Festival de Teatro Trans e Travesti reúne protagonismo artístico e resistência cultural em São Paulo

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O Festival de Teatro Trans e Travesti abriu as cortinas na unidade Roosevelt da SP Escola de Teatro, em São Paulo, marcando o início de uma programação totalmente gratuita que se estende de terça-feira até sábado. O evento, batizado de FestivaTrans, ocorre durante a semana da visibilidade trans e apresenta obras cênicas, performances musicais e rodas de conversa que abordam vivências de mulheres transexuais e travestis.
- Festival de Teatro Trans e Travesti lança palco de visibilidade na Praça Roosevelt
- Programação diversa do Festival de Teatro Trans valoriza auto-ficção, música e debate
- Atrizes trans consolidadas impulsionam reconhecimento do Festival de Teatro Trans
- Direção artística destaca diálogo direto com o público e pesquisa afro-diaspórica
- Integração ao 14º SP Transvisão amplia alcance educativo contra LGBTFobia
- Formas de acesso, datas e local do Festival de Teatro Trans
Festival de Teatro Trans e Travesti lança palco de visibilidade na Praça Roosevelt
Concentrado na famosa Praça Roosevelt, no número 210, o FestivaTrans é apontado como o primeiro festival nacional dedicado exclusivamente ao teatro protagonizado por artistas trans e travestis. Todas as sessões estão agendadas para as 19 h, oferecendo ao público acesso livre a uma curadoria concebida para amplificar vozes historicamente marginalizadas. A direção artística, assinada pela atriz e autora Luh Maza, tem como objetivo revelar ao grande público “a potência do trabalho que artistas trans e travestis vêm desenvolvendo de forma continuada e séria”, conforme declarações da própria diretora.
Programação diversa do Festival de Teatro Trans valoriza auto-ficção, música e debate
Cada dia do Festival de Teatro Trans e Travesti apresenta um formato específico, mesclando espetáculos completos, ensaios abertos e palestras performáticas. A abertura, na terça-feira, é ocupada por “Encarnación”, obra interpretada por Flow Kountouriotis, mediada por Ave Terrena Alves. Na quarta-feira, o público confere o ensaio aberto “Todas elas em mim”, de Clodd Dias, tributo à força e à resistência das mulheres negras e trans, com mediação de Renata Carvalho. Na quinta-feira, Luh Maza assume o palco com “Transpreto”, performance que entrelaça auto-ficção, música e debate sobre narrativas afro-trans, sob mediação de Daniel Veiga. A sexta-feira exibe “Manifesto Transpofágico”, de Renata Carvalho, questionando estereótipos sobre corpos travestis, com Fabia Mirassos como mediadora. O encerramento, no sábado, traz “Bendita Sois Entre as Mulheres”, de Renata Perón, história de superação e resistência, comentada pela própria Luh Maza como mediadora convidada.
Atrizes trans consolidadas impulsionam reconhecimento do Festival de Teatro Trans
Figuras reconhecidas da cena teatral contemporânea compõem o elenco principal do FestivaTrans. Renata Carvalho, conhecida por seu ativismo cênico em torno da identidade travesti, integra a programação tanto na mediação de diálogos quanto na apresentação de solo próprio. Clodd Dias, intérprete que associa narrativa pessoal à crítica social, dirige um ensaio aberto voltado à reflexão sobre interseccionalidade de gênero e raça. Renata Perón, artista que traz nas canções e dramaturgias experiências de superação, encerra o festival com uma obra centrada em trajetórias de resistência. Já Luh Maza, além de assinar a curadoria, exibe espetáculo que combina discurso autobiográfico e pesquisa sonora. Ao lado dessas atrizes, a produção conta ainda com a participação da cantora, apresentadora e roteirista Paola Valentina Xavier na produção executiva, reforçando o caráter multidisciplinar do projeto.
Direção artística destaca diálogo direto com o público e pesquisa afro-diaspórica
No centro conceitual do Festival de Teatro Trans e Travesti está a aposta de Luh Maza em experiências de cena que convidem à escuta ativa. A performance “Transpreto” ilustra esse enfoque: a artista conversa com a plateia em tempo real, compartilhando memórias de um corpo atravessado simultaneamente por transgeneridade e pretitude. Para potencializar esse encontro, o DJ King de Shango — homem transmasculino dedicado à investigação de sonoridades afro-diaspóricas — executa trilhas ao vivo. O resultado, segundo Maza, é um estado de “transe” que emerge da concentração coletiva, contrapondo-se à dispersão típica das redes sociais.
Integração ao 14º SP Transvisão amplia alcance educativo contra LGBTFobia
O FestivaTrans compõe a grade do 14º SP Transvisão, iniciativa que incentiva ações de prevenção, intervenção e enfrentamento da LGBTFobia. Ao incorporar o festival à programação oficial, a organização reforça o teatro como ferramenta educativa, capaz de estimular reflexão crítica sobre preconceito e exclusão. A presença de palestras mediadas por artistas trans fortalece ainda mais essa diretriz, pois transforma o espaço cênico em fórum de trocas horizontais entre plateia e criadores.
Formas de acesso, datas e local do Festival de Teatro Trans
Todos os espetáculos e conversas ocorrem entre os dias 27 e 31 de janeiro, sempre às 19 h, na SP Escola de Teatro — unidade Roosevelt. Os ingressos gratuitos são reservados pela plataforma Sympla, permitindo que o público garanta lugar antecipadamente. O endereço completo é Praça Roosevelt, 210, região central de São Paulo, área já conhecida pela intensa atividade cultural.
Ao finalizar a série de cinco noites consecutivas, o FestivaTrans deixa como próxima referência da agenda o último dia de apresentações, 31 de janeiro, data marcada pelo solo “Bendita Sois Entre as Mulheres”, de Renata Perón. Esse encerramento simboliza a conclusão de um ciclo que celebra arte, memória e presença de corpos trans no teatro brasileiro.

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