Ensaios técnicos na Sapucaí: chuva não impede o brilho de Janja e das rainhas do Grupo Especial

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Os ensaios técnicos na Sapucaí chegaram ao segundo e último ciclo antes dos desfiles oficiais do Grupo Especial. Na noite de sexta-feira, 6, quatro escolas — Acadêmicos de Niterói, Mocidade Independente de Padre Miguel, Estação Primeira de Mangueira e Unidos da Tijuca — retornaram à Marquês de Sapucaí para calibrar evolução, harmonia e cronometragem. A chuva caiu em diferentes momentos, mas não afastou destaques, rainhas, musas e a plateia que acompanhou cada estudo de pista na preparação final para o Carnaval da próxima semana.
- Contexto dos ensaios técnicos na Sapucaí
- Acadêmicos de Niterói inaugura a noite de ensaios técnicos na Sapucaí
- Mocidade Independente revisa coreografia sob chuva durante os ensaios técnicos na Sapucaí
- Estação Primeira de Mangueira destaca temática amazônica nos ensaios técnicos na Sapucaí
- Unidos da Tijuca encerra a programação de ensaios técnicos na Sapucaí
- Chuva, novas regras e expectativa para o desfile oficial
- O que vem a seguir para as escolas do Grupo Especial
Contexto dos ensaios técnicos na Sapucaí
O calendário de ensaios técnicos na Sapucaí marca a oportunidade derradeira para que as agremiações testem todos os quesitos sem a pressão da avaliação definitiva. A Liga que coordena o Grupo Especial instituiu novas diretrizes de julgamento e de apuração para a temporada, e cada agremiação precisou seguir os ajustes exigidos. Nessa etapa, a medição de tempo, o posicionamento de alas e a resposta do sistema de som são observados minuciosamente. Com o desfile oficial programado para a semana seguinte, o segundo ensaio funciona como uma simulação completa: cenografia simplificada, fantasias de referência e presença de integrantes de todos os segmentos da escola, das comissões de frente até as tradicionais baterias.
Acadêmicos de Niterói inaugura a noite de ensaios técnicos na Sapucaí
Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói abriu os trabalhos. A escola levou à pista um recorte do enredo que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sinalizando a intenção de contar a trajetória política e social do líder ao longo do desfile. O ensaio contou com a presença de Janja da Silva. A primeira-dama adotou figurino alinhado às cores azul e branca da agremiação: blusa de paetês azuis, saia longa prateada e colar dourado. Ainda que a chuva tenha começado durante parte da passagem, os componentes mantiveram o canto e a coreografia. Como recurso visual, a diretoria exibiu bandeiras e estandartes para reforçar a identidade da escola, focando a sincronia entre alas e a cadência da bateria — pontos decisivos no julgamento oficial.
Mocidade Independente revisa coreografia sob chuva durante os ensaios técnicos na Sapucaí
Na sequência, a Mocidade Independente de Padre Miguel levou seu verde e branco ao sambódromo. O enredo que prestará tributo à cantora e compositora Rita Lee ganhou ensaio marcado pela presença da rainha de bateria Fabíola de Andrade. Ela surgiu em body nude bordado com pedrarias prateadas, cristais e franjas translúcidas, apresentando recortes e desenho sinuoso. O detalhe que mais chamou atenção foi o volume escultural nos ombros e na cabeça: esferas transparentes lembrando bolhas, aliados a um grande adereço metálico que irradiava luz. O conjunto incluiu botas prateadas com pedrarias em harmonia com o traje. Nem mesmo o aguaceiro reduziu o volume de som da bateria, que testou bossas e paradinhas fundamentais para manter o impacto do ritmo na avenida. A direção de carnaval da escola utilizou o momento para medir o tempo de evolução, garantindo que a comissão de frente e a alegoria-abre-alas se encaixem no limite regulamentar.
Estação Primeira de Mangueira destaca temática amazônica nos ensaios técnicos na Sapucaí
Terceira escola a ocupar a pista, a Estação Primeira de Mangueira apresentou um recorte de seu enredo centrado na figura do Mestre Sacaca e na Amazônia Negra. Para essa narrativa, a agremiação utilizou elementos que evocam raízes, galhos e folhagens. A rainha de bateria Evelyn Bastos apareceu usando body em tom nude pintado com desenhos que remetem ao tronco de uma árvore, além de acabamento brilhante. O adereço de cabeça, volumoso, combinava folhagens verdes, cipós e elementos naturais, criando a sensação de uma coroa viva. A maquiagem em tons terrosos e dourados e as sandálias marrons completaram a imagem de conexão com a floresta. Mesmo com a pista úmida, a escola manteve a fluidez da evolução, crucial para que as alas não se desorganizem. A bateria “Tem Que Respeitar Meu Tamborim” aproveitou para testar as variações de andamento previstas na sinopse, garantindo que todas sejam audíveis ao longo da Sapucaí.
Unidos da Tijuca encerra a programação de ensaios técnicos na Sapucaí
A noite foi concluída pela Unidos da Tijuca, que apresentou amostras do enredo dedicado à escritora Carolina Maria de Jesus. O azul profundo dominou a ala dos destaques. A musa Mileide Mihaile vestiu conjunto de duas peças bordado com pedrarias, cristais e aplicações metálicas no mesmo tom azul. Nas costas, plumas volumosas reforçavam a estética luxuosa. A composição foi complementada por coroa, colar e pulseiras também azuis, além de sandálias de salto alto. A comissão de carnaval da Tijuca concentrou-se em afinar coreografias coletivas, sobretudo nos trechos em que a bateria faz pausas estratégicas para valorização do canto. Com o piso molhado, a escola testou ajustes na abertura de alas, certificando-se de que o deslocamento dos carros alegóricos ocorrerá em segurança nos desfiles oficiais.
Chuva, novas regras e expectativa para o desfile oficial
Embora a precipitação tenha sido um elemento extra de desafio, cada escola aproveitou para observar como materiais, figurinos e instrumentos reagem a condições adversas, algo que pode ocorrer durante o Carnaval. Paralelamente, a temporada de 2024 chega com regulamento revisto. As comissões julgadoras adotarão critérios reestruturados de pontuação e método de apuração diferente do empregado em anos anteriores. Por isso, os ensaios técnicos na Sapucaí funcionaram como laboratório: aferiram desde o posicionamento de alas até a resistência dos adereços. As agremiações também verificaram a potência de som, a nitidez do enredo transmitido e a coesão entre música e narrativa visual.
O que vem a seguir para as escolas do Grupo Especial
Com o encerramento do segundo ciclo de ensaios, Acadêmicos de Niterói, Mocidade Independente de Padre Miguel, Estação Primeira de Mangueira e Unidos da Tijuca direcionam esforços à finalização de carros alegóricos, ajustes finais de fantasias e revisões de coreografia. O próximo compromisso público para cada uma será o desfile oficial, agendado para a semana seguinte na mesma Marquês de Sapucaí, quando os jurados atribuirão notas decisivas em quesitos como comissão de frente, harmonia, evolução, samba-enredo, bateria, fantasia, mestre-sala e porta-bandeira, alegorias e adereços. O resultado da apuração definirá a ordem de classificação e a participação no desfile das campeãs.
Assim, o segundo e último conjunto de ensaios técnicos na Sapucaí cumpriu sua função central: dar às quatro escolas a chance definitiva de validar tempo de pista, impacto musical, clareza narrativa e a performance de destaques e rainhas, mesmo sob condições climáticas instáveis.

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