Fim da escala 6x1: governo projeta ganhos de produtividade com redução da jornada

Fim da escala 6x1: governo projeta ganhos de produtividade com redução da jornada
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O fim da escala 6x1 — modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de expediente para um dia de folga — foi defendido pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, nesta quarta-feira (25), durante entrevista ao programa oficial de governo. Segundo o integrante do Executivo, a substituição desse regime por jornadas mais curtas, limitadas a cinco dias de trabalho e dois de descanso, tende a impulsionar a produtividade da economia brasileira, preservar a renda dos empregados e criar condições para que empresas inovem na gestão de pessoas.

Índice

Fim da escala 6x1: entenda a proposta de mudança

O ponto central apresentado pelo governo é a redução da carga semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, acompanhada da extinção da prática de seis dias consecutivos de trabalho. A intenção é instituir, como padrão máximo, um ciclo de cinco dias de serviço seguido por dois de folga. O desenho preliminar inclui período de transição e mecanismos de compensação específicos para micro e pequenas empresas, de forma a evitar choques de custos imediatos.

Na esfera legislativa, o tema tramita em diferentes frentes. Uma delas é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025, protocolada na Câmara dos Deputados no ano passado, que propõe jornada de até 36 horas semanais distribuídas em quatro dias. Outras proposições com teor semelhante aguardam análise. Boulos indicou que há avanço no diálogo com parlamentares e que a votação pode ocorrer ainda no primeiro semestre.

Produtividade e o fim da escala 6x1: evidências apresentadas

Para sustentar a mudança, o ministro recorreu a dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em 2024. O levantamento acompanhou 19 empresas nacionais que, por iniciativa própria, reduziram a duração do expediente. De acordo com o estudo, 72% dessas organizações registraram aumento de receita e 44% passaram a cumprir prazos com maior eficiência. Na leitura do governo, tais resultados sugerem correlação positiva entre jornadas mais curtas e desempenho corporativo, mesmo na ausência de legislação específica.

O raciocínio parte da premissa de que o descanso adequado permite recompor a força de trabalho. Em rotinas de seis dias consecutivos, o único dia livre costuma ser dedicado a tarefas domésticas e de cuidado — sobretudo pelas mulheres —, o que mantém elevado o nível de fadiga dos empregados. Ao chegar menos exausto ao posto, o profissional tende a executar atividades com mais atenção e rapidez, reduzindo erros e desperdícios.

Exemplos internacionais reforçam debate sobre o fim da escala 6x1

Casos ocorridos fora do país também foram citados para ilustrar a tese. No Japão, a filial da Microsoft adotou o regime quatro por três (quatro dias de trabalho e três de descanso) e observou elevação de 40% na produtividade individual, sem prejudicar resultados financeiros. Na Europa, a Islândia oficializou, em 2023, a semana de 35 horas com escala 4x3; dados nacionais indicaram expansão de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e ganho de 1,5% na produtividade do trabalho no primeiro ano de vigência.

Nos Estados Unidos, a dinâmica foi diferente: não houve lei federal, mas ajustes espontâneos reduziram em média 35 minutos diários de jornada nos últimos três anos. Segundo estimativas apresentadas pelo ministro, tal redução coincidiu com crescimento aproximado de 2% na produtividade. Esses exemplos são utilizados pelo governo para demonstrar que a competitividade não depende apenas do número de horas trabalhadas.

Resistência empresarial e transição para o fim da escala 6x1

Setores patronais argumentam que a mudança elevaria custos operacionais, pois seria necessário contratar mão de obra adicional ou implementar horas extras frequentes. O Executivo reconhece a preocupação, mas afirma que o impacto tende a ser “superdimensionado”. Para micro e pequenas empresas, estuda-se um modelo de adaptação que combine redução gradual de jornada com incentivos ou flexibilizações temporárias.

Outro ponto colocado pelo ministério é que a produtividade brasileira não depende apenas do esforço do trabalhador. Segundo Boulos, o setor privado investe pouco em inovação e tecnologia, delegando ao Estado a maior parte das despesas em pesquisa e desenvolvimento. Ao liberar tempo para qualificação profissional, a nova jornada permitiria que funcionários participem de cursos e treinamentos, favorecendo a competitividade sem exigir apenas horas adicionais de serviço.

Taxa de juros e a agenda de produtividade

No mesmo pronunciamento, o ministro relacionou o debate sobre jornadas ao atual patamar da taxa básica de juros. A Selic está fixada em 15% ao ano desde junho do ano passado, nível mais alto desde 2006. Boulos classificou os juros como fator que pressiona especialmente pequenos negócios, muitos deles endividados. Na visão do governo, a redução do custo do capital é condição complementar para que empresas absorvam eventuais ajustes de escala sem comprometer a sustentabilidade financeira.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir em 27 e 28 de janeiro. No comunicado divulgado após a reunião de dezembro, a autarquia mencionou “grande incerteza” e indicou cautela antes de iniciar cortes. Caso a Selic permaneça elevada, o Executivo avalia que medidas de produtividade podem servir como contrapeso, atenuando o efeito dos juros sobre o fluxo de caixa das companhias.

Tramitação legislativa e próximos passos

Com a previsão de encaminhar a proposta de fim da escala 6x1 ao plenário, o governo articula apoio entre líderes partidários para garantir quórum e consenso mínimo. A expectativa oficial é votar o tema até o encerramento do semestre legislativo. Paralelamente, grupos empresariais e centrais sindicais intensificam interlocução para detalhar compensações, escalonamento de prazos e possíveis exceções setoriais.

Se aprovada, a reforma deverá estipular cronograma de implementação, definindo fases de adequação para diferentes portes empresariais. O debate incluirá ainda parâmetros de fiscalização, métodos de controle de ponto e limites para banco de horas, de modo a evitar que o tempo livre obtido com a redução da jornada seja compensado com excesso de horas extras.

Conclusão: agenda econômica segue foco na produtividade

O fim da escala 6x1 tornou-se um dos eixos centrais da política de trabalho do Executivo. A proposta combina redução de jornada, manutenção salarial e incentivo à qualificação, respaldada por estatísticas nacionais e experiências internacionais. Enquanto o Congresso prepara a análise da matéria, o mercado acompanha a reunião do Copom marcada para 27 e 28 de janeiro, próxima data relevante no calendário econômico que pode influenciar os custos de adaptação das empresas.

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