Tanque do foguete Neutron se rompe em teste de pressão e adia cronograma da Rocket Lab

Tanque do foguete Neutron se rompe em teste de pressão e adia cronograma da Rocket Lab
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O foguete Neutron, projeto de porte médio da Rocket Lab criado para disputar o mercado de lançamentos reutilizáveis, teve o tanque de combustível de seu primeiro estágio destruído durante um teste de pressão hidrostática. O ensaio, realizado na noite de 21 de fevereiro, buscava levar a estrutura ao limite para medir margens de segurança, mas a pressão aplicada ultrapassou o esperado e provocou a ruptura completa do componente.

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Teste estrutural leva tanque do foguete Neutron ao limite

O incidente ocorreu em uma campanha planejada de verificação estrutural. Segundo a empresa, o procedimento tinha como meta aproximar o tanque das condições extremas que enfrentará em voo, quando deverá suportar cerca de 953 mil quilogramas-força (kgf) de empuxo. Ao atingir pressões superiores ao patamar estabelecido, a estrutura metálica não resistiu. Embora o estopim tenha sido a sobrepressão, não houve relato de chamas ou explosões secundárias, e as instalações permaneceram operacionais.

Não foram disponibilizadas imagens oficiais dessa falha, mas a Rocket Lab mencionou episódio semelhante documentado em 2023, quando outro tanque foi levado além do chamado Maximum Expected Operating Pressure (MEOP). A abordagem de “testar até a falha” faz parte do protocolo da companhia para reunir dados de comportamento mecânico, porém a consequência direta é a perda do hardware avaliado.

Objetivo do ensaio hidrostático e margens de segurança do Neutron

O teste hidrostático consiste em encher o tanque com um fluido — normalmente água — e pressurizar até o valor máximo calculado para a operação nominal. A partir desse ponto, incrementos adicionais aferem a margem entre o uso regular e o ponto de ruptura. A Rocket Lab pretendia confirmar que o foguete Neutron toleraria flutuações de pressão durante todas as fases do voo, especialmente na decolagem e no retorno do primeiro estágio para pouso em balsa oceânica.

Embora tenha ocorrido a falha, a equipe afirmou ter coletado “uma riqueza de dados”, expressão recorrente em campanhas em que o hardware é sacrificado para extrair informações detalhadas de deformação, propagação de trincas e resposta dos materiais. Esses parâmetros alimentam modelos de simulação e permitem ajustes nas próximas unidades que já estão em produção.

Consequências imediatas para o programa Neutron

A destruição do tanque obrigou a Rocket Lab a descartar todo o primeiro estágio testado. Apesar de a empresa confirmar que não houve danos relevantes às estruturas próximas, o cronograma do foguete Neutron passa por reavaliação. O voo inaugural, inicialmente marcado para o primeiro trimestre de 2026, é agora considerado improvável dentro desse prazo.

A companhia destacou que o próximo exemplar do primeiro estágio já está em manufatura e deve substituir o que foi perdido. Contudo, será necessário atualizar metas de pressão, revisar procedimentos e, possivelmente, redesenhar partes críticas. Cada etapa adicional de verificação aumenta o intervalo até a campanha de ensaios seguintes, prolongando a espera pelo primeiro lançamento.

Características técnicas do foguete Neutron e comparação com Electron

O foguete Neutron é o veículo mais ambicioso da Rocket Lab, projetado para competir diretamente com modelos reutilizáveis dominantes, como o Falcon 9. Com 43 metros de altura, ele supera em tamanho e capacidade o Electron, atual cavalo de batalha da empresa em missões de pequeno porte.

Entre os destaques do Neutron estão:

Capacidade de carga: até 13 mil quilogramas na órbita baixa da Terra, volume quase dez vezes superior ao Electron.

Propulsão: motores Archimedes, concebidos para oferecer alto empuxo e eficiência em ciclos repetidos de voo.

Reutilização parcial: o primeiro estágio foi desenhado para pousar em uma balsa no oceano após a separação, estratégia que reduz custos operacionais e pretende aumentar a cadência de voos.

O objetivo é atender à demanda crescente por lançamentos de constelações de satélites, cargas governamentais e missões científicas, nicho no qual a SpaceX detém participação expressiva. Ao entrar nesse segmento, a Rocket Lab almeja ampliar sua presença em um mercado onde a confiabilidade e a redução de preço por quilograma lançado são fatores decisivos.

Próximos passos e nova previsão para o voo inaugural

Com o primeiro estágio comprometido, o programa seguirá com o tanque subsequente que se encontra em fase de fabricação. A empresa planeja retomar a campanha de testes após concluir uma revisão completa dos dados obtidos na ruptura e redefinir os limites de pressão a serem aplicados.

O momento exato de retomada e a consequente data de lançamento permanecem indefinidos. A Rocket Lab indicou que fornecerá uma atualização formal durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025, agendada para fevereiro. Até lá, o esforço se concentrará em:

Validação de design: incorporar as lições aprendidas ao projeto estrutural, reforçando pontos mais suscetíveis e ajustando processos de soldagem e tratamento térmico.

Ensaios incrementais: executar testes de menor intensidade para verificar as correções antes de avançar novamente até o MEOP ou além dele.

Integração de sistemas: sincronizar o desenvolvimento dos motores Archimedes, da balsa de pouso e dos sistemas de controle de voo, garantindo que os componentes evoluam no mesmo ritmo.

A expectativa da Rocket Lab é manter o projeto alinhado com as tendências do setor, onde reutilização e versatilidade se tornaram requisitos básicos. Entretanto, cada contratempo como o rompimento do tanque adiciona complexidade ao cronograma e reforça a importância de fases de teste meticulosas.

A próxima informação concreta sobre o voo inaugural do foguete Neutron será divulgada na teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025, prevista para fevereiro.

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