Falta de energia deixa Leme e Copacabana mais de 48 horas no escuro e aciona Procon e Defensoria

Moradores dos bairros do Leme e de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, enfrentam uma falta de energia que já ultrapassa 48 horas, iniciada por volta das 17h do último sábado. A interrupção prolongada levou o Procon Carioca a notificar a concessionária Light e motivou a Defensoria Pública do Estado a ajuizar uma ação civil pública para obrigar o restabelecimento imediato do serviço.
- Falta de energia: como o apagão começou e se prolongou
- Mobilização do Procon Carioca diante da falta de energia
- Exigências de ressarcimento e compensação aos consumidores
- Atuação da Defensoria Pública e ingresso na Justiça
- Impactos econômicos e sociais nos bairros afetados
- Transparência, segurança e questionamentos à concessionária
- Próximos passos e prazo para resposta da Light
Falta de energia: como o apagão começou e se prolongou
O desligamento teve início no fim da tarde de sábado, afetando simultaneamente moradores, comerciantes e serviços essenciais dos dois tradicionais bairros cariocas. Segundo relatos recebidos por órgãos de defesa do consumidor, a previsão inicial divulgada pela concessionária indicava que o fornecimento seria normalizado ainda no domingo pela manhã. No entanto, a maior parte dos pontos continuava sem eletricidade até a manhã da segunda-feira.
Durante o período, apenas alguns trechos viram o serviço retornar de forma intermitente, sem garantia de estabilidade. A ausência de energia elétrica impactou elevadores, bombas de água, sistemas de segurança e comunicações, deixando condomínios residenciais e estabelecimentos comerciais vulneráveis e sem operação plena.
Mobilização do Procon Carioca diante da falta de energia
Diante das dezenas de denúncias registradas, o Procon Carioca expediu notificação à Light na segunda-feira, concedendo 24 horas para o envio de informações detalhadas sobre as causas da falha, o cronograma de reparo e um plano de compensação aos usuários afetados. O órgão ressaltou que a interrupção, além de prolongada, transcorreu sem comunicação adequada ao consumidor, violando o Código de Defesa do Consumidor.
Entre as explicações solicitadas estão: motivos técnicos para o apagão, medidas adotadas para prevenir ocorrências futuras, métodos de atendimento emergencial à população e mecanismos de ressarcimento. A notificação prevê multa caso os esclarecimentos não sejam apresentados dentro do prazo.
Exigências de ressarcimento e compensação aos consumidores
Na mesma notificação, o Procon determinou que a empresa elabore mecanismos de ressarcimento por perda de alimentos perecíveis e dano a eletrodomésticos, bem como a aplicação de abatimento proporcional no valor das próximas faturas. De acordo com o órgão, a falta de energia por mais de 48 horas configura falha grave na prestação de serviço essencial, exigindo reparação integral dos prejuízos.
O Procon também enfatizou que a energia elétrica é indispensável para a conservação de alimentos, funcionamento de equipamentos médicos e manutenção de atividades comerciais. O prolongamento da interrupção, nesses casos, ultrapassa o inconveniente e passa a provocar danos patrimoniais e riscos à saúde e segurança da população.
Atuação da Defensoria Pública e ingresso na Justiça
Paralelamente à atuação administrativa do Procon, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro acompanhou o caso desde a manhã de domingo, quando recebeu as primeiras manifestações de moradores. O Núcleo de Defesa do Consumidor manteve contato com a Light durante todo o dia, obtendo promessas sucessivas de normalização que não foram cumpridas.
Diante da persistência do apagão e do descumprimento dos prazos informados pela concessionária, a Defensoria ingressou, durante o plantão diurno de segunda-feira, com ação civil pública que requer liminar obrigando o restabelecimento imediato do serviço. O pedido judicial também inclui a possibilidade de instalação de geradores nas áreas ainda atingidas, caso a rede não possa ser reparada de maneira célere.
Impactos econômicos e sociais nos bairros afetados
A falta de energia gerou efeitos imediatos sobre a economia local. Uma padaria do Leme, por exemplo, permaneceu fechada desde o início do apagão, acumulando três dias consecutivos sem faturamento. Além das vendas diretas, a empresa deixou de fornecer pães a restaurantes parceiros, interrompendo contratos e produção.
No âmbito residencial, síndicos relatam que portões automáticos ficaram travados, aumentando a sensação de insegurança, e elevadores permaneceram desligados, dificultando a mobilidade de idosos e pessoas com deficiência. A iluminação de áreas comuns reduziu-se a luzes de emergência, e o armazenamento de alimentos perecíveis foi comprometido.
Comércio de bairro, mercados e farmácias também reportaram perdas de estoque sensível ao calor, além de queda abrupta na movimentação de clientes. Os prejuízos financeiros, somados ao risco sanitário, impulsionaram moradores a realizar um panelaço na noite de domingo, protesto que ecoou pelas varandas dos prédios em ambos os bairros.
Transparência, segurança e questionamentos à concessionária
Um ponto crítico levantado pelo Procon e pela Defensoria diz respeito à transparência das informações. Durante todo o fim de semana, a Light não divulgou explicação clara sobre a origem da falha. A concessionária mencionou, em comunicados internos, possibilidade de furto de cabos, mas a Polícia Militar informou não ter sido acionada para ocorrências desse tipo na região, o que lança dúvidas sobre o controle da infraestrutura e o fluxo de informações entre empresa e órgãos públicos.
Para as autoridades de defesa do consumidor, a ausência de explicações técnicas dificulta a elaboração de medidas preventivas e o planejamento de resposta da própria população. Sem dados objetivos, famílias e comerciantes ficam impossibilitados de estimar prazos de retorno e de adotar providências para minimizar prejuízos.
Próximos passos e prazo para resposta da Light
Com a notificação do Procon em vigor, a Light tem 24 horas para apresentar o relatório circunstanciado das causas, o plano de restabelecimento completo e a política de compensação. Paralelamente, o juízo competente deverá analisar o pedido de liminar formulado pela Defensoria. Até a decisão judicial ou até que a concessionária normalize integralmente a rede, moradores e comerciantes continuam monitorando o restabelecimento parcial ocorrido em alguns trechos.
A empresa, questionada pelas autoridades, ainda não divulgou previsão definitiva de reconexão total nem detalhou os motivos específicos que provocaram a interrupção inicial.

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