Institutos federais de saúde inauguram novos serviços e ampliam atendimento no Rio de Janeiro

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Os institutos federais de saúde instalados no Rio de Janeiro iniciaram, na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, uma nova etapa de funcionamento ao colocar em operação serviços que reforçam o atendimento especializado oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital fluminense. As mudanças incluem a abertura de uma ala pediátrica no Instituto Nacional do Câncer (Inca), a instalação de um Centro de Atenção em Ortobiológicos no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e a implementação de um complexo de genômica e telessaúde no Instituto Nacional de Cardiologia (INC). Todas as iniciativas fazem parte de um programa de requalificação coordenado pelo Ministério da Saúde, sustentado por aporte financeiro de aproximadamente R$ 170 milhões e pelo reforço de recursos humanos.
- Institutos federais de saúde reforçam assistência de alta complexidade
- Nova ala pediátrica amplia capacidade do Inca
- Into inaugura Centro de Atenção em Ortobiológicos e expande leitos
- Instituto Nacional de Cardiologia aposta em genômica e telessaúde
- Investimentos públicos impulsionam o programa Agora Tem Especialistas
- Meta de 100% de leitos e salas cirúrgicas até o fim do semestre
Institutos federais de saúde reforçam assistência de alta complexidade
A rede federal de unidades hospitalares no Rio de Janeiro reúne instituições de referência nacional em oncologia, ortopedia e cardiologia. A estratégia de modernização anunciada pelo Ministério da Saúde busca maximizar esse potencial, elevando a capacidade operacional a níveis considerados ideais. Entre as metas divulgadas está a ocupação total dos leitos de enfermaria a partir de fevereiro e a utilização plena das salas cirúrgicas até o encerramento do primeiro semestre de 2026.
De acordo com o cronograma oficial, o aumento projetado de procedimentos cirúrgicos resultará em crescimento expressivo: o total anual deverá superar 12 mil intervenções, em comparação às 7 mil realizadas em 2025, número que já representava recorde histórico para a rede.
Nova ala pediátrica amplia capacidade do Inca
O Instituto Nacional do Câncer, reconhecido como principal centro de tratamento oncológico do país, colocou em funcionamento um espaço exclusivo para crianças e adolescentes. A estrutura foi desenhada para integrar segurança assistencial, acolhimento familiar e conveniência operacional em um único ambiente. As equipes multidisciplinares estão capacitadas para atender cerca de 80 pacientes infanto-juvenis diariamente, contemplando consultas, acompanhamento ambulatorial, exames e procedimentos de diversas especialidades oncológicas.
O projeto de ambientação levou em conta recomendações de humanização hospitalar, incluindo áreas lúdicas, quartos adaptados para o pernoite de responsáveis, além de circuitos internos que reduzem deslocamentos entre exames, consultas e terapias. Segundo dados oficiais, o fluxo concentrado no mesmo pavimento deve encurtar o tempo de circulação dos pacientes e racionalizar o uso de recursos de apoio, como enfermagem e serviço social.
Into inaugura Centro de Atenção em Ortobiológicos e expande leitos
No Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, o destaque fica por conta do novo Centro de Atenção em Ortobiológicos. O serviço oferece terapias avançadas que utilizam substâncias obtidas do próprio organismo do paciente, a exemplo de plasma rico em plaquetas e concentrados celulares, para estimular cicatrização, controlar inflamações e postergar desgaste de tecidos musculoesqueléticos. O procedimento é indicado para casos que vão de lesões crônicas em tendões a artrite degenerativa, evitando cirurgias mais invasivas em determinados perfis clínicos.
Paralelamente, o instituto federal de saúde recebeu reforço de 200 profissionais, distribuídos entre áreas médicas, de enfermagem, fisioterapia e suporte técnico. Essa contratação possibilitou a reabertura de 40 leitos de enfermaria e de cinco salas cirúrgicas que estavam ociosas por falta de pessoal. Com a retomada, o Into visa reduzir filas de espera por cirurgias ortopédicas eletivas, historicamente entre as mais longas do SUS, sobretudo para próteses de quadril e joelho.
Instituto Nacional de Cardiologia aposta em genômica e telessaúde
O INC incorporou três avanços estratégicos: um serviço de sequenciamento genético, um Centro de Telessaúde e um Observatório de Saúde Cardiovascular. O sequenciamento genético permitirá analisar perfis moleculares relacionados a cardiopatias hereditárias, oferecendo subsídios para diagnósticos precoces e direcionamento terapêutico mais preciso. Já o Centro de Telessaúde funcionará como hub para teleconsultas, telemonitoramento e educação médica continuada, favorecendo regiões sem acesso a especialistas em cardiologia.
O Observatório de Saúde Cardiovascular, por sua vez, será responsável por consolidar dados epidemiológicos, indicadores de desempenho clínico e resultados de pesquisa. A sistematização das informações tende a orientar políticas públicas e aprimorar protocolos assistenciais internos.
Investimentos públicos impulsionam o programa Agora Tem Especialistas
A modernização dos institutos federais de saúde integra o programa nacional Agora Tem Especialistas, iniciativa voltada a ampliar a oferta de atendimento especializado em todas as regiões brasileiras. Para viabilizar as mudanças no Rio, o Ministério da Saúde destinou cerca de R$ 170 milhões, aplicados em reforma estrutural, compra de equipamentos de alta tecnologia e capacitação de equipes.
Outro eixo financeiro envolve a contratação de 2.059 profissionais por meio de convênio com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O reforço de pessoal atende a múltiplas demandas: aumento da produtividade cirúrgica, cobertura de escalas de plantão e expansão de serviços diagnósticos. A expectativa oficial é de que o acréscimo na força de trabalho garanta a sustentabilidade do novo patamar de produção assistencial previsto para 2026.
Meta de 100% de leitos e salas cirúrgicas até o fim do semestre
O Ministério da Saúde definiu como linha de base operacional o preenchimento integral de todos os recursos disponíveis na rede federal do Rio. A partir de fevereiro, a totalidade dos leitos de enfermaria deverá estar ativa, maximizando a internação de pacientes encaminhados pela Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade. Até o final do primeiro semestre, a projeção é alcançar uso pleno das salas cirúrgicas, o que permitirá saltar de uma média mensal de 580 para 1.000 procedimentos.
A consolidação desses números representa o próximo ponto de verificação para o programa de requalificação. Caso o cronograma se cumpra, a rede federal de saúde no Rio de Janeiro encerrará o semestre com indicadores de produção nunca alcançados desde a sua criação.

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