Hugh Jackman mergulha em ‘Song Sung Blue’ e revela Neil Diamond muito além de ‘Sweet Caroline’

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Hugh Jackman volta aos cinemas nesta quinta-feira (29) com “Song Sung Blue”, longa em que interpreta o cantor de beira de estrada Mike Sardina, um artista decidido a provar que o repertório de Neil Diamond ultrapassa o rótulo de “um hit só” associado a “Sweet Caroline”. A produção, dirigida por Craig Brewer, apresenta um drama musical que toca em temas como vício, memória e sobrevivência artística, ao mesmo tempo em que celebra a diversidade sonora de um compositor que permanece ativo nos estúdios mesmo após deixar as turnês.
- Hugh Jackman conduz drama que questiona rótulos sobre Neil Diamond
- Da Broadway às estradas: jornada vocal de Hugh Jackman e Mike Sardina
- Neil Diamond além de “Sweet Caroline”: repertório refletido no enredo
- Kate Hudson, Craig Brewer e o apoio que cerca Hugh Jackman no filme
- Estreia de ‘Song Sung Blue’ marca novo capítulo de Hugh Jackman nos cinemas
Hugh Jackman conduz drama que questiona rótulos sobre Neil Diamond
No centro da narrativa está a insatisfação de Mike Sardina com a simplificação da carreira de Neil Diamond. Embora “Sweet Caroline” tenha se tornado um hino de estádios e o primeiro grande sucesso do músico, o filme mostra como Sardina, vivido por Hugh Jackman, constrói suas apresentações a partir de versões que abrangem toda a trajetória do compositor. Canções como “America”, que aborda o tema da imigração para os Estados Unidos, e faixas de viés espiritual como “Soolaimon” e “Holy Holly” são usadas para demonstrar a amplitude criativa de Diamond, hoje com 84 anos.
Ao assumir o papel, Jackman se depara com a tarefa de desmontar a ideia de que uma única canção define um artista. O próprio enredo trata a música-título, “Song Sung Blue”, como convite para cantar a tristeza e encontrar alívio, tema que reflete o dilema do protagonista: lidar com traumas da Guerra do Vietnã enquanto busca reconhecimento num circuito de bares.
Da Broadway às estradas: jornada vocal de Hugh Jackman e Mike Sardina
Assim como Neil Diamond iniciou-se na Broadway antes de ganhar o mundo pop, Hugh Jackman possui trajetória marcada por versatilidade entre palcos e telas. Famoso pela interpretação do anti-herói Wolverine, o ator equilibra sua carreira cinematográfica com turnês musicais que percorrem os Estados Unidos, reunindo canções de marcos teatrais e números extraídos de filmes como o circense “O Rei do Show”. Essas apresentações exigem do artista acrobacias, como pular corda em cena, que dialogam com a energia que ele imprime em Sardina.
Jackman destaca que compartilha extensão vocal parecida com a de Diamond e descreve o estudo das canções do compositor como exercício para explorar áreas da própria voz. No filme, essa afinidade aparece quando Sardina insiste em reproduzir cada mudança de dinâmica dos originais, reforçando a ideia de que as versões cover podem ser tão exigentes quanto a criação autoral.
Neil Diamond além de “Sweet Caroline”: repertório refletido no enredo
Embora “Sweet Caroline” tenha sido escrita para a segunda esposa de Diamond e permaneça símbolo de celebrações esportivas, o roteiro recorre a outras composições para demonstrar facetas menos conhecidas do autor. “America”, por exemplo, surge como panorâmica sobre o sonho de migrar para solo norte-americano, enquanto “Crunchy Granola Suite” traz tom descontraído ao descrever a dieta de um “homem da natureza”.
O filme exibe ainda momentos em que suas músicas ganham ares quase litúrgicos. Sequências centradas em “Soolaimon” e “Holy Holly” transformam o palco que Mike e Claire Sardina ocupam — a dupla Thunder e Lightning — em espaço de louvor, reforçando a ideia defendida por Craig Brewer de que a música tem poder de resgatar memórias e sensações. Para o diretor, o interesse de parte do público se explica justamente pela vontade de homenagear pais e parentes que se emocionavam com as canções de Diamond, consolidando a força nostálgica do repertório.
Kate Hudson, Craig Brewer e o apoio que cerca Hugh Jackman no filme
Ao lado de Jackman, Kate Hudson interpreta Claire Sardina, mulher marcada por um acidente traumático que encontra na arte forma de reconstrução pessoal. Conhecida por papéis cômicos como o de “Como Perder um Homem em 10 Dias”, a atriz se afasta dos estigmas de sua filmografia ao incorporar personagem que lida com vício e vergonha. A atuação lhe rendeu indicação ao Oscar de melhor atriz, evidenciando uma guinada dramática em sua carreira.
Hudson e Jackman formam Thunder e Lightning, dupla cover reconhecida por interpretar tanto os sucessos quanto as raridades de Neil Diamond. A parceria funciona como rede de apoio para enfrentar as limitações impostas pelo alcoolismo de Mike e pela instabilidade financeira dos shows em bares. Brewer ressalta que, dentro da história, o sistema de suporte coletivo se torna instrumento para quebrar ciclos de vergonha, não apenas no campo artístico, mas em qualquer comunidade que se forma em torno de objetivos comuns.
Estreia de ‘Song Sung Blue’ marca novo capítulo de Hugh Jackman nos cinemas
“Song Sung Blue” chega ao circuito brasileiro com classificação indicativa de 14 anos. Produzido nos Estados Unidos e ambientado em 2025, o longa é inspirado em fatos reais retratados no documentário independente de Greg Kohs, disponível para aluguel no site do próprio cineasta. A passagem do material documental para a ficção aprofunda dramas pessoais, mas mantém o cerne da história: a dedicação de um casal aos versos de Neil Diamond.
O elenco reúne, além de Hugh Jackman e Kate Hudson, a jovem Ella Anderson, ampliando o escopo familiar do enredo. Para Jackman, a produção representa oportunidade de unir suas habilidades de intérprete musical a um papel que demanda carga dramática intensa, consolidando a fase em que o ator alterna protagonismos de super-herói com personagens ligados à canção.
A estreia nesta quinta-feira (29) firma “Song Sung Blue” como mais um movimento de Jackman no sentido de explorar diferentes registros e reafirmar que, assim como Neil Diamond, um artista não deve ser resumido a um único sucesso.

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