Grupo Especial do Rio abre Carnaval com Portela, Mangueira e tributos a Lula e Ney Matogrosso

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No próximo domingo, 15, o Grupo Especial do Rio inicia a temporada de desfiles no Sambódromo da Marquês de Sapucaí com quatro apresentações consecutivas. A noite reúne duas das maiores campeãs do carnaval carioca, Portela e Mangueira, a já consagrada Imperatriz Leopoldinense e a estreante Acadêmicos de Niterói. Cada agremiação levará à avenida um enredo dedicado a uma personalidade marcante, transformando a passarela em tributo a Luiz Inácio Lula da Silva, Ney Matogrosso, Custódio Joaquim de Almeida e Joaquim Borges da Silva.
- Expectativa para a abertura do Grupo Especial do Rio
- Acadêmicos de Niterói estreia no Grupo Especial do Rio com homenagem a Lula
- Imperatriz Leopoldinense leva Ney Matogrosso para o centro da Sapucaí
- Portela destaca o Príncipe do Bará e o legado africano no Grupo Especial do Rio
- Mangueira encerra a noite exaltando Mestre Sacaca e a Amazônia Negra
- Horários e ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio no domingo
Expectativa para a abertura do Grupo Especial do Rio
A largada do Grupo Especial do Rio concentra atenção especial por colocar frente a frente escolas de diferentes trajetórias. De um lado, Portela ostenta 22 títulos e retorna em busca de nova vitória depois do último campeonato em 2017; de outro, Mangueira carrega 20 conquistas e quer relembrar o troféu levantado em 2019. Entre elas, a Imperatriz Leopoldinense chega com nove campeonatos, o mais recente em 2023. Completando o quadro, a Acadêmicos de Niterói faz sua primeira aparição entre a elite após vencer a Série Ouro no ano anterior, circunstância que adiciona suspense ao início da competição.
Os desfiles também funcionam como vitrine para quatro enredos que percorrem linhas históricas, políticas, artísticas e religiosas. O formato demonstra a diversidade temática que tem caracterizado o carnaval contemporâneo, unindo memória, resistência cultural e celebração popular em narrativas visuais e musicais.
Acadêmicos de Niterói estreia no Grupo Especial do Rio com homenagem a Lula
A Acadêmicos de Niterói inaugura a noite às 22h, logo após o tradicional período de aquecimento que começa às 21h45. Sem títulos no grupo principal, a novata aposta no enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O tema percorre dez momentos da vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde a infância em Garanhuns, no agreste pernambucano, passando pela migração forçada para São Paulo durante a seca de 1952 e culminando na chegada à Presidência da República.
Entre os pontos destacados estão o símbolo do pé-de-mulungu como metáfora de esperança, as greves do ABC paulista que impulsionaram a formação de um partido de trabalhadores e a retomada do cargo máximo do Executivo como sinal de continuidade de políticas de combate à pobreza. A escola utiliza as cores azul e branco e apresenta samba composto por nove autores, interpretado por Emerson Dias. A comissão de frente é assinada por Marlon Cruz e Handerson Big, enquanto a bateria comandada pelo mestre Branco tem Vanessa Rangeli como rainha.
Imperatriz Leopoldinense leva Ney Matogrosso para o centro da Sapucaí
Entre 23h20 e 23h30 começa o desfile da Imperatriz Leopoldinense, que propõe o enredo “Camaleônico”, inspirado na carreira multifacetada de Ney Matogrosso. Conhecida por seu canto agudo e performances que desafiaram convenções de gênero desde a década de 1970, a personalidade homenageada surge em dez cenas que sublinham a constante metamorfose artística. A narrativa aborda a fusão de masculino e feminino, o enfrentamento da censura durante o regime militar e a celebração da liberdade latino-americana.
Utilizando verde, branco e ouro, a Imperatriz promete estampar plumas, maquiagens e referências à natureza tropical que marcaram a estética do artista. A condução musical ficará a cargo do intérprete Pitty de Menezes, e a bateria liderada pelo mestre Lolo terá a cantora Iza como rainha. O carnavalesco Leandro Vieira estrutura alegorias que representam desde o “homem primitivo” até o “pavão místico” mencionado na obra de Ney, reforçando o caráter de figura híbrida que atravessa estilos musicais entre o popular e o experimental.
Portela destaca o Príncipe do Bará e o legado africano no Grupo Especial do Rio
Na transição entre 0h55 e 1h15, é a vez da Portela, terceira a desfilar. Com a credencial de maior vencedora em atividade, a azul e branca apresenta “O mistério do príncipe do Bará – a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”. O enredo gira em torno de Custódio Joaquim de Almeida, príncipe africano vindo do atual Benim e exilado no Rio Grande do Sul durante o século XIX.
A comissão de carnaval formada por Júnior Schall, Higor Machado e Claudinho Portela construiu dez quadros que incluem: a travessia forçada do Atlântico, o sincretismo representado pelo orixá Bará, a fusão de nações africanas nos pampas e a transmissão simbólica da coroa ao Negrinho do Pastoreio. A Portela reforça a herança de batuques, quilombos e manifestações religiosas que se fixaram no sul do país, sob o comando do intérprete Zé Paulo Sierra e da bateria do mestre Vitinho, consagrada pelos tradicionais surdos de terceira.
Mangueira encerra a noite exaltando Mestre Sacaca e a Amazônia Negra
Entre 2h30 e 3h, a Estação Primeira de Mangueira fecha a programação dominical. O enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra” enfoca Joaquim Borges da Silva, curandeiro reconhecido no Amapá como Mestre Sacaca. A narrativa se desenvolve em dez eixos que vão do ritual afro-indígena Turé, onde Sacaca é invocado, à fusão entre saberes de povos quilombolas, comunidades ribeirinhas e etnias indígenas da região.
O roteiro destaca os rios amazônicos como corredores de memória, o uso de ervas na medicina tradicional e a intersecção entre liturgia católica e culto de terreiro na Missa dos Quilombos. Sob a direção do carnavalesco Sidnei França, a verde e rosa realiza um passeio por marabaixo, batuque e outras expressões culturais que afirmam a identidade tucuju. Dowglas Diniz interpreta o samba, enquanto a bateria dos mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão desfila ao redor da rainha Evelyn Bastos.
Horários e ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio no domingo
A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) definiu a seguinte sequência e janela de início para as quatro agremiações de domingo:
21h45 – Aquecimento da Acadêmicos de Niterói
22h00 – Acadêmicos de Niterói
Entre 23h20 e 23h30 – Imperatriz Leopoldinense
Entre 0h55 e 1h15 – Portela
Entre 2h30 e 3h00 – Estação Primeira de Mangueira
Cada escola dispõe de tempo regulamentar para completar o percurso, e a pontuação obtida nesta primeira noite contará para o resultado final do Grupo Especial do Rio. Outras oito agremiações, distribuídas entre segunda-feira, 16, e terça-feira, 17, completarão o calendário antes da apuração.
Com o cronograma confirmado, o público aguarda a concentração das baterias e alegorias no acesso ao Sambódromo para acompanhar a abertura oficial do Grupo Especial do Rio na noite de 15 de fevereiro.

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