Em Davos, Trump quer comprar Groenlândia sem uso de força e enfatiza valor estratégico

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No Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, na Suíça, Trump quer comprar Groenlândia sem recorrer à força militar e voltou a defender a aquisição da ilha como medida de segurança estratégica para os Estados Unidos. O presidente norte-americano comparou a proposta a práticas históricas de compra de territórios por potências europeias, descartou interesses diretos em recursos minerais e afirmou que a localização da ilha seria decisiva em eventuais conflitos mundiais.
- Por que Trump quer comprar Groenlândia, segundo o presidente
- Histórico de tentativas e precedentes quando Trump quer comprar Groenlândia
- Repercussões militares se Trump quer comprar Groenlândia se concretizar
- Crítica à OTAN e aos gastos europeus em defesa
- Comentário sobre a Venezuela e alinhamento energético
- Panorama da política interna e relação com o Federal Reserve
- Críticas à Europa sobre energia e imigração
Por que Trump quer comprar Groenlândia, segundo o presidente
Em seu discurso, Donald Trump declarou que a Groenlândia é “um pedaço de gelo” cuja posição no Atlântico Norte serviria como ponto avançado para repelir ameaças potenciais. O chefe do Executivo norte-americano alegou que, após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos devolveram o controle da ilha à Dinamarca depois de defendê-la das forças alemãs, japonesas e italianas. Segundo ele, Washington possuiria hoje as condições financeiras e militares para proteger e desenvolver o território, algo que, em sua avaliação, o governo dinamarquês não vem realizando em escala suficiente.
O presidente também rejeitou a hipótese de motivações econômicas relacionadas a “terras raras” ou a outras matérias-primas. Argumentou que tais recursos estariam “centenas de metros abaixo do gelo” e que a principal razão para a investida é o posicionamento geográfico, crucial para operações de defesa nacional e de aliados.
Histórico de tentativas e precedentes quando Trump quer comprar Groenlândia
Durante o pronunciamento, Trump citou momentos em que países europeus expandiram fronteiras por meio de transações territoriais, buscando legitimar sua iniciativa como prática comum nas relações internacionais. Ele mencionou que os Estados Unidos também recorreram a aquisições semelhantes em etapas anteriores da história, sem especificar exemplos, mas evocando o costume como precedente diplomático.
O presidente argumentou que a negociação de territórios não deveria ser considerada controversa, uma vez que se baseia em acordos soberanos entre nações. Ele enfatizou que o objetivo seria alcançar um entendimento com Copenhague, rechaçando quaisquer especulações sobre intervenção militar. “As pessoas pensaram que eu ia usar a força. Eu não quero e não usarei”, reforçou, condicionando o avanço da proposta ao consentimento dinamarquês.
Repercussões militares se Trump quer comprar Groenlândia se concretizar
Trump sustentou que a aquisição da ilha permitiria aos Estados Unidos instalar ou modernizar bases estratégicas para proteger não apenas o território da própria Groenlândia, mas também a América do Norte e a Europa Ocidental. Ele lembrou que forças norte-americanas já estiveram presentes na região durante a Segunda Guerra Mundial e que, sem o apoio de Washington, países escandinavos estariam sujeitos, segundo ele, a riscos maiores de influência externa.
Ao abordar possíveis cenários de conflito, o presidente afirmou que “muitas ações acontecerão nesse pedaço de gelo” caso se desencadeie uma guerra, sugerindo que a localização da Groenlândia funcionaria como anteparo contra adversários globais. Reiterou que o pedido “é muito pequeno” diante das contribuições militares e financeiras que os Estados Unidos teriam oferecido a aliados nas últimas décadas.
Crítica à OTAN e aos gastos europeus em defesa
Em Davos, Trump estendeu a discussão ao questionar o retorno obtido pelos Estados Unidos dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte. De acordo com o presidente, Washington custeou a proteção da Europa contra a antiga União Soviética e, mais recentemente, contra a Rússia, sem receber contrapartidas proporcionais. Na visão do líder norte-americano, a aquisição da Groenlândia funcionaria como “direito de propriedade” necessário à defesa do bloco ocidental.
Ele pontuou que “pagávamos a conta da OTAN” e, em troca, não havia garantia de reciprocidade. Ao reforçar a reclamação, argumentou que o investimento norte-americano em bases estabelecidas na Groenlândia teria sido vital para a segurança dinamarquesa. Ainda segundo Trump, sem essa presença os habitantes locais estariam sob outra dominação linguística e cultural, um cenário que ele atribuiu à gratidão insuficiente por parte de Copenhague.
Comentário sobre a Venezuela e alinhamento energético
A fala do presidente em Davos se estendeu à América do Sul. Ele afirmou que as ações norte-americanas “em território venezuelano” resultaram no “sequestro” do chefe de Estado Nicolás Maduro. Segundo Trump, a situação estaria melhorando e já haveria empresas petrolíferas alinhadas com os Estados Unidos para explorar petróleo venezuelano. Na avaliação do mandatário, esse rearranjo estaria contribuindo para a redução do preço dos combustíveis no mercado interno norte-americano e servindo aos interesses energéticos de seu país.
Panorama da política interna e relação com o Federal Reserve
No campo doméstico, Trump relembrou ter tomado posse em seu segundo mandato um ano antes e classificou como positivas as perspectivas de crescimento econômico. Ele anunciou que os Estados Unidos estariam “derrotando a inflação” apesar da condução do banco central, liderado pelo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, a quem chamou de “terrível”.
Ao citar que pretende indicar um novo presidente para o Fed em breve, Trump comentou que os candidatos são “ótimos”, mas expressou preocupação de que, ao assumir, passem a adotar decisões de aumento de juros contrárias às diretrizes do Executivo. Ressaltou que “diversos setores” estariam sendo beneficiados por sua política de criação de empregos e cortes de impostos, o que explicaria, segundo ele, altos índices de aprovação popular.
Críticas à Europa sobre energia e imigração
Em relação ao continente europeu, o presidente norte-americano declarou que o “velho continente” estaria “na direção errada”. Ele apontou políticas energéticas baseadas em fontes renováveis, como a eólica, e políticas migratórias permissivas como principais equívocos dos governos europeus. Trump mencionou que, nos Estados Unidos, houve cortes em programas de assistência destinados a imigrantes, defendendo que Washington busca “aliados fortes” e que a Europa precisaria “fazer sua parte” para equilibrar trocas comerciais.
A depender dos desdobramentos diplomáticos, o próximo passo relacionado à proposta de compra da Groenlândia será a abertura formal de negociações entre Washington e Copenhague, tema que pode dominar discussões de segurança e defesa na agenda internacional ao longo de 2026.

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