Golpistas usam encomendas inesperadas para roubar dados e dinheiro

Golpistas usam encomendas inesperadas para roubar dados e dinheiro
Getting your Trinity Audio player ready...

Receber um pacote que nunca foi solicitado deixou de ser apenas uma curiosidade para se tornar um sinal de alarme. Investigadores de cibersegurança identificaram a expansão de esquemas que recorrem a encomendas surpresa para obter informação pessoal, aplicar cobranças indevidas e infiltrar malware em dispositivos.

Índice

Esquema “brushing”: da manipulação de avaliações ao roubo de dados

A fraude tem origem no denominado “brushing”, prática iniciada em plataformas de comércio electrónico chinesas. Vendedores criam contas falsas, compram bases de dados vazadas com nome, morada e telefone de terceiros e registam pedidos fictícios. O produto é enviado gratuitamente ao destinatário, permitindo que o comerciante publique críticas positivas e suba nos rankings de venda.

O método evoluiu. Actualmente, as embalagens podem incluir QR codes ou números de apoio ao cliente impressos no exterior. Ao digitalizar o código ou ligar para o contacto, a vítima é direccionada para páginas que capturam credenciais bancárias ou instalam software malicioso. A técnica foi baptizada de quishing – uma versão do phishing que aproveita códigos QR.

Novas variantes: cobranças na porta e dispositivos adulterados

Outra adaptação do golpe elimina o envio físico. Os criminosos enviam SMS ou e-mails a comunicar uma tentativa de entrega falhada, acompanhados de um QR code ou link para reagendamento. Qualquer interacção basta para recolher palavra-passe ou dados de cartão de crédito.

Há ainda o modelo “pague ao receber”. Um estafeta, legítimo ou cúmplice, apresenta um pacote e exige um valor inferior ao encontrável no mercado, pressionando a decisão com urgência. O cliente paga, normalmente em numerário ou transferência rápida, e recebe um artigo contrafeito ou sem valor. Quando a cobrança é recusada, os burlões podem solicitar um “código de verificação” sob o pretexto de cancelar o pedido; o código, na realidade, conclui a compra fraudulenta online.

Casos mais sofisticados recorrem a dispositivos electrónicos adulterados. Em 2023, proprietários de carteiras de criptomoedas Ledger receberam pendrives enviados pelo correio, supostamente para substituição de unidades defeituosas. O acessório escondia malware concebido para capturar a frase-semente – a chave de recuperação da carteira – permitindo o desvio de activos digitais. Grupos como o FIN7 já recorreram a táctica semelhante para instalar ransomware em empresas, utilizando pens USB enviados em correspondência.

Riscos para o consumidor

Qualquer entrega não solicitada indica, desde logo, que informação pessoal circula em bases de dados clandestinas. O simples acto de digitalizar um QR code pode expor:

  • Palavras-passe de e-mail e redes sociais;
  • Credenciais bancárias ou de serviços de pagamento;
  • Dados pessoais adicionais usados para engenharia social;
  • Dispositivos a malware que regista teclas, acede à câmara ou injeta anúncios.

Como reduzir o impacto e evitar prejuízos

Especialistas em segurança recomendam uma série de procedimentos imediatos sempre que uma encomenda inesperada surgir:

  • Inspeccionar a embalagem e fotografar todos os lados para eventuais provas.
  • Não digitalizar QR codes nem abrir links ou números impressos no pacote.
  • Recusar pagamentos adicionais e não partilhar códigos de confirmação.
  • Não ligar para números desconhecidos que acompanham avisos de entrega.
  • Evitar ligar pendrives ou qualquer aparelho electrónico não solicitado.
  • Confirmar entregas apenas nos sites oficiais das transportadoras, introduzindo manualmente o número de rastreio.
  • Denunciar o incidente à transportadora e às autoridades competentes, mesmo sem perdas financeiras.

Embora o pacote possa parecer um bónus inesperado, o conteúdo raramente é inofensivo. A expansão do brushing e das suas variantes mostra que os cibercriminosos adaptam métodos tradicionais de publicidade fraudulenta para esquemas mais lucrativos, combinando engenharia social, phishing e malware. A vigilância perante qualquer entrega fora do normal é, por isso, a primeira linha de defesa.

zairasilva

Olá! Eu sou a Zaira Silva — apaixonada por marketing digital, criação de conteúdo e tudo que envolve compartilhar conhecimento de forma simples e acessível. Gosto de transformar temas complexos em conteúdos claros, úteis e bem organizados. Se você também acredita no poder da informação bem feita, estamos no mesmo caminho. ✨📚No tempo livre, Zaira gosta de viajar e fotografar paisagens urbanas e naturais, combinando sua curiosidade tecnológica com um olhar artístico. Acompanhe suas publicações para se manter atualizado com insights práticos e interessantes sobre o mundo da tecnologia.

Conteúdo Relacionado

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK