que, desde 1945, buscaram substituir a lógica dos conflitos armados pela da solução pacífica de controvérsias.
Aplicação seletiva das normas internacionais preocupa o presidente
Ao desenvolver o argumento, Lula expressa receio de que normas válidas para todos passem a ser aplicadas conforme conveniência dos atores mais poderosos. Esse comportamento, em sua visão, gera um estado de anomia — ausência de regras claras — que enfraquece simultaneamente os Estados individualmente considerados e a própria estrutura de governança global. Sem previsibilidade jurídica, afirma ele, a construção de sociedades livres, inclusivas e democráticas torna-se inviável.
O presidente admite que líderes podem e devem ser responsabilizados por eventuais violações à democracia ou aos direitos fundamentais. Entretanto, considera ilegítimo que um país, isoladamente, se autoconceda o papel de juiz, promotor e executor. Para além da dimensão jurídica, Lula chama atenção para as consequências práticas dessas iniciativas: insegurança em cadeias de comércio, retração de investimentos, pressões migratórias e enfraquecimento dos mecanismos estatais de combate a delitos transnacionais, como o crime organizado.
Lula critica ações dos EUA na Venezuela ao lembrar impacto sobre a América Latina
O mandatário brasileiro sublinha que, em mais de dois séculos de história independente, a América do Sul jamais havia sofrido um ataque militar direto dos Estados Unidos. Por isso, considera o episódio um divisor de águas na relação entre Washington e os países sul-americanos. A seu ver, levar instabilidade para a região contraria valores defendidos há décadas pelos vizinhos, baseados na igualdade soberana dos Estados, na recusa ao uso da força e na autodeterminação dos povos.
Ele destaca que a América Latina e o Caribe, com população superior a 660 milhões de habitantes, possuem agenda própria e ambições legítimas no cenário multipolar. Nesse contexto, nenhum governo da área deveria ter suas opções de política externa questionadas simplesmente por defender relações universais com diferentes polos de poder. Ao afirmar que “não seremos subservientes a empreendimentos hegemônicos”, Lula sinaliza que vê o episódio venezuelano como alerta para toda a região.
Agenda regional: integração econômica para enfrentar desafios comuns
Para além da crítica, o presidente propõe construção de uma agenda positiva capaz de aproximar países com orientações ideológicas distintas. Entre as prioridades elencadas, aparecem investimentos em infraestrutura física — rodovias, ferrovias e portos — e em conectividade digital. Tais empreendimentos, aponta ele, gerariam empregos qualificados, ampliariam a renda da população e dariam novo impulso ao comércio intrarregional, considerado estratégico para reduzir dependências externas.
Lula inclui nesse rol de ações conjuntos esforços de combate à fome, à pobreza, ao tráfico de drogas e às mudanças climáticas. Segundo o texto, essas frentes exigem mobilização de recursos financeiros, tecnológicos e humanos que nenhum país consegue reunir isoladamente. A coordenação regional, portanto, aparece como caminho para que a América Latina e o Caribe transformem riqueza natural e capital humano em desenvolvimento sustentável.
Cooperação com Estados Unidos e respeito à autodeterminação da Venezuela
Mesmo após criticar os bombardeios, o governante brasileiro não descarta diálogo com Washington. Ele observa que Brasil e Estados Unidos constituem as duas maiores democracias em população do continente e, por isso, compartilham responsabilidades. Na avaliação do Palácio do Planalto, parcerias em comércio, atração de investimentos e enfrentamento ao crime organizado continuam fundamentais para ambos os lados.
Em relação à Venezuela, Lula reforça que o futuro político deve permanecer exclusivamente nas mãos da sociedade venezuelana. Um processo inclusivo, conduzido internamente, é apontado como única via capaz de restabelecer democracia e estabilidade. O Brasil, que divide mais de 1.300 quilômetros de fronteira terrestre com seu vizinho, pretende manter cooperação em segurança e em projetos de desenvolvimento, preservando simultaneamente a autodeterminação de Caracas.
Próximos passos para a ordem multilateral e a região
A manifestação de Lula, publicada em 18 de janeiro de 2026, incorpora-se a um debate global sobre reformas na governança internacional e sobre o papel das potências em ambientes regionais. Enquanto repercussões políticas e diplomáticas se desdobram, países latino-americanos observam com atenção a evolução do caso venezuelano e os posicionamentos que virão do Conselho de Segurança da ONU nas próximas sessões agendadas para discutir crises no continente.

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